# SLS mira nos brasileiros para disputar espaço em Punta del Este com Fasano e Cipriani

- Seção: Economia
- Fonte: InfoMoney (https://www.infomoney.com.br/business/sls-mira-nos-brasileiros-para-disputar-espaco-em-punta-del-este-com-fasano-e-cipriani/)
- Publicado em: 2026-10-15T15:00:00.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1193485-sls-mira-nos-brasileiros-para-disputar-espaco-em-punta-del-este-com-fasano-e

> O mercado imobiliário de Punta del Este vive uma nova onda de investimentos e, no meio da disputa entre projetos imobiliários e de hospitalidade de luxo, o SLS Punta del Este, da incorporadora argentina GNV Group, tenta conquistar o seu…

O GNV Group investiu cerca de US$ 160 milhões no empreendimento de uso misto localizado na Playa Brava, que reunirá hotel, residências, gastronomia, varejo e áreas de bem-estar em duas torres de 24 andares. A bandeira SLS pertence à Accor, enquanto a operação hoteleira ficará sob responsabilidade da Hotel Equities. A entrega está prevista para abril de 2029.

A porção dedicada às branded residences, cujo valor geral de vendas (VGV) é estimado em US$ 200 milhões, já vendeu 41% das unidades da primeira torre, atualmente a única aberta para comercialização. A comercialização começou há um ano e meio.

A reportagem visitou o empreendimento a convite do GNV Group.

Entre Cipriani e Fasano

O SLS chega a um mercado que vive uma das maiores ondas de investimento imobiliário de sua história recente. Na Playa Brava, a 400 metros do SLS, o grupo italiano Cipriani desenvolve um complexo de ultraluxo no terreno do antigo Hotel San Rafael. O projeto inclui hotel, cassino e torres residenciais e faz parte de um plano de investimentos superior a US$ 500 milhões em Punta del Este.

Ao mesmo tempo, o grupo brasileiro JHSF desembolsou US$ 160 milhões para adquirir o tradicional Enjoy Punta del Este, a 2,5 km do SLS, e anunciou investimentos adicionais de até US$ 500 milhões para transformá-lo no Complexo JHSF Península. O empreendimento reunirá, além de um hotel Fasano, cassino, casa de shows, shopping center, gastronomia, entretenimento e um componente residencial integrado que ainda está em desenvolvimento.

Segundo nota da JHSF enviada à reportagem, o CJ Punta del Este será um dos pilares da estratégia, uma vez que o completo &#8220;levará ao Uruguai o conceito do Shopping Cidade Jardim&#8221;, em São Paulo. Com aproximadamente 20 mil metros quadrados de área bruta locável, o complexo pretende reunir marcas internacionais de luxo e operações gastronômicas selecionadas pela companhia.

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Diante desse cenário, a estratégia da GNV é ocupar uma faixa intermediária do mercado de luxo, oferecendo um produto de entrada mais acessível do que os vizinhos.

Enquanto o SLS parte de US$ 313 mil, o Cipriani se posiciona no segmento de ultraluxo. Materiais comerciais do empreendimento indicam preços a partir de cerca de US$ 2 milhões para as residências, com unidades superiores a 200 m² e penthouses que chegam a mais de 1.600 m².

&#8220;Existe público para todos esses produtos. Nosso posicionamento é diferente&#8221;, afirma Ginevra, que aposta nos brasileiros para atingir suas metas de vendas. Nesse sentido, a empresa argentina firmou parceria com a tradicional imobiliária Coelho da Fonseca, para fortalecer o discurso de vendas.

Segundo o GNV Group, os brasileiros respondem por 37% dos compradores das unidades disponibilizadas do SLS Punta del Este até o momento – dado que encontra eco nos balanços oficiais da região.

Segundo estimativas da Câmara Imobiliária de Punta del Este-Maldonado citadas pela imobiliária Coelho da Fonseca, a participação que os brasileiros representam nas compras de imóveis na região cresceu de 4% a 5% para 7% a 8%. Entre 2024 e o primeiro semestre de 2026, compradores brasileiros adquiriram entre 1.100 e 1.300 imóveis em Punta del Este e Maldonado, segundo a entidade.

&#8220;Inicialmente vendíamos mais para uruguaios e argentinos. Depois tivemos compradores americanos e europeus. Agora a participação dos brasileiros é bastante relevante&#8221;, diz Ginevra.

Os investidores brasileiros se tornaram o principal grupo comprador do empreendimento, buscando, sobretudo, apartamentos de um dormitório voltados para geração de renda e valorização patrimonial.

&#8220;Hoje a maior parte dos compradores é formada por investidores. O produto mais procurado é o junior one-bedroom. As pessoas compram pensando tanto na valorização do imóvel quanto no programa de locação&#8221;, diz Ginevra.

O &#8220;junior one-bedroom&#8221;, tipologia mais vendida do projeto, possui 68 m² e parte de US$ 313 mil, o equivalente a cerca de R$ 1,6 milhão. Há ainda unidades de um dormitório a partir de US$ 415 mil e apartamentos de dois dormitórios desde US$ 783 mil. Na segunda torre, ainda não colocada à venda, as metragens e os valores aumentam. Os preços partem de US$ 590 mil para unidades de 131 m² e chegam a US$ 2,4 milhões na penthouse mais cara, com 296 m².

Ilustração da vista da penthouse no SLS Punta del Este (Divulgação)

A estratégia comercial está diretamente ligada ao programa de locação administrado pela operação hoteleira. O proprietário pode utilizar a unidade durante uma parte limitada do ano e disponibilizá-la para aluguel no restante do período. Segundo a GNV, a expectativa é gerar retornos anuais em dólar entre 6% e 8%, combinando receitas de locação e valorização patrimonial.

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Por que Punta está atraindo brasileiros?

Para Álvaro Marco Coelho da Fonseca, co-CEO da Coelho da Fonseca, o perfil do comprador brasileiro também mudou. Se antes predominava a busca por uma casa de veraneio, hoje ganham espaço objetivos como diversificação patrimonial, proteção de patrimônio, planejamento sucessório e, em alguns casos, residência fiscal.

&#8220;O cliente procura um projeto completo, com serviço, conveniência, qualidade construtiva e uma comunidade alinhada ao seu estilo de vida&#8221;, afirma.

Na avaliação de Coelho da Fonseca, a estabilidade institucional, segurança jurídica, qualidade de vida e proximidade geográfica transformaram o Uruguai em um dos mercados internacionais mais atrativos para investidores brasileiros de alta renda.

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Essa é justamente a tese que levou a família Ginevra a apostar em Punta del Este. Após a pandemia, o grupo avaliou oportunidades em outros países antes de optar pelo Uruguai.

&#8220;Não era apenas um lugar para passar as férias. Começamos a perceber que algo estava mudando&#8221;, afirma Alejandro Ginevra, fundador e chairman do grupo.

A tese não é exclusiva da GNV. Segundo a JHSF, Punta del Este reúne características que favorecem a combinação de hospitalidade, gastronomia, varejo, entretenimento e produtos residenciais, criando condições para uma atividade econômica cada vez menos concentrada.

&#8220;O Uruguai reúne atributos importantes para investimentos de longo prazo, como estabilidade institucional, segurança jurídica e previsibilidade do ambiente de negócios. Punta del Este, por sua vez, vem ampliando sua atratividade e sua projeção internacional, com potencial para desenvolver uma atividade econômica e turística menos concentrada na alta temporada&#8221;, avalia a companhia.

Os números ajudam a explicar essa visão. Segundo o Instituto Nacional de Estadística (INE), Maldonado, departamento que abriga Punta del Este, foi o que mais cresceu no Uruguai entre os censos de 2011 e 2023, passando de 172 mil para quase 213 mil habitantes, avanço de cerca de 24% impulsionado principalmente pela chegada de moradores de outras regiões do país e do exterior.

As projeções indicam que a tendência continuará. Até 2045, Maldonado deverá alcançar aproximadamente 245 mil habitantes e será um dos poucos departamentos uruguaios a registrar crescimento populacional nas próximas décadas, segundo o Instituto Nacional de Estadística (INE) do Uruguai. A título de comparação, a capital uruguaia Montevidéu deverá perder cerca de 143 mil moradores e reduzir sua participação na população nacional no mesmo período.

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Para incorporadores e operadores hoteleiros, a mudança reforça a ideia de que Punta del Este está deixando de ser apenas um destino de verão para se consolidar como um polo de moradia, negócios e investimentos ao longo de todo o ano.

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