A Netflix demite cerca de 1.000 funcionários, equivalente a 6% da sua força de trabalho global, principalmente das equipes de produto, tecnologia, jurídico e RH.

A empresa justifica as demissões como parte de uma estratégia para concentrar recursos em áreas com maior potencial de crescimento e investimento em áreas de alto impacto.

A Netflix registrou receita de US$ 12,56 bilhões e lucro líquido de US$ 3,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, mas enfrenta desafios em diversificar fontes de receita e aumentar o engajamento dos usuários.

A Netflix iniciou uma rodada de demissões que deve atingir 6% da força de trabalho global da empresa, o equivalente a cerca de 1.000 funcionários. O corte é o maior realizado pela empresa desde 2022, quando dispensou cerca de 450 profissionais .

Os co-CEOs Ted Sarandos e Greg Peters comunicaram a decisão aos trabalhadores através de um memorando enviado por e-mail nesta quarta-feira (14/10). A mensagem justifica a decisão como parte de uma estratégia para concentrar recursos nas áreas com maior potencial de crescimento.

“Continuaremos a investir agressivamente em áreas de alto impacto para melhorar nosso serviço e impulsionar ainda mais o crescimento e a inovação”, diz um trecho do e-mail, visualizado pela Variety . As demissões atingirão principalmente as equipes de desenvolvimento de produto, tecnologia, departamento jurídico e recursos humanos.

Netflix tenta diversificar fontes de receita

Empresa é pressionada para aumentar fontes de receita além da publicidade (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Apesar dos cortes e da queda nas ações, a empresa registrou uma receita de US$ 12,56 bilhões (cerca de R$ 63,6 bilhões) e lucro líquido de US$ 3,4 bilhões (R$ 17,1 bilhões) apenas no segundo trimestre de 2026. A previsão da empresa é faturar cerca de US$ 51 bilhões neste ano, o que representaria um crescimento de 13% em relação ao ano passado.

Além da receita maior, a empresa também registrou alta nas horas de visualização na plataforma no primeiro semestre: 2% maior em relação ao mesmo período do ano passado. O problema estaria, portanto, na capacidade da empresa em crescer e transformar a audiência em novas receitas.

Para Ross Benes, analista sênior da consultoria eMarketer ouvido pela Reuters , a Netflix ainda não conseguiu estabelecer uma segunda fonte de receita com dimensão semelhante à das assinaturas. “Eles precisarão de outra fonte de renda para diversificar, e é aí que tem sido mais uma luta.”

Vale lembrar que a Netflix deu o ponta-pé inicial dos anúncios entre os streamings, em 2022, nessa busca por uma fonte alternativa de receita. São mais de 250 milhões de assinantes ativos no plano que inclui publicidade, que custa R$ 20,90 no Brasil. A previsão é que a receita dessa área atinja US$ 3 bilhões (R$ 15,1 bilhões) em 2026.

Streamings e TikTok ameaçam engajamento

Concorrência parte de streamings tradicionais e redes sociais (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Um dos principais pontos de atenção é o engajamento, isto é, o tempo que o público dedica ao conteúdo da plataforma.

O serviço tem sido pressionado tanto pelos concorrentes diretos — os streamings de grandes conglomerados de mídia, como o Disney+ e HBO Max —, quanto por plataformas de vídeo como YouTube e Tiktok, em que os próprios usuários produzem vídeos gratuitos e já começam a popularizar novos formatos, como as séries verticais.

Outro episódio que alimentou questionamento sobre os próximos passos da empresa foi a tentativa de comprar os estúdios da Warner Bros. Discovery . Em fevereiro, a Netflix decidiu sair do negócio após uma proposta superior da Skydance .

As ações da empresa acumulavam queda de aproximadamente 25% em 2026 até esta quarta-feira, segundo a Reuters , apesar de terem registrado uma leve alta após o anúncio das demissões.

Netflix demite 1.000 funcionários em maior corte desde 2022