Você já deve ter ouvido por aí os argumentos de que determinado time "gasta muito e joga pouco" ou que "pelo custo do elenco, teria obrigação de brigar por títulos".

A folha salarial dos clubes surge com frequência nos debates futebolísticos, seja para justificar resultados, questionar o custo-benefício das equipes ou simplesmente ostentar poderio econômico.

Mas, afinal, quanto cada clube da Série A do Brasileirão gasta com os salários de seus jogadores?

O ge foi em busca da resposta, mas ela não é tão simples. Tanto as associações quanto as Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) não divulgam de forma padronizada quanto gastam exclusivamente com os salários do elenco, e os números disponíveis nem sempre permitem uma comparação direta.

Quanto seu time gasta com salários do elenco?

Mesmo quando os documentos financeiros detalham os custos do futebol separadamente dos demais departamentos, não é possível cravar o valor exato da folha salarial.

O Palmeiras é um bom exemplo disso. O clube divulga balancetes mensais e informa quanto gasta com salários, encargos e direitos de imagem. Pelos dados apresentados, o departamento de futebol custa cerca de R$ 45 milhões por mês.

Dirigentes e conselheiros, porém, contestam que esse seja o valor da folha e informam um número muito menor, na casa de R$ 30 milhões. Essa divergência se dá, segundo eles, porque o balanço engloba também premiações e outras despesas que não somente os salários. Além disso, há o custo dos outros funcionários do departamento, como massagista, roupeiro, nutricionista, preparadores, auxiliares, entre outros.

Caso parecido ocorre no Bragantino. Pelo balanço de 2025, o último divulgado, o "custo do departamento de futebol profissional" foi de R$ 314 milhões, já descontando a comissão técnica. Isso dá cerca de R$ 24 milhões por mês (considerando 13º salário). Porém, de acordo com membros da direção do clube, a folha salarial é menos do que a metade, cerca de R$ 10 milhões.

Mesmo com imprecisões, é possível ter um panorama de quanto os clubes da Série A gastam com salários atualmente. Com base no cruzamento de informações apresentadas nos balanços e apuradas pela reportagem, o ge produziu o ranking das folhas salariais. Assim como acontece na classificação do Brasileirão, o Flamengo é o líder, e a Chapecoense ocupa a lanterna.

Flamento tem a maior folha salarial do futebol brasileiro

Folha salarial dos clubes da Série A:

1 - Flamengo: R$ 50 milhões/mensais

2 - Palmeiras: R$ 30 milhões

3 - Corinthians: R$ 30 milhões

Cruzeiro: R$ 30 milhões

5 - Atlético-MG: R$ 27 milhões

6 - Santos: R$ 25 milhões

7 - Bahia: R$ 22 milhões

8 -Internacional: R$ 20,5 milhões

9 - Fluminense: R$ 20 milhões

Grêmio: R$ 20 milhões

11 - São Paulo: R$ 18 milhões

12 - Vasco: R$ 16 milhões

13 - Botafogo: R$ 15 milhões

14 - Athletico-PR: R$ 14 milhões

15 - Bragantino: R$ 10 milhões

Remo: R$ 10 milhões

17 - Vitória: R$ 9 milhões

18 - Coritiba: R$ 8 milhões

19 - Mirassol: R$ 6 milhões

20 - Chapecoense: R$ 3,8 milhões

Flamengo lidera; Palmeiras cresce

O Flamengo, que gastou apenas neste ano mais de R$ 430 milhões em contratações, é o time com a maior folha salarial. As estrelas têm vencimentos parecidos. Arrascaeta, Saúl e Jorginho, por exemplo, ganham na casa dos R$ 2 milhões por mês. Pedro embolsa cerca de R$ 1 milhão, mas o valor deve aumentar consideravelmente na próxima renovação de contrato.

Arrascaeta comemora o gol do Flamengo contra o Independiente del Valle

O clube carioca tem planos de ser o primeiro a alcançar os R$ 3 bilhões de faturamento até 2030, o que pode fazer os números salariais subirem ainda mais.

Na cola do Rubro-Negro na briga pelo título do Brasileirão, o Palmeiras teve sua folha salarial impactada com a chegada de reforços de peso nos últimos anos, casos de Andreas Pereira, Vitor Roque e Paulinho - o trio custou quase R$ 400 milhões.

Especula-se que os vencimentos de Andreas sejam os mais saltos, na casa dos R$ 2,6 milhões. Paulinho e Vitor Roque aparecem logo abaixo, com aproximadamente R$ 2 milhões mensais. O clube não confirma os números.

Andreas Pereira é o líder de assistências do Palmeiras

Cruzeiro investe pesado; trio se destaca

É importante ressaltar que os números apresentados na tabela acima são aproximados. Vale lembrar que os jogadores também têm ganhos variáveis por objetivos, os famosos "bichos" após vitórias em jogos e competições.

Gerson Cruzeiro Athletico-PR

Um dos clubes que se tornaram SAF nos últimos anos, o Cruzeiro teve um aumento representativo de 72% com os gastos no futebol entre 2024 e 2025, data do último balanço divulgado. Foram mais de R$ 362 milhões destinados a salários e direitos de imagens, considerando também os encargos sobre as quantias pagas aos jogadores e funcionários.

A Raposa tem três dos salários mais altos do futebol brasileiro, todos na casa dos R$ 3,5 milhões: Matheus Pereira, Gerson e Gabigol. Porém, uma parte dos vencimentos do centroavante (cerca de R$ 1 milhão), é custeada pelo Santos, clube no qual ele joga por empréstimo até o final do ano.

Neymar é o mais bem pago

A folha salarial do Santos é puxada por Neymar, que recebe R$ 4,14 milhões e tem o maior salário do futebol brasileiro. Memphis Depay, do Corinthians, que chegou a receber cerca de R$ 6 milhões por mês, mas renovou por aproximadamente R$ 2 milhões e perdeu o posto de mais bem pago.

Neymar e Coutinho em ação durante treino do Santos no CT Rei Pelé

Em grave crise financeira e constantemente punido pela Fifa pelo atraso nos pagamentos de contratações, o Santos aumentou consideravelmente seus gastos com salários desde as chegadas de Everton Cebolinha, Rodinei, Gabigol e Philippe Coutinho. O clube atualmente sofre com transfer bans e chegou a contar com a ajuda da empresa da família Neymar para equacionar as dívidas de curto prazo.

O Peixe se defende alegando que abriu espaço na folha salarial com algumas saídas no meio do ano, como Mayke, Zé Rafael, Adonis Frias, entre outros.

Neymar assiste ao jogo do Santos em seu iate em Angra dos Reis

Qual o melhor custo-benefício?

O caso do Mirassol, por exemplo, pode ser justificado pelo sucesso do clube na temporada passada, quando conseguiu se classificar para a Conmebol Libertadores. A folha salarial do Leão subiu 50% de um ano para o outro, saltando para R$ 6 milhões, ainda assim muito abaixo de rivais da Série A. Apesar disso, o clube não consegue repetir o bom desempenho da temporada passada e briga contra o rebaixamento.

O Athletico-PR, que em 2025 disputou a Série B do Brasileiro, retornou à elite conseguindo aliar uma folha salarial baixa - é apenas a 14ª entre 20 clubes - com um bom desempenho dentro de campo. O Furacão atualmente é o terceiro colocado do Brasileirão, além de ter em seu elenco o artilheiro Viveros, com 21 gols marcados e contratado do futebol colombiano.

Disparou! Artilheiro, Viveros faz dois em goleada do Athletico-PR

Os gastos com salário não refletem necessariamente a posição na tabela, com exceção das duas pontas do levantamento feito pelo ge. O Flamengo, que mais gasta com salários lidera o Brasileirão, enquanto a Chapecoense, com o menor investimento entre os 20 clubes da Série A, ocupa a última colocação.

Internacional e Grêmio possuem gastos elevados, mas hoje correm sério risco de rebaixamento para a Série B. O Colorado é o oitavo que mais gasta com salários, enquanto o Tricolor gaúcho aparece em décimo, ambos na casa dos R$ 20 milhões.

*Organização e texto de Bruno Cassucci e Emilio Botta, contando com apuração de Ana Canhedo, Anderson Rodrigo, Danilo Sardinha, Gabrielle Gomes, Guto Marchiori, Izabela Baeta, Jéssica Maldonado, Jonathas Gabetel, Letícia Marques, Rafael Favero, Sérgio Santana, Marcello Neves, Nicksson Melo, Tomás Hammes, Thiago Ferri e Vitor Chicarolli.