Clarence Seedorf inicia nesta quarta-feira um novo ciclo no futebol brasileiro. Dessa vez como técnico do Corinthians e com a missão de livrar o time do rebaixamento. Será a segunda passagem do holandês pelo país. De 2012 a 2013, ele jogou pelo Botafogo.
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Na equipe carioca, Seedorf empilhou polêmicas e pedidos inusitados. O mais conhecido deles foi a alteração do trecho do hino "não podes perder/perder para ninguém". Na visão dele, a palavra "perder" influenciava negativamente na construção de uma mentalidade vencedora.
Na época, o Botafogo atravessava um período de transição na tentativa de se firmar como força nacional. Liderado em campo por Seedorf, o clube venceu o Campeonato Carioca de 2013 e garantiu a vaga para a Conmebol Libertadores de 2014, quebrando um jejum de 18 anos fora do torneio.
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Seedorf em Flamengo x Botafogo, 2013
Para que o sucesso em campo pudesse ser alcançado, o holandês sugeriu - além da mudança no trecho do hino não atendida pela diretoria - uma série de alterações no dia a dia do departamento de futebol, conforme publicado em matéria do ge à época.
A lista de mudanças de Seedorf no Botafogo:
Voos fretados para viagens longas;
Queria que os roupeiros entregassem as camisas no cabide e não as dobrassem, porque acreditava que o uniforme amassado atrapalhava o atleta;
Não queria a presença de diretores no vestiário nos dias de jogos - acreditava que deveria ser um ambiente 100% dos jogadores;
Não queria que jogadores comessem feijão antes de jogos porque eles ficariam pesados;
Queria substituir linguiça de porco pela de boi na alimentação;
Aconselhava jogadores a não irem de chinelo para os treinos;
Pediu para o clube ter uma equipe multidisciplinar médica (com clínico-geral, fisioterapeuta e médico especializado em medicina esportiva).
Em entrevista recente ao Charla Podcast, o zagueiro Doria relatou uma interação com Seedorf durante concentração da equipe em que o holandês o repreendeu por estar andando descalço.
— A gente concentrava em General (Severiano). Se você quisesse tomar um suco, você ia na geladeira da cozinha e tinha que passar por todo o corredor. Fui inventar de pegar um suco, saí do meu quarto trotando e dou de cara com quem? Com o Seedorf. Ele me perguntou onde eu ia e respondi: "Vou pegar um suco ali na geladeira porque deu sede". Ele olhou e perguntou: "Por que você está descalço?".
— Abriu a porta do quarto, entrei lá, sentei na cama tristinho. Ninguém nunca tinha entrado no quarto dele, velho! Sentei na beirinha da cama, mas já perto da porta, vai que ele me bate (risos). Aí ele falou assim: "Por que você está descalço? E se tivesse um caco de vidro? E se tivesse um parafuso? E se você topasse o pé? Não faz mais isso, não! Amanhã tem jogo. Você pode pegar uma bactéria". Ele tinha um chinelão, me deu e mandou eu pegar o suco. Voltei igual cachorro, nem queria mais beber o suco — relatou o defensor.
Na mesma entrevista, Doria explicou que Seedorf também não gostava do ar condicionado no ônibus. O europeu reclamava constantemente da qualidade do ar e de um possível choque térmico com a baixa temperatura do ônibus (21ºC) e o clima quente no Rio de Janeiro.
— Quarenta graus e, quando entrava no ônibus, estava geladão. Todo mundo feliz da vida. Ele (Seedorf) falava que ia dar choque térmico, que ficaríamos gripados, que tinha que estar o clima ambiente para se adaptar ao jogo. Tudo que ele falava tinha sentido, ele tinha razão. Mas, pô, não dava. Um calor do c... e eu vou ficar suando? De General Severiano até o Engenhão dá 40 minutos, a gente ia ficar suando? — relembrou o zagueiro.
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