# Varejo, serviços e indústria fracos podem gerar variação negativa no PIB do 3º tri

- Seção: Economia
- Fonte: InfoMoney (https://www.infomoney.com.br/economia/varejo-servicos-e-industria-fracos-podem-gerar-variacao-negativa-no-pib-do-3o-tri/)
- Publicado em: 2026-10-15T14:50:34.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1193487-varejo-servicos-e-industria-fracos-podem-gerar-variacao-negativa-no-pib-do-3-tri

> A fotografia de um comércio varejista em processo de esfriamento se manteve em agosto, segundo os dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada nesta quinta-feira pelo IBGE. O volume de vendas avançou apenas 0,1% na comparação…

O IBGE destacou em sua divulgação que, após o primeiro trimestre de 2026, que apresentou crescimento saindo da faixa de estabilidade, o comércio tem experimentado resultados de queda (abril e julho), ou variações no campo positivo próximas a zero (maio, junho e agosto). Apesar disso, no acumulado do ano, o varejo manteve crescimento de 1,7% até agosto.

Vendas no varejo do Brasil avançam 0,1% em agosto, abaixo do esperado

A expectativa em pesquisa da Reuters era de alta de 0,70% na comparação mensal e de avanço de 1,45% sobre um ano antes

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, destacou em sua análise que a composição do resultado do varejo reforça a leitura de fraqueza. O avanço do mês veio de equipamentos de informática e comunicação (+6,3%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (+1,4%) e combustíveis (+1,1%).

Em contraste, a fraqueza se concentrou nos segmentos mais dependentes do crédito &#8212; móveis e eletrodomésticos voltaram a recuar 4,2%, e veículos e material de construção levaram o varejo ampliado ao campo negativo &#8211;, padrão compatível com os juros elevados e a desaceleração do crédito.

Para o economista, o consumo de bens essenciais segue sustentado pela resiliência do mercado de trabalho e pelas medidas recentes de estímulo, mas o ritmo de expansão permanece moderado, com o varejo restrito já dando sinais de perda de fôlego. “O varejo ampliado, recua 0,3% na média móvel trimestral e segue em perda de tração, reflexo do nível restritivo da política monetária.”

“Em conjunto, os dados de agosto tornam cada vez mais evidentes o enfraquecimento gradual da atividade econômica. Serviços e indústria apontam na mesma direção: o volume de serviços recuou 0,1% e a produção industrial caiu 0,6% em agosto ante julho deste ano. Mantemos a nossa projeção de estagnação da atividade econômica no 3T26 e crescimento do PIB de 1,8% para 2026”, disse Sung.

Efeito dos juros

Claudia Moreno, economista do C6 Bank, também comentou que, tanto no varejo ampliado quanto no restrito, as maiores quedas se concentraram em setores mais sensíveis ao crédito, um sinal de que os juros altos vêm pesando sobre as vendas desses produtos.

Entre os segmentos pesquisados, chamou atenção da economista a queda de móveis e eletrodomésticos (-4,2%), que vêm mostrando uma tendência mais fraca nos últimos meses. Também houve recuo nas vendas de veículos (-1%) e material de construção (-2%).

“Os dados mais recentes mostram que o comércio vem perdendo força. Apesar dos cortes recentes, os juros continuam elevados e devem limitar uma expansão mais forte do setor. Como o mercado de trabalho aquecido e o aumento da renda média dos trabalhadores ainda dão algum suporte ao consumo, nossa expectativa é de que o varejo ampliado registre cerca de 2% de crescimento neste ano em relação a 2025”, comentou..

Moreno disse ainda que, para os próximos trimestres, é esperado que a atividade continue perdendo fôlego, embora a força do mercado de trabalho ainda ajude a evitar uma desaceleração mais acentuada. A projeção do C6 Bank é de alta de 1,7% para o PIB neste ano.

A XP também comentou em sua análise que as vendas no varejo vieram materialmente abaixo das expectativas do mercado em agosto. “Digna de nota é a fraqueza nas atividades sensíveis ao crédito, que caíram 1,3% na comparação mensal e já estão se contraindo em termos anuais, enquanto os segmentos sensíveis à renda se mantiveram firmes.”

Para a XP estão evidenciados os efeitos defasados da política monetária contracionista sobre as compras financiadas, enquanto a renda do trabalho continua sustentando os gastos essenciais.

Após a divulgação da PMC, a XP revisou para baixo sua projeção para o IBC-Br de agosto, de +0,4% para +0,3% na comparação mensal e de +1,3% para +1,1% na anual. Consequentemente, o monitoramento para o crescimento do PIB no 3º trimestre de 2026 está em -0,2% no mensal e em +1,4% no anual.

“O consumo de bens deve se contrair no terceiro trimestre, reforçando nossa visão de uma desaceleração na demanda doméstica ao longo de 2026. Mantemos nossa projeção de crescimento do PIB em 1,7% para 2026 e 1,0% para 2027.”

Na visão de Leonardo Costa, economista do ASA, o varejo tem concentrado boa parte da fraqueza observada nos dados de atividade dos últimos meses. “A deterioração segue mais evidente justamente nos segmentos mais sensíveis ao crédito e às condições financeiras, como móveis, eletrodomésticos, veículos e material de construção”, detalhou.

O dado de hoje, em conjunto com os resultados recentes da indústria e dos serviços, indica, segundo o economista do ASA, um PIB mais fraco no 3º tri, o que levou a uma revisão para o PIB no período, agora de -0,2% &#8212; com viés de baixa para o crescimento de +1,8% estimado para 2026.

O Bradesco também avaliou o desempenho do varejo neste mês reforçando o cenário do banco de um arrefecimento do consumo das famílias no terceiro trimestre. O banco informou que o dado traz um viés de baixa para suas projeções de 0,3% para o consumo e de 0% para o PIB no trimestre. “O resultado de hoje soma-se ao do setor de serviços, divulgado ontem, e indica que a moderação da atividade está se consolidando.”

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