A diversificação de mercados tem sido uma das estratégias do governo de tentar lidar com restrições impostas à pecuária brasileira em mercados importantes. Na China, a carne bovina brasileira passou a enfrentar uma tarifa total de 67% depois do esgotamento da cota anual de importação, em 1º de outubro. Já a União Europeia suspendeu, em 3 de setembro, a entrada de carnes brasileiras por considerar insuficientes as garantias sobre o controle do uso de antimicrobianos na produção animal.
O maior número de aberturas foi registrado em 2025, com 19 novos mercados. Em 2026, até outubro, foram 9. Outros 7 haviam sido conquistados em 2023 e 3 em 2024. A Ásia concentrou a maior parte das aberturas, com 16, incluindo autorizações para produtos brasileiros em Japão, Vietnã, Filipinas, Indonésia e Malásia. As Américas aparecem em seguida, com 11 mercados abertos, em países como México, Chile, Cuba, Guatemala e El Salvador.
Ao todo, foram autorizadas exportações de 25 tipos de produtos de carne bovina e derivados em 31 países desde 2023.
Nesta 3ª feira (13.out.2026), o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou estar “ otimista ” em relação às negociações comerciais com a China, apesar das restrições à carne bovina. Ele destacou a recente habilitação de 4 frigoríficos brasileiros pelo país asiático, sendo 2 de carne bovina e 2 de aves, além da abertura do mercado chinês para miúdos suínos.
Em relação à União Europeia, o ministro afirmou que o governo brasileiro mantém negociações constantes para reverter as restrições. O bloco sinalizou a possibilidade de retomar as compras de carne de frango e mel, mas a situação da carne bovina permanece mais complexa por causa das exigências de rastreabilidade e controle sanitário ao longo da vida dos animais.
700 MERCADOS ABERTOS
Em uma tentativa de demonstrar resultados da política comercial entre o 1º e o 2º turno das eleições presidenciais de 2026, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou na 3ª feira (13.out) a marca de 700 mercados abertos para produtos agropecuários desde 2023.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) participou da apresentação realizada na sede do Mapa, em Brasília, ao lado de André de Paula. Segundo o ministério, o número supera as 241 aberturas registradas durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), de 2019 a 2022.
As 700 aberturas abrangem 405 produtos agropecuários em 99 países ou territórios. O maior número foi registrado em 2025, com 225 novos mercados, seguido de 2024, com 222. Em 2026, até outubro, foram 175, enquanto 2023 contabilizou 78.
O material genético de bovinos e bubalinos lidera a lista de produtos com mais mercados abertos, com 48 desde 2023. A categoria compreende sêmen, embriões e outras células reprodutivas de bois, vacas e búfalos. Esses materiais são utilizados em técnicas de reprodução assistida, como inseminação artificial e transferência de embriões, para multiplicar animais com características genéticas desejáveis e melhorar a qualidade dos rebanhos.

