A Rússia está próxima de concluir a construção de uma nova base militar próxima à fronteira com a Ucrânia e que será estratégica para o lançamento de drones de propulsão a jato contra o país vizinho, segundo especialistas em defesa ouvidos pela agência de notícias Reuters e uma análise de imagens de satélite.

A construção da base ocorreu de forma acelerada, em apenas seis semanas, e representa a mais recente expansão da capacidade de ataque russa nas proximidades da Ucrânia, segundo a Reuters.

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O local, que até o final de agosto era um terreno vazio na região de Rostov, no sudoeste da Rússia, se transformou em um complexo militar com área equivalente a cerca de 126 campos de futebol, segundo imagens de satélite fornecidas à Reuters pela Planet Labs e pela Airbus. Veja no vídeo acima.

A construção coincide com um aumento no uso de drones de ataque russos movidos a jato contra a Ucrânia, que enfrenta dificuldades para interceptar essas armas mais rápidas, capazes de atingir velocidades de até 600 km/h.

Com a guerra em grande escala já em seu quinto ano, Kiev espera que a Rússia intensifique ainda mais os ataques com drones a jato e mísseis nos próximos meses, durante o inverno europeu.

A nova instalação russa teria capacidade para lançar os modelos Geran-4 e Geran-5, os mais novos tipos de drones russos movidos a jato, disse à Reuters o diretor-executivo da empresa de inteligência DroneSec, Mike Monnik, com base nas imagens de satélite.

Imagens de satélite mostram antes e depois de construção de base militar russa em Millerovo, em Rostov, no oeste da Rússia, entre agosto e outubro de 2026.

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Segundo Monnik, a parte oeste da instalação apresenta oito plataformas com trilhos de lançamento capazes de disparar esses drones. A nova estrutura se soma a uma rede russa já existente de pelo menos 11 locais fixos de lançamento usados em ataques com drones contra a Ucrânia.

“A velocidade da construção (...) demonstra a facilidade com que a Rússia pode empregar rapidamente capacidades ofensivas já consolidadas”, disse Monnik.

Segundo o especialista, a instalação parece estar muito perto de ser concluída, e sua entrada em operação plena deve ocorrer “provavelmente em questão de semanas, se não antes”.

Um desafio para a Otan

A construção da instalação ocorre em meio à deterioração das relações entre a Rússia e a aliança militar da Otan.

Governos europeus acusam Moscou de intensificar uma campanha de sabotagem, incursões de drones e ataques cibernéticos contra seus países. No mês passado, a Rússia alertou que poderia usar armas nucleares caso a Otan tentasse isolar seu enclave de Kaliningrado.

Monnik afirmou que a combinação entre a produção industrial de drones a jato, a crescente sofisticação dessas armas e a relativa falta de sistemas abrangentes de defesa contra drones em muitos países da Otan representa um desafio para o Ocidente.

Imagem de satélite mostra base militar russa construída em Millerovo, em Rostov, no oeste da Rússia, em 11 de outubro de 2026.

Planet Labs PBC/Handout via REUTERS

“Essa capacidade de mobilizar rapidamente meios para realizar ataques em larga escala usando sistemas aéreos não tripulados (UAS, na sigla em inglês) representa uma vulnerabilidade estratégica para os países da Otan”, afirmou.

Segundo Monnik, a nova instalação russa pode ter capacidade para lançar ao menos 100 drones a jato em um período de 24 horas, embora a Rússia normalmente dispare essas aeronaves em pequenos grupos ao longo do dia. A capacidade efetiva também dependeria de fatores como a disponibilidade de suprimentos e os objetivos da operação.

Rob Jordan, diretor de programas do centro de estudos de defesa RUSI, afirmou à Reuters que as plataformas de concreto e dois possíveis trilhos de decolagem visíveis nas imagens parecem compatíveis com as pistas de lançamento dos drones russos Geran.

“Esse nível de construção em um período tão curto é impressionante”, disse. “Isso demonstra a confiança relativamente grande que a Rússia deposita em sua capacidade de realizar ataques de longo alcance contra alvos em profundidade no território inimigo — possivelmente em detrimento de suas forças terrestres convencionais.”

Uso de drones a jato dispara

Analistas militares afirmam que a Rússia redirecionou sua capacidade de produção de drones para modelos movidos a jato, enquanto a Ucrânia enfrenta dificuldades para combatê-los.

A Rússia aumentou em aproximadamente seis vezes o uso de drones a jato ao longo de três meses neste verão, segundo dados militares ucranianos divulgados pela Reuters no mês passado. Kiev e a região ao redor da capital foram os alvos mais frequentes, de acordo com os dados.

Os drones a jato representam um problema porque são rápidos demais para os drones interceptadores desenvolvidos pela Ucrânia, projetados para abater a baixo custo seus antecessores, mais lentos e equipados com motores a pistão. Kiev agora corre para encontrar uma solução.

Imagens aéreas da nova instalação feitas em 31 de agosto mostravam alguns veículos em um terreno, mas nenhum sinal de obras. Imagens registradas na manhã seguinte mostravam que os trabalhos já haviam começado.

A instalação ocupa uma área de aproximadamente 0,9 quilômetro quadrado e fica a cerca de 3,5 quilômetros da base aérea russa de Millerovo, onde está sediado o 31º Regimento de Aviação de Caça da Guarda.

Segundo a DroneSec, o novo local de lançamento provavelmente está dentro do perímetro de proteção antiaérea proporcionado pelos sistemas instalados na base aérea, o que dificulta eventuais tentativas ucranianas de atacar a nova estrutura.

Uma análise da Reuters mostrou que duas das oito plataformas de lançamento já contavam com trilhos instalados. Trilhos também estavam sendo construídos em outras duas plataformas, enquanto novas obras eram visíveis do espaço ao longo de três dias nesta semana.

Esta reportagem está em atualização.