O Flamengo começa a decidir nesta quinta-feira, às 21h30 (de Brasília), contra o Estudiantes na Argentina, uma vaga na final da Libertadores para defender o título. Atual campeão, o clube, se repetir a dose em 2026, vai igualar o feito do lendário Boca Juniors de Riquelme no início do século: quatro troféus conquistados em oito anos.

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Boca Juniors campeão da Libertadores em 2007

Aquele timaço, liderado pelo craque argentino, ganhou a América em 2000, 2001, 2003 e 2007; chegou à final em 2004 e parou nas quartas em 2002 e 2005 (em 2006 ficou fora da Libertadores). A sequência do Flamengo, por sua vez, teve troféu em 2019, 2022 e 2025 e um vice-campeonato em 2021; além de eliminações nas quartas em 2024 e nas oitavas em 2020 e 2023.

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Nesse recorte, o Flamengo tem dois jogos a menos que o Boca na Libertadores (88 a 90). Mas mesmo assim possui mais vitórias (56 a 51) e gols marcados (165 a 156), além de estatísticas menores de derrotas (13 a 18) e gols sofridos (66 a 79). Porém, saiu duas vezes nas oitavas, enquanto os argentinos sempre passaram desta fase.

Boca de Riquelme x Flamengo desde 2019? Veja a comparação na Libertadores

Somente para efeito de comparação das duas campanhas, podemos atribuir pontos de um a cinco e somar ao final: campeão cinco pontos, vice quatro, semifinal três, quartas dois e oitavas um. O Boca, sem pontuar em 2006, teria uma pontuação de 28. E o Flamengo, que esteve em todas as oito edições, teria 23. Ou seja, se bater campeão de novo esse ano também igualaria o Boca nessa soma fictícia.

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Fato é que o Boca do Riquelme era temido por todos os adversários, foi um fantasma para muitos brasileiros, e o craque ficou marcado como um símbolo daquela geração (tanto que até hoje tem pinturas dele dessa época nas ruas do entorno da Bombonera). Desde aquele timaço, nenhuma outra equipe apareceu para dominar o continente, até aparecer o Flamengo de 2019.

Flamengo campeão da Libertadores em 2025

Mas será que os rubro-negros já causam o mesmo temor nos adversários, pelo histórico recente no torneio, e é visto como um novo bicho-papão? Para ter essa impressão, o ge foi ouvir os argentinos. O "Olé", famoso jornal esportivo do país, por exemplo, nos últimos anos tem se acostumado a dar mais destaque para o Flamengo em suas páginas.

— O Flamengo sempre foi muito respeitado na Argentina, não só atualmente. Há um resignação tipo: quando vai jogar contra um clube do Brasil, está liquidado. Se vai decidir contra o Flamengo no Maracanã, tem que aproveitar ao máximo o jogo em casa porque é muito difícil. A projeção para os times argentinos é muito preocupante. O Independiente está em um péssimo momento. Não é que está longe da oitava Libertadores, não está perto nem de se classificar para a Sul-Americana... Nessa corrida, o Brasil está muito mais forte. Hoje, acho questão de tempo para que o Flamengo passe os times argentinos — opinou Diego Macias, sub diretor de "Olé", citando o recordista com sete títulos.

Em número de títulos na história, o Flamengo hoje está atrás só do Peñarol, com cinco taças; do Boca Juniors, com seis troféus, e do recordista Independiente, maior campeão do continente com sete.

"Olé" faz trocadilho com o nome do Flamengo e palavra lamentar. E completa: de joelhos

Em 2022, após golear o Vélez Sarsfield por 4 a 0 na semifinal disputada na Argentina, a ESPN do país chegou a chamar o Flamengo de "time europeu na América do Sul", pela qualidade do elenco. Porém, para Catalina Sarrabayrouse, jornalista do Olé, falta ao time rubro-negro um jogador que assuma o protagonismo e seja o símbolo da geração:

— Estamos falando do Boca de Riquelme. Do Flamengo, poderíamos dizer "o Flamengo de quem"? Não há um Riquelme. Creio que são comparáveis em termos de quantidade de títulos, mas as identidades são diferentes.

Capa do Olé com Riquelme e a sexta Libertadores do Boca Juniors

Torcedor do Estudiantes e locutor do Estádio Uno, Gabi Pregal enxerga o Flamengo como o principal sarrafo do continente, mas diz não temer os rubro-negros, apesar de ter levado a pior nos recentes confrontos.

— É uma grande expectativa quando há um jogo com uma equipe tão poderosa como o Flamengo. Para nós, não há partida mais lindas para jogar do que quando é contra um grande do Brasil. Para sermos os melhores, temos que ganhar todos. É sempre bom enfrentar o Flamengo para saber em que nível estamos. Há respeito, mais do que temor. O Brasil é uma potência futebolística, e nossa história mostra que sabemos como enfrentar esse tipo de partida.

Bichos-papões da Libertadores:

Peñarol-URU: 5 finais (1960, 1961, 1962, 1965 e 1966) e 3 títulos em 7 anos

Estudiantes-ARG: 4 finais (1968, 1969, 1970 e 1971) e 3 títulos em 4 anos

Independiente-ARG: 4 finais (1972, 1973, 1974 e 1975) e 4 títulos em 4 anos

Boca Juniors-ARG: 3 finais (1977, 1978 e 1979) e 2 títulos em 3 anos

São Paulo: 3 finais (1992, 1993 e 1994) e 2 títulos em 3 anos

Boca Juniors-ARG: 5 finais (2000, 2001, 2003, 2004 e 2007) e 4 títulos em 8 anos

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