A Polícia Civil de São Paulo realiza nesta terça-feira (13) a Operação Jogo Duplo, contra um esquema criminoso de cambismo digital de ingressos para assistir a jogos de futebol.
Um dos alvos é Sandro Santos de Souza, integrante da Mancha Alviverde, que já era procurado por suspeita de participação na morte de um torcedor do Cruzeiro durante uma emboscada atribuída à torcida do Palmeiras, em Mairiporã, na Grande São Paulo, em 2024. Ele não foi preso até a última atualização desta reportagem.
Até as 9h, um homem havia sido preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na Zona Oeste da capital. Segundo a polícia, ele não era alvo de mandado de prisão, mas estava com uma arma sem registro.
A operação busca cumprir 15 mandados de busca e apreensão e um de prisão na capital paulista e em Bragança Paulista, Socorro, Jundiaí, Osasco e Cotia. Sandro também é alvo de mandados de busca e apreensão e de prisão, relacionados à suspeita de envolvimento na fraude dos ingressos.
Segundo a polícia, ele não foi encontrado em dois endereços e é considerado foragido. As equipes ainda estavam nas ruas pela manhã, sem confirmação de quantos mandados haviam sido cumpridos. Os investigados seriam responsáveis por quase toda a compra e a comercialização irregular de ingressos identificadas durante a apuração.
A operação é coordenada por equipes da capital e conduzida pela Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva (Drade), da Divisão Especializada de Atendimento ao Turista (Deatur).
Robôs e cadastros de terceiros
Material apreendido durante busca e apreensão de operação contra fraude na compra de ingressos de jogos de futebol em SP.
Segundo a Polícia Civil, a investigação identificou o uso de ferramentas automatizadas, conhecidas como robôs, para comprar ingressos em grande quantidade. Os investigados também teriam usado indevidamente cadastros de terceiros vinculados aos sistemas de reconhecimento facial dos estádios.
A suspeita é que os recursos fossem utilizados para obter ingressos irregularmente e revendê-los no mercado paralelo, prejudicando torcedores que tentam comprar entradas pelos canais oficiais.
O delegado Cesar Saad, da Drade, afirmou que a operação busca combater essa modalidade de cambismo e responsabilizar os envolvidos.
"Essa operação é importante porque estamos combatendo uma nova modalidade de cambismo, que utiliza a tecnologia para adquirir ingressos de forma irregular. Identificamos a utilização de robôs para a compra de ingressos em grande quantidade, além do uso indevido de cadastros de terceiros nos sistemas de reconhecimento facial", disse Saad ao g1.
"O objetivo da Polícia Civil é combater esse mercado clandestino, responsabilizar os envolvidos e, principalmente, proteger o torcedor, garantindo que ele tenha acesso aos ingressos de forma justa e pelos canais oficiais", falou o delegado da Drade.
Emboscada na Fernão Dias deixou um torcedor morto e 15 feridos
Como foi planejada a emboscada da torcida Mancha Alviverde contra os rivais da Máfia Azul
Sandro Santos de Souza já era procurado por suspeita de participação no homicídio de José Victor Miranda dos Santos, torcedor do Cruzeiro morto em uma emboscada atribuída a integrantes da Mancha Alviverde, organizada do Palmeiras.
O ataque ocorreu em 27 de outubro de 2024, na Rodovia Fernão Dias, em Mairiporã. Torcedores do Cruzeiro voltavam de Curitiba para Minas Gerais quando foram atacados por palmeirenses.
De acordo com o Ministério Público (MP), os integrantes da Mancha usaram paus, pedras, bolas de bilhar, pregos e rojões para atacar ônibus de membros da Máfia Azul, principal torcida organizada do Cruzeiro. Os veículos foram incendiados, e os torcedores rivais foram agredidos. As duas torcidas tinham uma antiga rivalidade motivada por outros confrontos.
José Victor morreu, e outros 15 torcedores cruzeirenses ficaram feridos. Os próprios palmeirenses filmaram a ação e publicaram as imagens nas redes sociais, o que ajudou o Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil a identificar os suspeitos.
Ao todo, 42 integrantes da Mancha Alviverde são réus na Justiça pelos crimes de homicídio e tentativas de assassinato.
Em outubro de 2025, quando o ataque completou um ano, a Polícia Civil ainda procurava 18 palmeirenses suspeitos de participação na emboscada. Outros 24 estavam presos, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP).
Dos 20 palmeirenses que irão a júri, 17 estão presos e três estão foragidos. Eles são acusados pela Promotoria de homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel, perigo comum e recurso que dificultou a defesa das vítimas. Também respondem por 15 tentativas de assassinato e por causar tumulto, conforme a Lei Geral do Esporte.
O g1 não conseguiu localizar a defesa de Sandro para comentar o assunto.
Informações sobre os palmeirenses foragidos podem ser repassadas ao Disque-Denúncia, pelo telefone 181. Não é preciso se identificar.
Ônibus foram destruídos durante briga entre torcedores de Palmeiras e Cruzeiro na Rodovia Fernão Dias, em Mairiporã, na Grande SP

