Segundo Buchianeri, Janones excluiu 499 das 1.372 mensagens publicadas no canal, o equivalente a mais de um terço do conteúdo. A advogada afirmou que as publicações apagadas haviam sido encaminhadas 116 mil vezes antes da exclusão.
"Na verdade, a área técnica não disse que não tem [fake news]. Disse que não identificou. Ela disse que não achou. E ela não achou por um motivo muito simples: o Janones apagou um terço das mensagens que ele colocou naquele grupo", declarou.
Em entrevista ao Estúdio i logo em seguida, Janones negou ter postado fake news no canal e diz que vai processar a advogada por calúnia.
Dep. André Janones (REDE - MG)
Mario Agra / Câmara dos Deputados
Buchianeri disse que a campanha de Flávio Bolsonaro pediu que a ação de investigação judicial eleitoral (Aije) contra o canal tramitasse inicialmente sob sigilo, para permitir a preservação das mensagens antes que os responsáveis fossem notificados.
De acordo com a advogada, a intenção era que a Justiça determinasse à Meta a conservação de todo o material publicado no canal. O pedido, no entanto, não foi acolhido.
"O ministro corregedor não determinou a conservação do material e tirou o sigilo. Então, quando isso foi parar na unidade técnica, não surpreendeu absolutamente ninguém que aquilo não fosse encontrado", afirmou.
Monitoramento em tempo real
A advogada afirmou que a equipe de Flávio Bolsonaro instalou um programa para registrar as publicações do canal em tempo real, incluindo conteúdos posteriormente excluídos, e disse que o material já foi apresentado ao TSE.
"A gente está espelhando em tempo real o canal do Janones. Nós temos a grande maioria das mensagens que ele apagou", disse.
Questionada sobre exemplos das supostas notícias falsas, a advogada citou publicações que acusariam ministros de receber propina e conteúdos relacionados à padroeira do Brasil.
Buchianeri também acusou Janones de orientar integrantes do canal a compartilhar mensagens rapidamente, antes que fossem excluídas, e a adotar estratégias para evitar mecanismos de controle das plataformas.
A advogada afirmou ainda que o deputado orientava os participantes a copiar e colar conteúdos, em vez de encaminhá-los diretamente, e a compartilhar vídeos sem assisti-los, como forma de ampliar o engajamento.
A análise técnica do TSE, contudo, não identificou conteúdos apontados como irregulares.
Exclusão de mensagens proibidas
Durante a entrevista, Buchianeri afirmou que a campanha de Flávio Bolsonaro pode concordar com o restabelecimento do "Exército do Lula", sem a necessidade de aguardar o prazo de 48 horas após o registro do canal no TSE, diante das medidas determinadas pela Justiça Eleitoral.
Segundo a advogada, entre as medidas estão o monitoramento do canal e a proibição de apagar novas publicações, sob risco de derrubada do espaço.
"Agente pode concordar com o restabelecimento desse Exército do Lula, sem precisar cumprir a carência de 48 horas, porque agora, sim, o canal está no eixo", afirmou.
Buchianeri também criticou o que considera uma falha na regulamentação do TSE sobre o uso de aplicativos de mensagens durante as eleições. Para ela, as restrições impostas aos grupos de WhatsApp não acompanharam o surgimento dos canais, que permitem alcançar públicos maiores.
