# "Dorme ganhando R$ 2 mil e acorda ganhando R$ 150 mil": Dudu dá palestra sobre finanças à base do Figueirense

- Seção: Esporte
- Fonte: ge (https://ge.globo.com/sc/futebol/times/figueirense/noticia/2026/10/14/dorme-ganhando-r-2-mil-e-acorda-ganhando-r-150-mil-dudu-da-palestra-sobre-financas-a-base-do-figueirense.ghtml)
- Publicado em: 2026-10-14T18:06:28.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1179849-dorme-ganhando-r-2-mil-e-acorda-ganhando-r-150-mil-dudu-da-palestra-sobre

> Dudu do Figueirense é apaixonado por gestão financeira

Aos 27 anos, Dudu divide a rotina de jogador profissional com uma atividade fora das quatro linhas. Um dos destaques do Figueirense na temporada, o meia também atua no mercado financeiro e tem utilizado a própria experiência para orientar outros atletas sobre investimentos e planejamento para o futuro.

Recentemente, ele foi convidado a compartilhar esse conhecimento com jogadores do sub-17 do clube, em uma palestra sobre educação financeira e os riscos de uma carreira marcada pela imprevisibilidade.

— Falar sobre dinheiro é um tabu, não só no futebol. É um assunto difícil de abordar com qualquer pessoa. Existe um receio, uma resistência, e desconstruir isso ainda é complicado. Mas vejo que, principalmente no vestiário e no ambiente do futebol, isso tem mudado cada vez mais, até porque hoje temos acesso a muita informação — contou Dudu, em entrevista ao ge.

Dudu dá palestra para categoria Sub-17 do Figueirense

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O meia, que fez base e foi profissionalizado no Vasco, vive sua segunda passagem pelo Figueirense. A primeira aconteceu em 2020, quando chegou por empréstimo do Vasco para disputar a Série B. Na ocasião, fez 20 jogos e marcou quatro gols, mas não conseguiu evitar o rebaixamento do clube. Depois, passou por CRB, Gloria Buzău, da Romênia, Shkupi 1927, da Macedônia do Norte, e Hapoel Tel Aviv, de Israel.

Foi justamente no futebol israelense que sofreu a lesão mais grave da carreira, com o rompimento do ligamento cruzado anterior do joelho direito, em outubro de 2024. Operado em dezembro daquele ano, precisou de oito meses de recuperação.

O retorno ao Figueirense também foi marcado por cuidados físicos. Dudu disputou o Campeonato Catarinense com controle de carga e iniciou a Série C, mas sofreu uma lesão muscular na 4ª rodada. Voltou um mês depois, na 9ª rodada, e contribuiu na reta final da competição.

Dudu em treino do Figueirense na pré-temporada 2026

Nesta temporada, soma 23 jogos, sendo 12 como titular, e quatro assistências. Recentemente, sofreu uma pancada na panturrilha durante um treinamento, na véspera do confronto com o Metropolitano, pela 5ª rodada da Copa Santa Catarina. O meia segue no departamento médico, com expectativa de retorno em duas a três semanas.

— Existem questões como salários atrasados, lesões e até momentos em que você sai de um jogo depois de atuar mal e não quer conversar com ninguém. São características que só quem está dentro do futebol realmente entende. Acredito que existem poucas profissões com uma realidade em que você dorme ganhando R$ 2 mil e acorda ganhando R$ 150 mil. Quando não tem educação financeira nem conhecimento, você fica sem saber o que fazer — explicou.

Palestra para os jovens do Figueirense

Dudu, Anderson Conceição e Renan Areias em palestra para o Sub-17 do Figueirense

O convite para conversar com os atletas do sub-17 partiu do zagueiro e capitão Anderson Conceição, conhecido como Capita, e do volante Renan Areias, que também desenvolve um trabalho de mentoria com jogadores. A proposta foi apresentar aos jovens a importância de administrar os primeiros salários e evitar decisões financeiras que possam comprometer o futuro.

— Foi muito legal ter conversado com os meninos. Acredito que tenha sido uma experiência muito boa para eles e para mim também. Foi a primeira vez que dei uma palestra para atletas mais novos, com 40 ou 50 pessoas na sala. Busquei apresentar muitos exemplos e colocar números na tela, porque não poderia ser uma palestra muito técnica. Se eu começasse a falar sobre fundos de investimento, por exemplo, provavelmente não conseguiria prender a atenção deles.

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Durante a palestra aos jovens do Figueirense, Dudu também compartilhou uma situação vivida por um amigo com quem atuou nas categorias de base do Vasco. Segundo o meia, o jogador começou a ganhar salários elevados ainda jovem, mas comprometeu parte da renda com a compra de um carro e o financiamento de um imóvel. Aos 24 anos, acabou enfrentando sérios problemas financeiros.

— Praticamente subimos juntos para o profissional do Vasco. Na simulação que fiz, se tivesse começado a investir desde o início, hoje, com 25 ou 26 anos, poderia ter mais de R$ 1 milhão na conta e uma certa segurança financeira. Mas precisou praticamente recomeçar do zero — relatou.

De jogador a sócio de empresa de investimentos

Dudu é sócio de uma empresa que gerencia patrimônios, mas não pendurou as chuteiras

A relação de Dudu com o mercado financeiro começou ainda nas categorias de base do Vasco. Atualmente, o jogador é sócio da AZ Guidance, empresa especializada em gestão de patrimônios, e possui certificações profissionais ligadas ao setor financeiro, pela ANBIMA e pela ANCORD.

— Eu tive a sorte de virar a chave cedo, em comparação com outros amigos e companheiros de clube. Lembro que tinha mais ou menos 18 anos, estava subindo da base para o profissional do Vasco e comecei a ganhar um dinheiro um pouco melhor. Meu pai me levou a uma reunião com a gerente do banco. Ela ficou falando durante uma hora sobre CDB, renda fixa, e eu não entendi nada. Mas foi ali que a minha chave virou — relembrou.

Dudu (ao centro) ao lado de Robinho e Rafael França, crias da base do Vasco, em um evento em 2017

A partir daquele encontro, Dudu começou a buscar informações por conta própria. O interesse inicial se transformou em estudos mais aprofundados e, posteriormente, na oportunidade de ingressar como sócio da empresa há dois anos e meio. Antes de aceitar o convite, passou cerca de seis meses discutindo os detalhes da parceria para garantir que a atividade não prejudicasse a carreira como jogador.

— Agora, no Figueirense, os atletas já sabem que trabalho com o mercado financeiro. Alguns vêm perguntar: "O que você acha que eu devo fazer? Tenho um assessor, um gerente que cuida do meu dinheiro. Você acha que esse investimento vale a pena?". Com os jogadores mais velhos e experientes, o assunto dinheiro já é mais natural. Falar sobre investimentos, negócios e pós-carreira faz parte da rotina deles, muito mais do que acontece com os atletas mais novos — contou.

Dudu - Santa Catarina x Figueirense

Dudu ainda não tem planos definidos para quando pendurar as chuteiras. O meia reconhece que os anos dedicados ao futebol exigem sacrifícios pessoais e, por isso, considera a possibilidade de seguir exclusivamente no mercado financeiro após a aposentadoria.

— Desde que comecei nesse mundo das finanças, as coisas aconteceram muito bem para mim. Lembro que comecei a estudar quando estava na Macedônia e foi o meu melhor semestre em relação a gols e assistências. Mas sou completamente apaixonado por futebol. É isso que quero fazer agora. Ainda tenho muita lenha para queimar como jogador.

— Com a cabeça que tenho hoje, realmente não gostaria de continuar (após aposentadoria dos gramados) na rotina do futebol, porque a gente já passa muito tempo longe da família e precisa abrir mão de muitas coisas. Mas essa é a minha cabeça hoje. Pode ser que amanhã eu mude de ideia e queira continuar. Agora, em relação ao mercado financeiro, à gestão do patrimônio de outros atletas e à possibilidade de ajudar outras famílias, isso eu quero fazer enquanto tiver energia. É um propósito de vida — finalizou.

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Reportagem completa: https://ge.globo.com/sc/futebol/times/figueirense/noticia/2026/10/14/dorme-ganhando-r-2-mil-e-acorda-ganhando-r-150-mil-dudu-da-palestra-sobre-financas-a-base-do-figueirense.ghtml

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