Mas o que está acontecendo para esse currículo passar despercebido?

Em entrevista ao Tribuna de Jundiaí , a Talent Acquisition e mentora de carreira Patrícia Omena explica quais são os principais erros cometidos pelos candidatos e o que pode ser feito para tornar o currículo mais estratégico.

Segundo Patrícia, um dos maiores erros é elaborar um currículo genérico. “O recrutador precisa entender rapidamente quem é aquele profissional, o que ele faz e se existe conexão com a oportunidade. Quando o currículo está confuso, tem excesso de informações, experiências muito detalhadas ou um objetivo que não tem relação com a vaga, fica mais difícil enxergar esse profissional”, afirma.

Outro erro comum, de acordo com a especialista, é listar apenas as atividades realizadas, sem apresentar os resultados alcançados. “Dizer ‘era responsável por vendas’ é muito diferente de dizer ‘aumentei as vendas em 20%’”, explica.

Para Patrícia, o currículo não precisa contar toda a história profissional do candidato. O objetivo é despertar no recrutador o interesse em conhecê-lo melhor.

O que não pode faltar no currículo?

A especialista destaca três pontos importantes na hora de elaborar um currículo — ou, como algumas pessoas chamam, um portfólio profissional:

Clareza: o recrutador precisa conseguir entender rapidamente quem é o profissional e qual é sua atuação.

Bom título profissional: um resumo objetivo da experiência e das competências, acompanhado de experiências profissionais apresentadas de maneira estratégica.

Diferencial: pode ser um resultado relevante, uma especialização, uma ferramenta que o candidato domina ou uma experiência diretamente relacionada à vaga.

Patrícia também chama atenção para um ponto fundamental: o currículo precisa conversar com a oportunidade.“Não é sobre inventar informações, mas sobre evidenciar as ressalta.

Mais do que tarefas, mostre resultados

Para se destacar em meio a tantos candidatos, Patrícia recomenda deixar de lado a descrição puramente operacional das atividades e mostrar o impacto gerado pelo trabalho.

“Eu gosto de pensar em uma lógica simples: não conte apenas o que você faz, mostre o impacto do que você fez.”

Ela usa como exemplo a área de produção de conteúdo. Em vez de escrever apenas “responsável pela criação de conteúdo para as redes sociais”, o candidato pode informar quais canais administrava, quais tipos de conteúdo produzia, quais ferramentas utilizava e, principalmente, quais resultados alcançou.

Uma descrição mais estratégica seria: “responsável pelo planejamento e produção de conteúdo para Instagram, LinkedIn e TikTok, utilizando Canva e ferramentas de edição, com crescimento de 30% no alcance e aumento de 20% no engajamento em seis meses”.

“Perceba que a segunda forma conta uma história muito mais interessante. Eu consigo entender o que essa pessoa fazia, quais ferramentas conhecia e qual impacto ela gerava”, explica.

Mesmo quando não existem números, ainda é possível apresentar entregas e resultados. Segundo Patrícia, escrever que “criou uma estratégia de conteúdo que aumentou a presença da marca no LinkedIn” é mais relevante do que simplesmente dizer que “criava posts”.

“Em uma vaga muito disputada, o candidato precisa sair do ‘eu fazia’ e chegar ao ‘eu fiz e isso gerou esse resultado’. É isso que ajuda o recrutador a enxergar valor.”

Currículo também precisa conversar com a tecnologia

Além de pensar no recrutador, o candidato precisa considerar que existe uma etapa tecnológica entre o currículo enviado e os olhos de quem faz a seleção.

“Muitas empresas utilizam sistemas rastreamento de candidatos (gupy, Inhire, Jobconvo, Abler) são alguns exemplos de plataformas ATS para organizar e fazer a triagem das candidaturas. Por isso, é importante utilizar palavras-chave relacionadas à vaga, principalmente aquelas que aparecem na própria descrição da oportunidade”, explica Patrícia.

Na prática, se uma vaga exige conhecimento em Power BI, por exemplo, não adianta substituir o termo por uma expressão genérica como “ferramentas de análise de dados”. O candidato deve utilizar a nomenclatura apresentada pela empresa, desde que realmente tenha aquela competência.

A especialista também recomenda evitar excesso de elementos gráficos, informações inseridas dentro de imagens e formatos difíceis de serem interpretados pelos sistemas de recrutamento.

Ou seja: aquele currículo extremamente visual e cheio de elementos gráficos pode não ser a melhor escolha para determinadas vagas. Mas existe um equilíbrio. “Currículo para ATS não significa currículo feito para robô. Depois da tecnologia, existe uma pessoa. Então ele precisa ser encontrado pelo sistema e, ao mesmo tempo, fazer sentido para o recrutador, porque o recrutador vai depois olhar esse perfil.”

No fim, a orientação é simples: o currículo precisa ser claro, estratégico e direcionado à vaga. Mais do que contar tudo o que o candidato já fez, ele deve mostrar o que esse profissional pode entregar para aquela oportunidade.