# Baladas com Romário e Riquelme e coração dividido: os bastidores de Jorginho Paulista entre Vasco e Boca

- Seção: Esporte
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- Publicado em: 2026-10-13T17:00:01.000Z
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> Jorginho Paulista compara baladas com Romário e Riquelme

Jorginho Paulista viveu experiências que poucos jogadores podem contar. O lateral-esquerdo vestiu as camisas de Vasco e Boca Juniors em um dos períodos mais marcantes da história dos dois clubes. Além da coletânea de títulos na carreira, também pôde viver baladas com Romário e Viola no Rio de Janeiro e festas de cúmbia com Riquelme em Buenos Aires. Ele ficou em cima do muro sobre quais festas foram melhores, mas deixou o palpite sobre quem acha que vai para a final da Sul-Americana.

Mais de duas décadas depois, o ex-lateral guarda as amizades construídas nos dois vestiários e admite que terá o coração dividido no confronto entre as equipes. Em entrevista exclusiva ao ge, Jorginho relembrou os bastidores das passagens pelo Vasco e pelo Boca e explicou por que mantém uma relação especial com os dois clubes.

— Eu vou colocar aquela camisa meio a meio. Se o Riquelme não estivesse como presidente lá, eu ia falar: “Pô, 100% Vasco”. Eu joguei no Boca, tudo isso, mas o cara é o presidente do clube, e eu torço por ele porque ele me abraçou de uma forma que ele não precisava — contou Jorginho, que completou:

Jorginho Paulista aposta no Vasco contra o Boca e diz que coração está dividido

— Eu joguei com os dois jogadores que hoje são os dois presidentes dos clubes, que é o Riquelme e o Pedrinho. Então, eles podiam me convidar como uma estrela desse encontro, né, cara? Seria bacana — brincou.

Ao lado de Riquelme no Boca

A relação com Riquelme segue até hoje. Quando chegou ao Boca, em 2001, o brasileiro encontrou um elenco em transformação, depois de uma geração que havia conquistado títulos importantes, incluindo a Libertadores e o Mundial contra o Real Madrid. Mesmo em meio à reformulação, o camisa 10 argentino fez questão de acolher o novo companheiro.

— O principal jogador do time fazia questão de me levar para dentro da casa dele, de conhecer os familiares, de passar momentos de folga. “Pô, vem aqui em casa conhecer meus pais, conhecer minha esposa”. Riquelme me deu a satisfação de poder falar assim: “Pô, os caras me querem bem dentro do grupo, querem me fazer adaptar o quanto antes possível” — lembrou.

Jorginho Paulista Boca Juniors

Do outro lado, Jorginho jogou também com o atual presidente do Vasco, Pedrinho, com quem fez uma boa dupla em vários momentos pela esquerda. O lateral foi campeão brasileiro e da Mercosul, com participação decisiva na virada histórica contra o Palmeiras na final.

Ele iniciou a jogada do quarto gol decisivo, mas Jorginho fica na bronca quando dizem que a construção foi por pura sorte. Ele explicou que pensou em cada detalhe do lance que ficou eternizado na história do clube.

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— Todo mundo fala: "Foi sem querer". Não foi sem querer, porque eu aponto para onde tinha que dar o passe! Então eu estava ciente do que tinha que fazer. Se eu tocasse no Viola, eu sabia que ele ia querer chutar no gol. Daí eu toquei na intermediária ali na meia-lua, onde eu vi o Juninho, que daí chutou e sobrou no rebote para o Romário. Mas com certeza o Viola ia querer fazer o gol. A gente dá crédito porque ele entrou bem pra caramba — afirmou.

Jorginho Paulista, Romário e Viola no título do Vasco na Mercosul

Baladas com Romário, Viola e Riquelme

Se dentro de campo Jorginho conviveu com craques, fora dele também acumulou histórias. O ex-lateral contou que chegou a sair algumas vezes com Riquelme e Marcelo Delgado para ouvir cúmbia, ritmo popular na Argentina.

— Fui umas três vezes para a balada com o Riquelme, com o Delgado, para ouvir cúmbia. Eles adoram esse estilo musical. É tipo um forró com música eletrônica. O samba para nós jogadores aqui no Brasil é a cúmbia para os argentinos — explicou.

Jorginho Paulista conta sobre chegada ao Boca

Jorginho também recordou as saídas com Romário e Viola durante a passagem pelo Vasco. Com o Baixinho, a experiência foi mais tranquila. Já com Viola, a dupla se aventurou para escapar da concentração e ir parar em um ensaio da Unidos da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Jorginho Paulista em treino do Vasco

Agência O Globo

— Com o Romário foi a experiência mais fácil, porque já estava tudo pago. Era combinado já. Com o Viola foi a maior aventura que tivemos: escapar da concentração do Hotel Othon, em Copacabana, e parar no ensaio da Unidos da Tijuca — contou.

O ex-lateral brincou que se considera privilegiado por ter vivido as três experiências, tanto pela convivência com os jogadores quanto pelos lugares e pelas histórias que ficaram.

— Foram três experiências de alto nível! Jogando no Rio de Janeiro e em Buenos Aires, no Vasco da Gama e no Boca Juniors, pode ter certeza que foi de alto nível — disse.

Os títulos no Vasco e a experiência na Argentina

Jorginho Paulista tem a passagem pelo Vasco como um dos maiores orgulhos de sua carreira no futebol. Revelado pelo Palmeiras, ele passou pelo PSV, Udinese e Athletico Paranaense até chegar a São Januário.

— Eu coloco o Vasco como um divisor da minha vida mesmo, do que eu sou hoje como pessoa, ex-jogador, profissional, e das conquistas que eu tive vestindo essa camisa. A representatividade que eu tive para o futebol vendo aonde eu atingi depois que eu vesti essa camisa, o que eu era antes e depois que eu vesti essa camisa, o que ganha, os títulos que ganhamos... — declarou.

— Então, com toda a certeza — eu não tenho dúvida disso —, até também o orgulho máximo pelo histórico, a história do clube, de todas as brigas e causas que ele levantou bandeiras, enfim. O Vasco é para mim motivo de muito orgulho — completou.

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A trajetória de Jorginho no Boca, curiosamente, tem relação direta com um duelo histórico contra o River Plate. O lateral se destacou na vitória por 4 a 1 no Monumental na semifinal da Mercosul de 2000. Em 2001, ele ainda defendia o Vasco quando o Boca eliminou o clube brasileiro nas quartas de final da Libertadores — ano em que o time argentino faturou o título em cima do Cruz Azul.

Meses depois, o brasileiro foi contratado pelo Boca para substituir Rodolfo Arruabarrena, atual técnico do Boca Juniors. A chegada aconteceu em um período de reformulação após a conquista da América, com a saída de peças importantes e a promoção de jovens da base por Carlos Bianchi.

No segundo semestre daquele ano, o Vasco também passou por mudanças, mas os caminhos voltaram a se cruzar, desta vez com Jorginho vestindo a camisa xeneize.

— O Vasco joga contra o Boca na Libertadores no primeiro semestre e na Mercosul no segundo, e é eliminado nos dois. E o segundo eu joguei, então eu fui eliminado pelo Vasco e depois eu eliminei o Vasco — relembrou.

Jorginho Paulista fala de relação com o Vasco: "Orgulho máximo"

Jorginho também precisou se adaptar ao futebol argentino, que descreveu como mais intenso e de maior contato físico do que o brasileiro. A desvalorização do peso, no fim de 2001, foi outro fator que pesou na decisão de retornar ao Brasil, momento em que transferiu-se para o Cruzeiro.

Feliz por ter vestido as duas camisas, Jorginho Paulista segue acompanhando de perto os jogos de Vasco e Boca Juniors. E fica ainda mais feliz ao ver a reconstrução e a retomada dos caminhos das vitórias das duas equipes, com as gestões de dois amigos tão próximos. Sobre o palpite de quem vai para a final da Copa Sul-Americana, ele não ficou em cima do muro.

— Eu acredito que o Vasco vai passar. O Vasco encaixou, está jogando bem, o time está melhor. O Boca está com problemas, o Paredes se machucou... A qualidade do Vasco eu acho melhor do que a qualidade do time do Boca.

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Reportagem completa: https://ge.globo.com/futebol/times/vasco/noticia/2026/10/13/baladas-com-romario-e-riquelme-e-coracao-dividido-os-bastidores-de-jorginho-paulista-entre-vasco-e-boca.ghtml

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