Um cavalo morreu após uma cavalgada realizada no último domingo (11), em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio. O caso gerou comoção nas redes sociais e levantou questionamentos sobre as condições oferecidas aos animais durante esse tipo de evento.
Segundo o proprietário, o cavalo passou mal durante a cavalgada. Ele afirma que pediu ajuda à organização e esperou por mais de duas horas e meia enquanto o animal apresentava sinais de sofrimento. Ainda de acordo com o relato, não havia veterinário no local.
O proprietário contou que não conhecia profissionais que pudessem socorrer o animal na região e que, por ser domingo, teve dificuldades para conseguir ajuda. O cavalo foi levado para a propriedade do dono, mas morreu durante a madrugada seguinte.
O organizador da cavalgada, conhecido como Júlio do Cavalo, afirmou que o animal sofreu um mal súbito que, segundo ele, teria sido provocado por uma cólica.
Ele disse que um veículo da Subsecretaria de Bem-Estar Animal (Subea) acompanhava o evento, mas que os veterinários não estavam presentes no momento em que o cavalo passou mal.
Ainda segundo o organizador, ao retornar da cavalgada e chegar a Duas Pedras, ele exigiu que o animal fosse colocado na carretinha da Subea para receber atendimento. Júlio afirmou também que se dispôs a pagar as despesas do tratamento.
O organizador disse que realiza cavalgadas há 32 anos e atribuiu ao proprietário a responsabilidade pelos cuidados com o animal, enquanto a fiscalização caberia ao órgão municipal.
Caso levanta debate sobre condições dos animais
Além das circunstâncias da morte, o episódio reacendeu a discussão sobre o esforço físico exigido dos cavalos durante as cavalgadas.
Em Nova Friburgo, o percurso citado sai de Conselheiro Paulino, segue até o Paissandu e depois retorna. A participação nesse tipo de evento exige atenção às condições físicas dos animais, ao tempo de deslocamento, ao descanso e à disponibilidade de água e atendimento veterinário.
O deslocamento sobre o asfalto pode aumentar o impacto sobre os cascos e as articulações, dependendo das condições do animal e do percurso. Por isso, a avaliação veterinária é importante para verificar se o cavalo está apto a participar e identificar possíveis riscos à saúde.
Para a advogada Elisângela Rodrigues, especialista em Direito Animalista e membro da Associação Nacional de Advogados Animalistas (ANAA), o esforço excessivo, a desidratação e as altas temperaturas podem provocar um colapso nos animais.
A especialista também destaca que a organização de uma cavalgada deve garantir avaliação prévia dos animais, acompanhamento veterinário, água, sombra, descanso e atendimento de emergência. Segundo ela, possíveis falhas na organização ou omissões na fiscalização precisam ser apuradas.
A causa da morte do cavalo, no entanto, não foi confirmada por laudo veterinário até o momento.
O g1 procurou a Subsecretaria de Bem-Estar Animal para esclarecer qual era a estrutura prevista para atender os animais em caso de emergência durante a cavalgada, se havia acompanhamento veterinário e quais providências foram tomadas depois que o cavalo passou mal.
Também foram solicitadas informações sobre a fiscalização das condições dos animais durante o evento. Não houve retorno até a publicação desta reportagem.
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