O Netskope Threat Labs registrou 1.236 eventos de detecção no terceiro trimestre de 2026, quatro vezes o volume do mesmo período de 2025. O levantamento aponta a expansão das capacidades do malware e a permanência da ameaça após o vazamento de ferramentas usadas para criá-lo.

O malware XWorm expandiu suas capacidades e agora opera como uma verdadeira plataforma de espionagem digital. Imagem: ozrimoz/Shutterstock

Como o XWorm espiona as vítimas

O malware reúne diferentes recursos de monitoramento em um único programa. Desde julho de 2025, pesquisadores identificaram quatro versões em circulação: V6.4, V6.5, V7.2 e V7.4. O número de plugins associados à ferramenta também cresceu, passando de 35 para 46.

Entre as funções identificadas pela Netskope estão:

Captação de áudio: o módulo Microphone transmite o som captado pelo dispositivo enquanto a sessão de monitoramento permanece ativa.

Rastreamento de localização: o Maps obtém coordenadas por GPS e recorre à localização aproximada pelo endereço IP quando necessário.

Captura de tela e webcam: o operador pode acompanhar a atividade visual do dispositivo e solicitar imagens da câmera.

Controle remoto: o invasor consegue enviar comandos ao navegador ativo, incluindo cliques, movimentos do cursor e digitação.

Essas funções podem operar sem avisos visíveis à vítima. No caso da localização, o malware altera uma configuração do Windows para obter acesso às coordenadas sem exibir a solicitação de autorização normalmente apresentada ao usuário.

Contas conectadas também ficam vulneráveis

O módulo HBrowser amplia o risco ao permitir que o criminoso interaja diretamente com o navegador da vítima. O operador acompanha a tela e executa ações nas páginas abertas, como se estivesse usando o computador remotamente.

Na prática, isso pode dar acesso a serviços nos quais a vítima já está autenticada, sem que o invasor precise descobrir a senha ou iniciar uma nova sessão. O mecanismo também pode evitar uma nova solicitação de autenticação multifator (MFA), que acrescenta uma confirmação à senha. O alcance desse acesso depende, porém, das proteções aplicadas a cada serviço.

A disseminação do XWorm ganhou força em 2025, após o vazamento de ferramentas de desenvolvimento do malware. Uma versão adulterada do construtor foi publicada em junho daquele ano; em agosto, o código-fonte modificado da versão 6.4 também vazou. Segundo a Netskope, as detecções cresceram após essas divulgações e permaneceram acima dos níveis anteriores.

Monitore a atividade de suas contas digitais regularmente para identificar acessos não autorizados a tempo. Imagem: Gorodenkoff/ Shutterstock

Brasil está entre os países com mais detecções

Além do Brasil, Índia, Itália, Panamá e Estados Unidos estão entre os países com maior concentração de atividade do XWorm. Os serviços financeiros representam aproximadamente 35% das organizações clientes afetadas.

Somente em setembro de 2026, foram registrados 601 eventos de detecção. O número corresponde a quase metade do total trimestral e mostra que o malware continuava ativo no período analisado.

Quem suspeitar de uma infecção deve verificar suas contas por meio de outro dispositivo confiável e investigar o computador comprometido para identificar e remover o programa. Enquanto o XWorm permanecer instalado, os criminosos poderão continuar monitorando o ambiente e usando sessões abertas no navegador.

O post Conheça o XWorm, o malware que espiona áudio e localiza vítimas apareceu primeiro em Olhar Digital .