Foi publicado na 3ª feira (13.out.2026) decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que torna o ITMI responsável pela Rede Nacional de Hospitais e Serviços e Medicina de Alta Precisão. Houve um processo seletivo para a escolha do ITMI, uma OS (organização social). A rede havia sido anunciada em janeiro de 2025.

“ É um projeto de Estado para a saúde. Entes distintos definiram que nós precisamos modernizar a alta complexidade do SUS ”, disse Hajjar, professora da titular da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo).

O objetivo, disse Hajjar, é “ pular etapas que só servem hoje para burocratizar o sistema e diminuir a chance de o paciente sair vivo ”. Pacientes de alta complexidade terão vaga mais rapidamente. A gestão do sistema terá uso intenso de tecnologia, incluindo IA (inteligência artificial).

A médica acrescentou que é necessário eliminar desperdícios. “ Hoje, a perda é gigante. É perda de informação no papel, é passagem de caso ”, afirmou.

INSTITUTO DE EMERGÊNCIAS

A Rede Nacional de Hospitais e Serviços e Medicina de Alta Precisão incluirá um conjunto de 14 UTIs (unidades de terapia intensiva) inteligentes nas 5 regiões do país.

O ITMI construirá o Instituto de Emergências do HC (Hospital das Clínicas) da USP. Terá 800 leitos para atendimento pelo SUS, com instalações para cirurgias de alta complexidade.

O novo hospital será na área onde funciona atualmente a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo no complexo do HC. A transferência deverá se dar em breve. A demolição do prédio será em 2027. A expectativa é de que o novo hospital fique pronto em 2029.

O sistema de UTIs e o o hospital custarão R$ 1,9 bilhão. O NDB (Novo Banco de Desenvolvimento, o Banco dos Brics) dará empréstimo de R$ 1,7 bilhão ao governo federal e o Ministério da Saúde arcará com R$ 200 milhões. O governo de São Paulo será responsável pela manutenção do hospital no complexo do HC. O custo deverá ser entre R$ 500 milhões e R$ 800 milhões anuais, equivalente ao orçamento de outras unidades do HC.

O Instituto de Emergências terá atendimento de pacientes de alta complexidade que estão em outras unidades do HC ou em outros hospitais. Em alguns casos, equipes de atendimento de emergência levarão pacientes diretamente para o novo hospital.

Os pacientes ficarão no Instituto de Emergências por pouco tempo, no máximo duas semanas. Depois, terão alta ou passarão a outra unidade do HC, conforme a necessidade médica.

TEMPO MENOR DE INTERNAÇÃO

Hajjar espera que o tempo de internação total no HC diminua em 30% quando o modelo for totalmente implantado. Isso permitirá dobrar o número de atendimentos, de 100 mil pacientes por ano para 200 mil.

Terá também a função de formar profissionais. “ A ideia é que esse hospital seja um instituto de capacitação. Nós vamos formar médicos para medicina inteligente, enfermeiros, técnicos, engenheiros, fisioterapeutas. Será um hub de capacitação de treinamento para o SUS”, afirmou Hajjar.

O plano do ITMI é replicar o sistema do Instituto de Emergências em outros Estados de todas as regiões do país. Isso exigirá novas fontes de financiamento.

Hajjar avalia que não há risco de mudança de planos nos próximos anos. “ Não é um projeto político. É um projeto de mudança do SUS, uma conquista do país ”, afirmou.