“Temos um plano que beneficiaria mais ou menos 50% dos presos que há em El Salvador, que colaboraram com gangues, com uma libertação antecipada”, declarou Bukele. “Se a pessoa colaborou, por exemplo, avisando que a polícia estava chegando, ela é culpada –mas qual é o grau dessa culpa?” , acrescentou, sem dar mais detalhes a respeito do “plano” .

O sistema salvadorenho de combate a criminosos, o “modelo Bukele” , é frequentemente usado como exemplo pela direita brasileira e já foi elogiado pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em agosto deste ano, Flávio afirmou ter se “inspirado” em El Salvador para elaborar o programa de segurança pública de seu eventual governo.

Já na última 3ª feira (13.out), o candidato do PL declarou que o modelo salvadorenho é insuficiente para o Brasil, prometendo adotar medidas mais duras contra criminosos. Flávio afirmou que pretende criar mais de 500 mil vagas em presídios e defendeu a castração de condenados por crimes sexuais.

O “modelo Bukele” é conhecido pelo encarceramento em massa e pela adoção de medidas excepcionais no combate às gangues. Desde março de 2022, El Salvador está sob estado de exceção, renovado sucessivamente, que suspende garantias constitucionais e permite prisões sem ordem judicial. Até agosto de 2025, o regime havia sido prorrogado 41 vezes.

A política, porém, é alvo de denúncias de organizações internacionais de direitos humanos. Em agosto de 2025, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos alertou para relatos de prisões ilegais e arbitrárias, tortura, violações do acesso à Justiça e mais de 400 mortes de pessoas privadas de liberdade sob custódia do Estado.

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