A entrevista do zagueiro Gabriel Paulista depois da goleada sofrida no Dérbi repercutiu nos bastidores do Corinthians e expôs o desgaste na relação entre o elenco e o presidente Osmar Stabile.

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Na visão de pessoas ligadas ao departamento de futebol, o grupo perdeu a confiança no dirigente, que, segundo relatos ouvidos pelo ge, costuma assumir compromissos que nem sempre são cumpridos.

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Osmar Stabile, presidente do Corinthians, no CT Joaquim Grava

Rodrigo Coca/Agência Corinthians

Embora as declarações também envolvam Marcelo Paz, a relação dos jogadores com o executivo é descrita como respeitosa e amistosa. O cenário é diferente com Stabile, alvo direto do desabafo de Gabriel Paulista.

O atraso nos pagamentos e o descumprimento de prazos são apontados como os principais fatores de desgaste. A demissão do técnico Fernando Diniz, na semana passada, depois da sétima derrota consecutiva do Corinthians no Brasileirão, também gerou incômodo no CT Joaquim Grava.

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Para os jogadores, a decisão transmitiu falta de convicção do presidente, por ter ocorrido depois de uma longa Data Fifa e na sequência de uma boa atuação da equipe, ainda que com derrota para o Inter, em Porto Alegre.

Funcionários do clube avaliam que uma presença mais frequente de Stabile no CT poderia amenizar o atrito, aproximando o dirigente dos problemas enfrentados pelo elenco.

— Em todos os clubes que eu joguei, nessa situação que passei, a diretoria sempre protegeu os atletas, dava a vida para defender nós jogadores. Aqui no Corinthians eu não vejo isso, não vejo nenhuma proteção. Temos que respeitar o Corinthians, mas tem muita gente aqui dentro que não respeita e não sabe o que significa isso. Se alguém da diretoria quiser falar comigo e falar que disse besteira, eu volto e falo de novo — disse Gabriel Paulista no último domingo, depois da derrota por 4 a 1 diante do Palmeiras.

— A gente precisa de proteção. Precisa que pague o salário, que deixe funcionário com salário pago... Isso aí afeta. É uma vergonha para o clube que é o Corinthians. Esse grupo é muito bom e vamos conseguir os resultados necessários para sair dessa. Mas vai ser só a gente, vamos se unir e se tiver que morrer vai morrer todo mundo junto. Que se f*** o resto — completou.

O Corinthians tem dois meses de direitos de imagem, férias e premiações em atraso com o elenco.

Gabriel Paulista se emociona ao comentar situação do Corinthians

O ge entrou em contato com o Corinthians, que preferiu não se manifestar sobre o assunto.

Sem vencer há oito rodadas, o Corinthians volta a campo na próxima segunda-feira, contra o Vitória, na Neo Química Arena, pela 31ª rodada do Brasileirão.

A partida marcará a estreia de Clarence Seedorf no comando da equipe. O treinador holandês tem chegada ao Brasil prevista para quarta-feira.

Com 32 pontos, o Corinthians ocupa a 16ª colocação do Brasileirão, com a mesma pontuação do Internacional, primeiro time dentro da zona de rebaixamento.

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