Gerson Palermo, apontado como um dos chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC), outro traficante identificado como Aguinaldo Chaleira e um vigilante da Delegacia da Polícia Federal em Corumbá estão entre os alvos da Operação Capolinea, realizada nesta quinta-feira (15) pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Mato Grosso do Sul (FICCO/MS). A investigação mira uma organização criminosa suspeita de trazer drogas da Bolívia para o Brasil e distribuí-las em quatro estados.
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O g1 tentou contato com a defesa de Gerson Palermo, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. As defesas dos outros dois investigados ainda não foram localizadas.
Palermo, que ficou seis anos foragido após ser solto por decisão de um desembargador, já estava preso desde maio deste ano, quando foi capturado na Bolívia. Segundo uma fonte oficial ligada à operação, um novo mandado de prisão foi cumprido contra ele nesta quinta-feira.
A FICCO/MS também confirmou a prisão de Aguinaldo Chaleira, traficante que estava na Bolívia e foi entregue às autoridades brasileiras em Corumbá. Outro preso é um homem apontado como responsável pelo sequestro de uma sobrinha de Palermo. A fonte não informou quando essas prisões ocorreram.
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Ao todo, cerca de 100 policiais participam da operação, que cumpre 14 mandados de prisão preventiva, sete de prisão temporária e 20 de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás e Minas Gerais. A Justiça também determinou o bloqueio e sequestro de R$ 24 milhões em bens dos investigados.
Segundo a FICCO/MS, a organização teria negociado aproximadamente 24 toneladas de drogas no período investigado.
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Vigilante da PF repassava informações a traficantes
Um dos presos na operação trabalhava como vigilante na Delegacia da Polícia Federal em Corumbá. Segundo a FICCO/MS, ele é enteado de um dos chefes da organização criminosa e usava o acesso à unidade para repassar informações aos traficantes.
O vigilante informava sobre a rotina da delegacia, a presença de equipes policiais e a situação dos presos. Também enviava fotografias de apreensões e documentos obtidos dentro da unidade.
Além disso, a investigação aponta que ele guardava drogas em casa e participava do transporte de entorpecentes entre a Bolívia e o Brasil.
O homem também teria participado do transporte de uma carga apreendida em Três Lagoas, em agosto de 2025. Na ocasião, policiais encontraram 35 quilos de cocaína e 12,5 quilos de maconha escondidos dentro de um pneu.
Quem é Gerson Palermo?
Gerson Palermo é conhecido das autoridades brasileiras pelo envolvimento com o tráfico internacional de drogas e por ter participado do sequestro de um avião da antiga Vasp, em 2000.
O traficante também foi investigado na Operação All In, deflagrada pela Polícia Federal em 2017, que apurou um esquema de transporte de cocaína da Bolívia para o Brasil.
Em 2020, Palermo deixou a Penitenciária Federal de Campo Grande após conseguir prisão domiciliar por decisão do desembargador Divoncir Schreiner Maran, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.
Pouco depois de ser solto, ele rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu para a Bolívia, onde permaneceu escondido por cerca de seis anos.
A decisão que permitiu a soltura passou a ser investigada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que determinou a aposentadoria compulsória do desembargador.
Palermo foi localizado e preso na Bolívia em maio de 2026. Agora, voltou a ser alvo de uma investigação por tráfico internacional de drogas.
Drogas eram escondidas em caminhões de minério
De acordo com a FICCO/MS, o grupo aproveitava o movimento de caminhões carregados com minério de ferro na região de Corumbá para transportar drogas da Bolívia para outros estados brasileiros.
Para facilitar o esquema, a organização aliciava funcionários de mineradoras, incluindo supervisores e operadores de balança. Eles recebiam pagamentos por Pix para permitir que os caminhões fossem carregados sem fiscalização.
Os investigadores também identificaram drogas escondidas em pneus, tanques de combustível e carregamentos de grãos.
A investigação começou com a análise do celular apreendido com um dos principais operadores do grupo, que estava escondido na Bolívia. A partir das informações encontradas no aparelho, os policiais identificaram outros integrantes e chegaram ao comando da organização.
Segundo a FICCO/MS, o grupo negociou cerca de 24 toneladas de drogas no período analisado. Os entorpecentes eram distribuídos para Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás e Minas Gerais.
A Operação Capolinea é coordenada pela FICCO/MS, força-tarefa que reúne instituições estaduais e federais de segurança pública para combater organizações criminosas.
Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara Federal de Corumbá. A Justiça também autorizou a inclusão de três investigados que vivem no exterior na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo de cooperação internacional para localizar pessoas procuradas.
Os investigados poderão responder por tráfico internacional de drogas e organização criminosa.
O nome Capolinea vem do italiano e significa "fim da linha", em referência ao objetivo de interromper as atividades do principal investigado e o transporte de drogas em cargas de minério de ferro.
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