Antes de ser presa na Tailândia, Mary Hellen Coelho Silva levava a vida em Pouso Alegre, no Sul de Minas. Trabalhava com carteira assinada em uma churrascaria, fazia bolos para vender e morava com a mãe e os quatro irmãos. Em fevereiro de 2022, aos 21 anos, ela foi detida em um aeroporto de Bangkok com cocaína escondida em malas. A prisão mudou o rumo da vida da jovem, que acabou condenada a 9 anos e 6 meses de prisão por tráfico internacional de drogas.
Criada em Pouso Alegre, Mary Hellen nasceu no Rio de Janeiro, em setembro de 2000. Antes de embarcar, pediu demissão do emprego e viajou para Curitiba (PR), de onde seguiu para o país asiático. Na época, segundo familiares, ninguém sabia que ela iria para a Tailândia nem que havia drogas envolvidas na viagem.
Recentemente, a advogada Kaelly Cavoli Moreira confirmou ao g1 que Mary Hellen voltou ao Brasil. Segundo a defesa, ela está recomeçando a vida ao lado da família. Durante o período em que esteve presa, a jovem perdeu a mãe e o avô. A defesa também relatou dificuldades para manter contato com a brasileira e obter informações sobre a situação dela durante a detenção.
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O que a família sabia sobre a viagem
Na época da prisão, a irmã de Mary Hellen, Mariana Coelho, contou ao g1 que não sabia que a jovem viajaria para a Tailândia. Segundo ela, Mary Hellen havia dito que iria para Curitiba, mas não explicou o motivo da viagem. Mariana chegou a imaginar que a irmã fosse encontrar um possível namorado.
Uma amiga da jovem, Angelique Sanches, contou que sabia que a amiga fumava maconha e também afirmou que aquela teria sido a primeira viagem internacional de Mary Hellen. Ela contou que conhecia o hábito da amiga de viajar pelo Brasil, mas também não sabia que ela iria para a Ásia.
Familiares e pessoas próximas disseram acreditar que Mary Hellen pudesse ter sido enganada ou induzida a participar do transporte da droga. Na época, ela tinha retomado os estudos e fazia aulas de direção em uma autoescola da cidade sul-mineira.
"Ela jamais iria para um lugar onde há pena de morte. Ela não iria arriscar tudo por isso. Se ela tivesse ciente de onde iria, ela não teria ido. E se eu soubesse, não teria deixado ela ir", afirmou Angelique na ocasião.
Além do trabalho na churrascaria, Mary Hellen fazia bolos para vender com a irmã. As duas tinham o plano de abrir uma loja para profissionalizar o negócio da família.
Mary Hellen, brasileira presa e condenada na Tailândia
Como foi a prisão na Tailândia
Mary Hellen foi presa em 14 de fevereiro de 2022, no aeroporto de Bangkok, na Tailândia. Ela chegou ao país asiático acompanhada de Ricardo de Almeida da Rosa, então com 26 anos.
Os dois foram flagrados com cerca de nove quilos de cocaína escondidos em compartimentos ocultos de três malas. Um terceiro brasileiro foi preso horas depois com outros seis quilos da droga. Ao todo, foram apreendidos cerca de 15 quilos de cocaína.
O caso ganhou repercussão no Brasil também por causa das leis rigorosas da Tailândia para crimes relacionados a drogas. Dependendo da quantidade apreendida e das circunstâncias, o tráfico pode ser punido com pena de morte no país.
Após a prisão, Mariana recebeu um áudio enviado pela irmã em que Mary Hellen pedia ajuda para tentar responder pelo crime no Brasil.
Condenação e redução da pena
Em 11 de maio de 2022, a Justiça tailandesa condenou Mary Hellen a nove anos e seis meses de prisão. Segundo informações divulgadas à época pela defesa, a pena foi dividida em dois anos por um crime civil e sete anos e seis meses por um crime penal.
Durante o período de detenção, a brasileira recebeu benefícios que reduziram a pena. Informações divulgadas anteriormente pela defesa também apontaram o perdão de uma multa de 750 mil bahts, equivalente a cerca de R$ 105 mil na cotação da época.
Em abril de 2026, a defesa relatou dificuldades para manter contato com Mary Hellen e obter informações sobre a situação dela. A advogada afirmou que as chamadas de vídeo intermediadas pela embaixada brasileira haviam sido interrompidas e criticou a assistência prestada pelo órgão.
Procurado pelo g1, o Ministério das Relações Exteriores informou que a Embaixada do Brasil em Bangkok acompanha o caso desde 2022 e prestou assistência consular à brasileira. Segundo o Itamaraty, o atendimento segue as legislações nacional e internacional. A pasta afirmou ainda que, por respeito à privacidade dos cidadãos, não divulga informações pessoais nem detalhes da assistência consular prestada.
Agora, segundo a advogada, Mary Hellen está de volta ao Brasil e tenta reconstruir a vida com a família.
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