Para uma criança, observar de perto um lobo-guará, um tamanduá-bandeira ou outra espécie típica do Cerrado se transforma em uma experiência inesquecível.

Em Araxá, no Alto Paranaíba, esse contato é apenas o começo de uma jornada de aprendizado que busca despertar a consciência ambiental e mostrar a importância da conservação da biodiversidade.

Implantado no início da década de 1990, o programa já envolveu mais de 80 mil alunos, professores e moradores de Araxá e região, segundo dados divulgado pela CBMM. Em 2025, mais de 1.500 pessoas participaram das atividades, que incluíram palestras, oficinas, exposições e visitas monitoradas ao Centro de Desenvolvimento Ambiental (CDA). Ao todo, foram realizadas 84 visitas monitoradas, 10 palestras e 22 oficinas.

Educação ambiental e engajamento da comunidade

A conservação da biodiversidade também passa pela formação de consciência ambiental nas novas gerações e pelo fortalecimento dos laços com a comunidade local. Por isso, desde 1992 é mantido um amplo Programa de Educação Ambiental, que já impactou diretamente alunos e professores de diversas escolas da região.

As atividades combinam conteúdo teórico e vivência prática. O CDA serve como referência prática, permitindo que os participantes conheçam de perto a fauna e a flora do Cerrado, compreendam os desafios da conservação e discutam o conceito de desenvolvimento sustentável, mostrando como ciência, indústria e natureza podem caminhar juntas.

Cerrado como sala de aula

Mais do que um espaço dedicado à conservação, o Centro de Desenvolvimento Ambiental funciona como um laboratório a céu aberto. O local reúne o Criadouro Conservacionista e o Viveiro de Conservação da Flora do Cerrado, oferecendo experiências que aproximam os visitantes da realidade dos ecossistemas da região.

Durante as visitas, estudantes e professores têm a oportunidade de compreender conceitos relacionados à biodiversidade, aos serviços ecossistêmicos, à sustentabilidade e ao uso responsável dos recursos naturais. A proposta é transformar conteúdos frequentemente encontrados apenas nos livros em experiências práticas e significativas.

Ao conhecer de perto espécies como o tamanduá-bandeira e o lobo-guará, por exemplo, os participantes entendem que a sobrevivência desses animais depende diretamente da preservação dos ambientes onde vivem. Dessa forma, cada encontro se torna uma oportunidade para discutir temas como conservação dos habitats, impactos das atividades humanas e equilíbrio ecológico.

Embora os animais desempenhem papel importante nas atividades educativas, o CDA não funciona como um zoológico aberto à visitação pública. Como se trata de um criadouro conservacionista, o acesso ocorre de forma controlada e orientada, respeitando protocolos voltados à segurança, à saúde e ao bem-estar dos animais mantidos sob cuidados humanos.

Palestras e oficinas transformam teoria em prática

O programa também utiliza atividades educativas fora do complexo. Em 2025, foram realizadas 10 palestras e 22 oficinas temáticas relacionadas à conservação ambiental e à sustentabilidade.

As atividades permitem abordar assuntos diferentes de acordo com o público. Entre os temas trabalhados ao longo dos anos estão a biodiversidade do Cerrado, recursos naturais, sustentabilidade, mudanças climáticas e responsabilidade socioambiental.

A estratégia também ajuda a mostrar que questões ambientais não estão distantes da rotina das pessoas. O cuidado com a água, o descarte correto de resíduos, a preservação das árvores e o respeito aos animais silvestres são exemplos de atitudes que podem começar dentro da escola ou de casa.

Cientistas do Cerrado

Um dos destaques do programa é o projeto “Cientistas do Cerrado”, desenvolvido em parceria com instituições de ensino locais. Por meio de oficinas interativas e experiências práticas, os jovens aprofundam seus conhecimentos sobre a biodiversidade do Cerrado e exploram saberes relacionados à fauna e flora nativas. O projeto busca formar cidadãos engajados, capazes de valorizar e proteger o patrimônio natural ao seu redor, fortalecendo o vínculo entre as comunidades de Araxá e o meio ambiente.

Outros projetos complementares ampliam ainda mais o alcance educativo. O Projeto Refauna, realizado em parceria com universidades do Rio de Janeiro, atua na reabilitação e reintrodução de espécies nativas, com destaque para a anta. Desde dezembro de 2017, o projeto contribui para a reintrodução de animais à natureza na Reserva Ecológica Guapiaçu, oferecendo casos reais que enriquecem as atividades de educação ambiental.

Animal também ensina sobre respeito

O Criadouro Conservacionista acolhe animais que necessitam de cuidados permanentes e atua na reabilitação e, quando possível, na reintrodução desses indivíduos à natureza. Em 2023, por exemplo, o espaço participou da reintrodução de 13 animais em áreas preservadas, além de estudos realizados em parceria com o Instituto Estadual de Florestas (IEF).

A experiência ajuda os visitantes a compreender que conservar vai muito além de devolver um animal à natureza.

É necessário avaliar condições físicas, comportamento, capacidade de sobrevivência e características da área que receberá o animal. Quando a soltura não é possível, o cuidado permanente faz parte da estratégia de conservação.