# Juros globais disparam pelo mundo: o que fazer agora?

- Seção: Economia
- Fonte: InfoMoney (https://www.infomoney.com.br/onde-investir/juros-globais-disparam-pelo-mundo-o-que-fazer-agora/)
- Publicado em: 2026-10-14T16:00:00.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1178037-juros-globais-disparam-pelo-mundo-o-que-fazer-agora

> Os juros dos títulos do Tesouro americano ( Treasuries ) voltaram a subir nesta quarta-feira (14), depois que a inflação ao consumidor dos Estados Unidos veio acima do esperado em setembro . Em reação, o rendimento do Treasury de 10 anos…

O movimento mexe com o bolso de quem investe em qualquer lugar do mundo. Os Treasuries são a principal referência de investimento de baixo risco do planeta. Quando o rendimento deles sobe, sobe junto o retorno que os investidores cobram para aplicar em ações, em títulos de empresas e em países emergentes como o Brasil.

A alta dos juros americanos neste ano reflete o petróleo mais caro, a economia resiliente e a forte emissão de dívida por governos e por empresas que investem em inteligência artificial (IA). A natureza do movimento faz diferença. A BlackRock separa a subida puxada pelo crescimento e pela demanda por investimentos, que considerava compatível com ativos de risco, daquela provocada por inflação persistente ou por dúvidas sobre a credibilidade dos bancos centrais, vista como mais preocupante. O dado desta quarta coloca a inflação de volta no centro dessa discussão.

A dúvida agora é se o pior já passou, e a resposta divide alguns dos maiores investidores do mundo.

Pior já passou?

Nesta semana, a BlackRock , maior gestora do mundo, abandonou a recomendação de venda de Treasuries adotada há seis anos e passou a recomendar a compra dos títulos de curto prazo. A casa avalia que o mercado exagerou nas apostas de novas altas do Fed, que até a véspera do dado de inflação somavam ao menos três em 12 meses. &#8220;Agora, os rendimentos se ajustaram em direção à nossa visão de longa data de juros mais altos, e queremos garantir uma renda atrativa&#8221;, escreveu a equipe.

Marina Valentini, estrategista de mercados globais da JPMorgan Asset , espera apenas mais uma alta, em dezembro. &#8220;Achamos que o pior já passou para a alta de juros e de yields, e na frente vemos uma moderação&#8221;, disse ao InfoMoney na semana passada.

O Deutsche Bank ia na mesma linha. Em relatório publicado na véspera do dado, o banco observava que a inflação americana vinha surpreendendo para baixo e projetava duas altas do Fed, menos do que o mercado precificava. O CPI desta quarta contrariou essa aposta.

Chance de mais turbulência

Para o bilionário Ray Dalio , fundador da Bridgewater, os EUA entraram em uma espiral em que a oferta crescente de títulos eleva os juros e obriga o governo a emitir ainda mais. Ao mesmo tempo, compradores tradicionais como China e Japão podem perder o apetite pela dívida americana. Para ele, a queda dos títulos ainda tem um longo caminho pela frente.

Entre as gestoras brasileiras, a Verde , de Luis Stuhlberger, descreve o cenário externo como mais &#8220;inóspito&#8221; em sua carta mensal mais recente. A gestora atribui a alta dos juros longos ao petróleo, ao populismo fiscal nas economias desenvolvidas, ao aperto do Fed e à demanda sem precedentes por capital para financiar a IA. Até aqui, os lucros robustos das empresas vêm segurando as bolsas. &#8220;Começamos a ver algumas rachaduras na fachada do complexo de risco global. A principal dúvida hoje é qual o nível de taxa que provocará uma maior aversão ao risco&#8221;, escreve a casa.

A história ajuda a responder essa pergunta, mas cada vez menos. Segundo a JPMorgan Asset, entre 1965 e 2008 os juros americanos costumavam subir sem derrubar as ações até o título de 10 anos chegar a cerca de 4,5%. De 2009 a meados de 2021, esse limite caiu para 3,5%. Desde então, não há um patamar claro, em parte porque as dez maiores empresas já representam 40% do S&P 500 e respondem mais ao tema da IA do que ao ritmo da economia.

Como afeta o brasileiro?

&#8220;Se o governo americano paga 5 [por cento ao ano], o governo brasileiro tem que pagar mais&#8221;, resumiu no fim de setembro João Arthur, CIO da Suno Consultoria. Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, acrescentou às vésperas do primeiro turno que o diferencial de juros ainda protege o Brasil, mas perde força quando o investidor consegue mais de 5% nos EUA com risco muito menor.

O estrategista de renda fixa Lucas Queiroz avaliava em agosto, que desde meados de 2025 quem guia os juros longos no Brasil é o cenário externo. Com o dinheiro mais caro no mundo, o Banco Central tem pouca margem para reduzir a Selic sem pressionar a curva de juros. O JPMorgan cita o exemplo da Colômbia, onde a valorização dos títulos locais depois da troca de governo durou até ser afetada pela alta dos juros nos países desenvolvidos e por frustrações fiscais.

Até aqui, o Brasil tem resistido. Para a XP, o país segue como vencedor relativo entre os emergentes, sustentado pela balança comercial forte, pelos preços favoráveis das commodities e pelo investimento estrangeiro direto. A casa pondera, porém, que a inflação global persistente e o aperto das condições financeiras nos países ricos tendem a pressionar os ativos emergentes.

O que fazer na carteira?

Exterior em qualquer perfil

Especialistas apontam que o investimento no exterior deve fazer parte da carteira, qualquer que seja o perfil. A XP recomenda ao menos 15% do patrimônio em dólar, divididos entre renda fixa e ações, com cerca de metade em cada. Para Valentini, da JPMorgan Asset, há espaço para o brasileiro reduzir a concentração em ativos locais. A própria Verde, mesmo cautelosa com o exterior, manteve sua alocação global e segue com ouro e prata na carteira como proteção.

Na renda fixa americana, a preferência é por prazos curtos e intermediários. A BlackRock passou a recomendar os Treasuries de curto prazo, e Valentini prefere vencimentos de cerca de cinco anos, menos expostos às contas públicas americanas e ao petróleo. A XP prefere ativos de maior qualidade de crédito na renda fixa internacional. Nas ações, o alerta é para a concentração em poucas empresas de tecnologia. A BlackRock rebaixou as ações americanas para neutro, citando a volatilidade ligada à IA, e a JPMorgan Asset recomenda diversificar com bancos de países desenvolvidos, indústrias ligadas a data centers e energia.

O objetivo do dinheiro lá fora, porém, é proteção, e não ganhar do CDI. No fim de setembro, com o Treasury de 10 anos a 4,95%, Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, calculou que o título renderia cerca de 2,2% líquidos em 12 meses para o investidor brasileiro se o dólar ficasse parado. Pela mesma conta, a moeda precisaria subir perto de 10% para empatar com a renda fixa local.

A queda recente do dólar abriu uma janela mais barata para a diversificação, mas a moeda pode cair ainda mais. O Goldman Sachs passou a projetar o dólar em R$ 4,70 em três meses, caso se confirmem as expectativas de ajuste fiscal. Por isso, a orientação é investir lá fora de forma gradual, sem tentar acertar o melhor momento. &#8220;A nossa leitura é não tentar extrapolar o que está acontecendo no curto prazo para o plano de longo prazo&#8221;, diz Valentini.

Eleições ainda reinam no curto prazo

No Brasil, o curto prazo ainda depende da eleição, e a recomendação é não transformar a carteira em aposta. Em seu relatório de outubro, a XP aumentou de forma moderada o risco das carteiras. A casa reduziu os pós-fixados, que acompanham o CDI, e ampliou os prefixados e, nas carteiras moderada e sofisticada, as ações brasileiras, sem abrir mão da diversificação. Para quem quiser surfar o cenário eleitoral, a Privatto Multi Family Office sugere limitar a aposta a 3% da carteira para conservadores, 5% para moderados e 7% para arrojados, de preferência em ETFs que replicam o Ibovespa.

Na renda fixa, o JPMorgan prefere prefixados de prazo intermediário, por esperar cortes graduais da Selic. Guilherme Almeida, head de renda fixa da Suno Research, é mais cauteloso e recomenda uma parcela menor nesses títulos, com prazos mais curtos. Para quem prefere esperar o resultado das urnas, especialistas indicam o Tesouro Selic , que protege a carteira da volatilidade.

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