A participação de jovens na política vai além da divulgação de candidaturas nas ruas ou nas redes sociais. As novas gerações se posicionam, contribuem para estratégias eleitorais e ganham cada vez mais espaço nas tomadas de decisões.

No Distrito Federal, dos mais de 2 milhões de eleitores aptos a votar, 19.194 eleitores entre 16 e 17 anos emitiram o título de eleitor em 2026.

Para eles, o voto é facultativo. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral do DF (TRE-DF), em um ano, 26.695 novos eleitores dessa faixa etária decidiram por conta própria exercer o direito ao voto.

Entre 18 e 29 anos, são 461.933 eleitores. Já na faixa etária dos 30 aos 34 anos de idade, são 220.873 votantes. Somados, o DF tem cerca de 700 mil votantes entre 16 e 34 anos – ou seja, 35% do total.

O g1 conversou com candidatos eleitos – tanto de esquerda quanto de direita – para saber como eles enxergam o papel da juventude nas campanhas e nas candidaturas.

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Os deputados Fábio Felix (PSOL), à esquerda, e Joaquim Roriz Neto (PL), à direita, com apoiadores jovens

Para o deputado distrital Joaquim Roriz Neto (PL), de 34 anos, o jovem se interessa pela política quando se sente representado.

Para ele, a eleição dos deputados jovens de direita André Kubitschek, 33 anos, e Vitor Jansen, de 25 – ambos do PL –, são exemplos de representantes que podem inspirar a nova geração que deseja chegar ao poder.

"Eu tenho certeza que essa representatividade vai gerar interesse na política por parte da juventude e vai despertar o sentimento de querer estar ativo na política aqui no Distrito Federal", disse.

O deputado federal Fábio Felix (PSOL), hoje com 40 anos, foi eleito aos 32. Para ele, os eleitores mais novos influenciam as decisões de familiares ao apresentar candidatos e compartilhar conteúdos vistos nas redes sociais. “Essa juventude é formadora de opinião”, disse.

"A gente tem que apostar muito nela, porque ela está com sede de futuro. Ela quer acesso à educação, ao lazer, a oportunidades", declarou Fábio Felix.

Para ele, assim como para Joaquim Roriz Neto, ter pessoas que dialogam com a juventude nos espaços de poder pode mudar a realidade da política brasileira.

Em comício, Max Maciel reúne apoiadores de várias gerações

O deputado distrital reeleito Max Maciel (PSOL), de 43 anos, avalia que o engajamento político dos jovens pode ser menor do que em gerações anteriores, mas destaca que a participação continua por meio de novas formas de mobilização.

"O movimento estudantil continua sendo uma base importante para essa construção, assim como as redes sociais, que conseguem dar visibilidade e mobilizar pessoas a partir de demandas coletivas", disse.

Apesar da força das redes, ele ressalta que a mobilização digital não substitui o contato direto com a população.

"É indispensável estar nos territórios, conversar com as pessoas, ouvir diferentes perspectivas e construir coletivamente. Sem esses espaços reais de troca, existe o risco de a política ficar restrita à lógica das redes, que também pode favorecer a disseminação de fake news e de leituras individuais sobre questões que são, na verdade, coletivas", afirma Max Maciel.

André Kubitschek (PL) com apoiadores de várias idades

O deputado distrital André Kubitschek (PL), de 33 anos, chega à Câmara Legislativa para o seu primeiro mandato. Para ele, a renovação política nas bancadas é importante para o processo democrático.

"A renovação é sempre difícil no Brasil, até porque a política foi constituída de uma forma que favorece muito quem já está lá dentro. É muito difícil você quebrar essa barreira e ter efetivamente uma renovação. Eu fiquei muito feliz de poder ser uma das pessoas que conseguiu de fato quebrar essa barreira e se integrar a esse quadro no DF", disse à TV Globo.

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