Na trama, o casal Pedro e Bruna e seu amigo, Max , descobrem uma máquina do tempo. Porém, ao invés de permitir que os personagens se “teletransportem” para diferentes períodos, a máquina cria novas realidades paralelas, nas quais os desdobramentos são completamente imprevisíveis.

Após testá-la, Pedro passa, inexplicavelmente, a querer matar Max . No decorrer do longa, os personagens ficam presos em uma sequência de acontecimentos caóticos. Estrelado por Carol Macedo ( Éramos Seis ), Felipe Hintze ( Verdades Secretas ) e João Fenerich ( Corte Seco ), que também está creditado como produtor, Consequências Paralelas questiona os riscos de alterar o curso natural dos acontecimentos.

Apesar de ser novidade nos cinemas, a trajetória do filme já tem mais de uma década: começou em 2014, quando CD Vallada escreveu a primeira versão do roteiro.

“Eu já queria fazer alguma história com viagem que não tivesse paradoxos temporais”, conta CD em entrevista à Rolling Stone Brasil . Curiosamente, anos mais tarde, o cineasta teve contato com ideias semelhantes sobre a viagem no tempo na mídia: “Muito tempo depois de eu já ter pensado e escrito a primeira versão do roteiro lá atrás, vi uma ideia parecida em um episódio de Rick and Morty , e num curta no YouTube”.

Ambientação e elenco

Consequências Paralelas é inteiramente situado em um mesmo cenário. As filmagens aconteceram em um sítio da família de Gabriel , local que ele e CD frequentavam desde a infância.

Segundo Gabriel, este modelo trouxe vantagens e desafios. “Ter o universo restrito em uma única sala nos permitiu filmar em apenas seis dias”, comenta. “Só que, no meio desse caminho, alguns percalços de produção apareceram — a gente não poderia contar com a arma todos os dias, por exemplo, e a gente sempre quis filmar cronologicamente.”

O filme se inicia com um plano sequência de 19 minutos, durante o qual Carol , Felipe e João estabelecem uma dinâmica quase teatral. Em vez de depender de grandes efeitos visuais, Consequências Paralelas concentra sua força na construção da história, nas relações entre os personagens e na ambientação desconfortável e claustrofóbica.

“A velocidade na filmagem foi algo que ajudou muito [a construir o suspense]. E os personagens ficam intimistas num ponto onde tudo que a gente tinha imaginado de diálogo, de intimismo, quando você vê acontecendo, ou ele funciona imediatamente ou não. Você não tem que olhar para o cenário, uma vez montado; é quase a direção de elenco pura”, diz Gabriel .

Os diretores contam que a seleção do elenco aconteceu de forma quase mágica: segundo Gabriel , haviam grandes limitações em termos de produção e orçamento, mas “a vida conduziu exatamente para onde precisava”.

Eles explicam que Felipe e João já eram amigos antes de colegas. “O fato deles serem amigos permitiu que eles criassem dinâmicas entre eles, que ajudavam a gente a entender quando a gente entrava”, afirmou. João também ajudou a trazer Carol para o elenco.

Foi um presente de Natal. A gente estava para filmar dia 3 de janeiro, e a gente não tinha ainda quem seria a Bruna. E aí a Carol mandou uma mensagem para a gente 25 de dezembro falando, ‘eu amei o roteiro, eu quero estar com vocês’.

O cinema de gênero

O cinema de gênero no Brasil tem se fortalecido nos últimos anos, com cada vez mais produções de fantasia, terror e ficção científica — como Bacurau (2019) e Morto Não Fala (2018). Apesar disso, esses filmes ainda estão distantes de dominarem o mercado cinematográfico nacional: muitos enfrentam barreiras financeiras e de distribuição que os impedem de alcançar o grande público.

CD revela à RS Brasil que sempre nutriu um interesse especial pelo cinema surrealista. Gabriel , por sua vez, entrou de cabeça na ideia do amigo.

“Quando o CD veio com a história para mim, na primeira vez, ela já era tão bem montada na questão de detalhes que a minha cabeça voou para o lugar de como os personagens estavam preenchendo todos esses espaços no lugar do sentimento”, explica.

Eu descobri com esse projeto, que é o nosso primeiro juntos e separados em longa-metragem, que fazer ficção científica, com a pitada de fantasia que for, é uma delícia. Porque te faz imaginar diferentes situações e sentimentos em espaços que, de fato, a gente nunca vai viver.

Antes da estreia comercial, Consequências Paralelas passou por 25 festivais no Brasil e no exterior e conquistou 21 prêmios, incluindo reconhecimentos de público e júri. Entre eles estão Melhor Filme no Screamfest , nos Estados Unidos, e Prêmio do Público no Macabro , no México. O filme também está com 6 indicações para o Gran Premio FantLatam , maior premiação de cinema de gênero da América Latina, entre elas, direção, roteiro e atuação.

“Quando CD me convidou, a gente não tinha nem ideia de que poderia virar isso. Mas eu tinha uma certeza. E eu li a história e falei, cara, aqui tem ouro”, relembra Gabriel . Os diretores celebram o sucesso na recepção de uma produção independente e nacional:

A gente não imaginava que, em algum momento na estrada, depois de um ano de festivais, por exemplo, a gente teria achado mais normal passar em um festival do que ser rejeitado, e achar estranho não ganhar um prêmio. A gente ficou até um pouco mal acostumado.

Consequências Paralelas já está em exibição nos cinemas da rede Cinesystem . Assista ao trailer abaixo:

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