Os resultados do 1º turno, com a eleição para o Congresso, mostram que partidos que recebem as maiores fatias do Fundo Eleitoral tiveram melhores desempenhos.

O grande vitorioso foi o PL. O partido foi o que mais elegeu governadores de uma vez no domingo (4) — seis ao todo, incluindo Douglas Ruas no Rio de Janeiro, declarado vencedor após retotalização de votos no estado — e conquistou 19 das 54 cadeiras do Senado que estavam em disputa. O avanço foi suficiente para redesenhar o equilíbrio de forças na Casa: o PL deve começar 2027 com 28 senadores e a maior bancada.

Na Câmara, dois candidatos do PL ultrapassaram a marca de 3 milhões de votos e se tornaram os deputados federais mais bem votados da história. Além disso, a sigla elegeu 121 deputados federais e consolidou-se como a maior bancada no Congresso nas eleições de 2026. O PT, em segundo lugar, terá 70. Em termos gerais, a Câmara terá 35,7% de deputados federais em primeiro mandato, menor percentual em quatro eleições.

PL e PT foram as siglas que mais receberam recursos do Fundo Eleitoral, com R$ 881,7 milhões e R$ 615,4 milhões, respectivamente. Em seguida, aparece o União Brasil, com cerca de R$ 526,2 milhões. Juntos, os três partidos concentram cerca de 40% do fundo. Neste ano, o total foi de R$ 4,95 bilhões.

O fundo foi criado em 2017, após as empresas serem proibidas de doar para campanhas eleitorais. Os recursos são públicos, e a distribuição segue o tamanho das bancadas na Câmara e no Senado como um dos critérios. Todos os partidos recebem dinheiro, mesmo aqueles sem representação. Há uma cota mínima para eles.

De onde sai o dinheiro das campanhas políticas?

Veja como foi a divisão do Fundo Eleitoral em 2026:

PL: R$ 881,6 milhões (17,77%)

PT: R$ 615,3 milhões (12,4%)

União: R$ 526,2 milhões (10,61%)

PSD: R$ 421 milhões (8,49%)

PP: R$ 417 milhões (8,41%)

MDB: R$ 400 milhões (8,06%)

Republicanos: R$ 348,5 milhões (7,03%)

Podemos: R$ 245,9 milhões (4,96%)

PDT: R$ 169 milhões (3,41%)

PSB: R$ 152,2 milhões (3,07%)

PSDB: R$ 147,8 milhões (2,98%)

PSOL: R$ 131,5 milhões (2,65%)

Solidariedade: R$ 88,5 milhões (1,78%)

Avante: R$ 72,5 milhões (1,46%)

PRD: R$ 71,8 milhões (1,45%)

Cidadania: R$ 60,1 milhões (1,21%)

PCdoB: R$ 60 milhões (1,21%)

PV: R$ 45,1 milhões (0,91%)

Novo: R$ 37 milhões (0,75%)

Rede: R$ 35,8 milhões (0,72%)

Agir, DC, Mobiliza, PCB, PCO, PRTB, PSTU e UP: R$ 3,3 milhões cada (0,07% cada)

Análise feita pelo g1 cruzando informações do Fundo Eleitoral e do número de eleitos por partido mostra que o PL, que já era grande, ficou maior: ampliou as bancadas na Câmara e no Senado, elegeu seis governadores, ainda pode vencer no Amazonas e voltar à Presidência com Flávio Bolsonaro.

Já o PT terá a segunda bancada no Senado (nove) e também na Câmara (70), elegeu três governadores no Nordeste (BA, CE, PI), disputa os governos do Distrito Federal e do Rio Grande do Norte e pode ter um novo mandato se Lula for reeleito presidente.

O União Brasil, por sua vez, teve um desempenho baixo considerando a sua fatia do Fundo Eleitoral. Fez três senadores e 46 deputados federais, não elegeu governadores no 1º turno e segue na disputa no Rio Grande do Norte e no Tocantins.

Veja mais detalhes sobre os eleitos, seus partidos e a fatia do Fundo Eleitoral que receberam.

Eleitos no Senado

Senadores eleitos por partido em 2026 e a fatia do Fundo Eleitoral que cada sigla recebeu

O PL elegeu levou 19 cadeiras (35,2% das 54 em disputa), após receber 17,8% do fundo, o MDB conquistou sete vagas (13%) com 8,1% do fundo, e o PT fez seis senadores (11,1%) com 12,4% do fundo.

Por outro lado, o PSD elegeu apenas dois senadores (3,7%), apesar de ter a quarta maior fatia do fundo (8,5% do valor total). O partido, aliás, vai encolher de 14 para cinco representantes em 2027.

O União Brasil, terceiro maior beneficiado pelo fundo (10,6% dos recursos), fez três senadores (5,6%), e o Republicanos elegeu dois (3,7%) com 7% do fundo.

O Novo foi o caso mais desproporcional. A legenda não tem representantes no Senado atualmente e elegeu três (5,6%) após receber a cota mínima do fundo (0,7%).

Eleitos na Câmara dos Deputados

Deputados eleitos por partido em 2026 e a fatia do Fundo Eleitoral que cada sigla recebeu

Dos 513 deputados eleitos, o PL tem 121 (23,6%) com 17,8% do fundo, e o PT tem 70 (13,6%) com 12,4%.

Republicanos (41 deputados, 8,0%, com 7,0% do fundo) e Podemos (27, 5,3%, com 5,0%) ficaram levemente acima. PSD (8,4% das cadeiras, com 8,5% do fundo) e PP (8,0%, com 8,4%) ficaram em linha, e o União (9,0%, com 10,6%) e o MDB (7,0%, com 8,1%) ficaram um pouco abaixo.

As maiores distâncias estão nos menores: o PDT elegeu 6 (1,2%) com 3,4% do fundo e o Solidariedade elegeu 2 (0,4%) com 1,8%. Em sentido oposto, o Novo elegeu 10 (1,9%) com 0,7% e o PCdoB elegeu 11 (2,1%) com 1,2%. Os sete maiores partidos em fundo têm 72,8% dele e 77,6% das cadeiras.

Governadores eleitos por partido em 2026 e a fatia do Fundo Eleitoral que cada sigla recebeu

Dos 20 governadores já definidos no primeiro turno, os sete maiores partidos em fundo elegeram 18 (90%), com 72,8% do fundo: o PL elegeu 5 (25%) com 17,8% do fundo; o PSD elegeu 4 (20%) com 8,5% e o Republicanos elegeu 3 (15%) com 7,0%. O PT elegeu 3 (15%) com 12,4% e o PP elegeu 2 (10%) com 8,4%.

O União, com 10,6% do fundo, não elegeu nenhum, e PSB e PDT e, que somam 6,48% dos recursos, também ficaram sem governadores e fora do segundo turno.