Um menino de 11 anos que teve 60% do corpo queimado passou por um procedimento inédito na Santa Casa de Campo Grande. Yuri Augusto recebeu duas aplicações de pele de doadores para proteger as áreas atingidas por queimaduras graves e ajudar na recuperação. Internado há mais de dois meses, ele ainda deve passar por novas cirurgias. Veja o vídeo acima.

O acidente aconteceu em 4 de agosto de 2026. Segundo a mãe, Déborah Louveira, o menino contou que um amigo havia ateado fogo nele. Na época, Yuri foi internado em estado grave. O procedimento foi realizado pela primeira vez na Santa Casa de Campo Grande, segundo a equipe médica do hospital.

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A família levou Yuri ao hospital, onde ele chegou intubado, segundo o relato da mãe. “ O meu filho estava pegando, estava com focos de fogo, pegando fogo. Todo deformado. Totalmente diferente”, contou Déborah.

Como funciona o enxerto temporário de pele?

Yuri recebeu procidimento inédito em Campo Grande.

O procedimento realizado em Yuri é chamado de aloenxerto de pele. A técnica utiliza pele de outra pessoa, obtida por meio de um banco de tecidos e preparada para uso médico.

A pele doada é colocada sobre regiões em que as queimaduras atingiram camadas profundas e que não conseguem cicatrizar sozinhas. Segundo Renata Ferro, integrante da equipe de cirurgia plástica da Santa Casa, a cobertura funciona temporariamente, protegendo as áreas lesionadas enquanto a equipe prepara as próximas etapas do tratamento.

“São peles que vêm de um banco de tecidos, são peles de doadores, tratadas, para gente fazer essa cobertura nas áreas que não vão cicatrizar sozinhas, que são as áreas de terceiro grau. São coberturas temporárias, que podem ficar de 4 a 80 dias, depende do paciente”, explicou Renata.

O enxerto temporário ajuda a reduzir a perda de sangue e líquidos, além de diminuir a dor e o risco de infecção. O tratamento exige acompanhamento contínuo e atuação de diferentes equipes do hospital.

Menino deve passar por novas cirurgias

Após a cobertura temporária com pele de doadores, a equipe médica avalia as condições do paciente para realizar o enxerto definitivo. Nessa etapa, os médicos utilizam pele retirada do próprio corpo do paciente para cobrir as áreas lesionadas.

“A partir desse momento, se tudo se encaminhar bem, a gente vai começar a fazer um enxerto do próprio paciente, que se chama homoenxerto, para cobrir definitivamente as áreas que estão abertas”, afirmou Renata.

A recuperação depende da evolução clínica e da cicatrização, que exigem acompanhamento e tempo. Yuri continua sob os cuidados dos profissionais da Santa Casa e deve passar por outros procedimentos.

A mãe acompanha a recuperação do filho e diz estar esperançosa com a evolução do tratamento.

“Eu fiquei muito feliz de saber que ele está progredindo. Meu filho é forte, ele está lutando pela vida dele. E aqui na Santa Casa, o cirurgião acolheu muito ele e a equipe do CTI aqui também”, afirmou Déborah.

*Estagiária sob supervisão de José Câmara.

Preparação para a cirurgia de enxerto.

Santa Casa de Campo Grande