O suspeito de matar o ex-sogro, de 56 anos, e o ex-cunhado, de 17, ligou para o 190 e relatou ter cometido os dois homicídios, segundo a Polícia Civil. O crime aconteceu na manhã de sexta-feira (9), em uma residência na zona rural de Chuvisca, a cerca de 150 km de Porto Alegre.
Após o telefonema, uma equipe da Brigada Militar — a Polícia Militar do RS — foi até o endereço informado e encontrou Arnildo Schmegel Klumb e o filho, Davi Artur Klug Klumb, mortos dentro da casa. Os dois apresentavam ferimentos provocados por disparos de arma de fogo.
O suspeito, identificado como Fábio Bierhals Tavares, de 29 anos, foi localizado pouco depois e preso em flagrante. Com ele, conforme a Polícia Civil, foram encontrados objetos ligados aos mortos, entre eles o celular de uma das vítimas, além de uma munição intacta de calibre .38.
Em um segundo momento, o homem relatou à polícia que deixou o local do crime usando o veículo de uma das vítimas e abandonou o automóvel na residência de um familiar. Na casa onde ocorreram os homicídios, os investigadores apreenderam um projétil deflagrado e uma espingarda.
A prisão em flagrante foi convertida em preventiva pela Justiça, após parecer favorável do Ministério Público.
Ex-companheira presta depoimento
A ex-companheira do suspeito, de 22 anos, que perdeu o pai e o irmão no crime, presta depoimento nesta terça-feira (13), na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) de Camaquã. A pedido da defesa, a identidade da mulher será preservada pela reportagem.
A defesa da jovem afirma que solicitou medidas protetivas contra o ex-companheiro e familiares dele depois do recebimento de ameaças. Segundo a advogada Mikaela Schuch, a jovem e outros integrantes da família precisaram deixar a própria casa.
A mãe dela, aposentada por invalidez, também saiu da residência em razão das ameaças relatadas à defesa.
A advogada afirma ainda que pretende reforçar o pedido de proteção após o depoimento e aponta a possibilidade de outras pessoas terem participado do crime.
“Após o depoimento, a defesa vai reforçar o pedido de proteção à testemunha, porque ela e seus familiares tiveram que deixar a própria casa em razão das ameaças. É importante ressaltar também que o crime envolveu uma logística de deslocamento que aponta para a possível participação de outras pessoas”, afirma Mikaela Schuch.
A família, que trabalha com o cultivo de fumo, também enfrenta dificuldades financeiras após as mortes. Familiares organizam uma arrecadação para pagar as despesas funerárias de pai e filho.
Polícia investiga possível vicaricídio
O que é vicaricídio? RS registrou primeiro indiciamento pelo crime
A Polícia Civil apura se os dois homicídios foram praticados com o objetivo de atingir a ex-companheira do suspeito por meio da morte de familiares dela.
Segundo a investigação, não se sabe, até esta publicação, de conflitos próprios entre o suspeito e as duas pessoas mortas.
Por isso, a polícia trabalha com a hipótese de vicaricídio, que ocorre quando alguém mata uma pessoa ligada a uma mulher com o objetivo específico de causar sofrimento, punição ou controle em um contexto de violência doméstica e familiar.
De acordo com a Polícia Civil, o crime foi criado pela Lei nº 15.384, de 9 de abril de 2026, e incluído no rol dos crimes hediondos. A pena prevista é de 20 a 40 anos de prisão.
A polícia ressalta que a definição da tipificação do caso dependerá da conclusão das perícias e das demais diligências, que continuam em andamento.
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