Segundo os analistas, a ação se tornou uma das principais apostas para investidores interessados em teses de recuperação, especialmente em um ambiente de juros menores. O Citi reconhece que a companhia possui características que favorecem esse posicionamento, como alavancagem elevada e potencial benefício financeiro decorrente da queda dos juros e dos spreads de crédito.
Na avaliação do banco, dois fatores explicam o interesse recente do mercado pela empresa. O primeiro é a possibilidade de uma transferência de valor dos credores para os acionistas, uma vez que a dívida representa cerca de 65% do valor total da companhia. O segundo é o alívio potencial nos lucros por ação caso o cenário de juros se torne mais benigno nos próximos anos.
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Apesar disso, o Citi afirma que os principais desafios operacionais permanecem presentes e que ainda não há sinais claros de uma inflexão estrutural do negócio.
Terceiro trimestre deve seguir pressionado
Para o Citi, os resultados do terceiro trimestre devem mostrar um cenário muito semelhante ao visto no segundo trimestre, com algumas pressões adicionais decorrentes da reestruturação da base de clientes.
O banco destaca que a companhia iniciou uma revisão de aproximadamente 1 milhão de beneficiários considerados pouco rentáveis, movimento que tende a afetar temporariamente a receita e gerar custos de desligamento no curto prazo.
Com isso, a projeção é de perda líquida de 91 mil vidas no trimestre e crescimento de receita desacelerando para 2,6% na comparação anual.
Além disso, o Citi espera aumento da utilização dos planos de saúde e maiores despesas relacionadas ao processo de reestruturação, fatores que devem pressionar a sinistralidade. A expectativa é de alta de 80 pontos-base no índice de sinistralidade médica (MLR) frente ao trimestre anterior.
O resultado seria uma compressão da margem Ebitda ajustada para aproximadamente 5,9%, mantendo os lucros normalizados em terreno negativo.
O banco também projeta consumo recorrente de caixa livre ao acionista de cerca de R$ 100 milhões no trimestre.
Recompra de debêntures ajudará resultado contábil
Um dos poucos elementos positivos de curto prazo apontados pelo Citi é a recompra de debêntures realizada pela companhia.
A Hapvida recomprou aproximadamente R$ 250 milhões em debêntures com desconto de 23%, operação que deve gerar um ganho contábil relevante nos resultados reportados.
O banco, porém, ressalta que esse efeito é não recorrente e, por isso, não o incorpora em suas estimativas operacionais.
Ao atualizar seu modelo antes da divulgação dos resultados, o Citi reduziu as projeções de lucro da companhia em 5% para 2026 e em 12% para 2027. Segundo os analistas, o ajuste reflete expectativas mais conservadoras para crescimento de receita e margens.
Mesmo com a redução do preço-alvo, o banco observa que parte da tese de investimento continua ligada à possibilidade de um ambiente macroeconômico mais favorável. A queda dos juros e uma eventual melhora nas condições de crédito podem favorecer empresas altamente alavancadas, como a Hapvida.
Mercado aposta em recuperação antes dos fundamentos
A principal conclusão do Citi é que o desempenho recente da ação parece estar mais relacionado a expectativas macroeconômicas do que a uma melhora já observada nas operações.
O banco reconhece que o papel se encaixa no perfil de empresa pouco posicionada pelos investidores, com elevada alavancagem e potencial de se beneficiar rapidamente de um cenário de juros menores. No entanto, afirma que a visibilidade operacional permanece limitada.
Por isso, a instituição mantém uma postura cautelosa. Na visão do Citi, uma melhora mais consistente na ação dependerá de sinais concretos de recuperação operacional, redução do consumo de caixa e evolução do plano de venda de ativos.
Enquanto esses elementos não aparecem de forma clara nos resultados, o banco entende que a tese da Hapvida continua baseada principalmente na expectativa de melhora do ambiente macroeconômico e não em uma virada já comprovada dos fundamentos da companhia.
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