O documento, no entanto, alerta para riscos de disseminação em massa de mensagens às vésperas do segundo turno das eleições.

"Não foram localizadas novas publicações que reproduzam os conteúdos examinados nos autos [notícias falsas alvos de decisões do TSE] ressalvando o conteúdo de vídeos que, pela urgência, não foram transcritos", diz o relatório.

Coordenado pelo deputado eleito André Janones (Rede-MG), o canal tem mais de 3 milhões de inscritos. O objetivo é compartilhar áudios, vídeos e orientações para apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL) disputam a Presidência da República no segundo turno das eleições deste ano, marcado para 25 de outubro.

Disputa no TSE

O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, suspendeu no domingo (11) a ordem de Nunes Marques, e reabilitou o funcionamento do canal de WhatsApp. A nova decisão é preliminar e deverá ser discutida pelo plenário do TSE.

Apesar da decisão de manter o funcionamento do canal, Cueva determinou que não será permitido a vinculação de conteúdos falsos que já foram analisados pelo TSE e, em caso de descumprimento, poderá suspender novamente a página.

Após o impasse, Nunes Marques determinou que a área técnica do TSE responsável pelo enfrentamento à desinformação analisasse o conteúdo do canal com “máxima urgência”.

O documento deveria apresentar “elementos técnicos disponíveis que possam contribuir para a avaliação dos riscos à integridade do processo eleitoral”.

O que diz o relatório

No documento, a Assessoria de Enfrentamento à Desinformação do TSE faz um alerta para o potencial de alcance elevado das publicações, o volume expressivo de encaminhamentos e a existência de orientações coordenadas par mobilizar seguidores e ampliar a circulação de conteúdos.

A análise também destaca o uso recorrente de linguagem polarizadora nas mensagens, que, segundo a equipe técnica, pode estimular uma lógica de confronto em um período próximo ao segundo turno.