# Superendividamento: cinco sinais de que as contas não fecham mais

- Seção: Economia
- Fonte: InfoMoney (https://www.infomoney.com.br/advisor/superendividamento-cinco-sinais-de-que-as-contas-nao-fecham-mais/)
- Publicado em: 2026-10-15T16:01:38.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1194369-superendividamento-cinco-sinais-de-que-as-contas-nao-fecham-mais

> O endividamento das famílias fechou o primeiro semestre de 2026 em 49,9% da renda acumulada pelas famílias em 12 meses, de acordo com o Banco Central , igualando o recorde histórico observado em janeiro, março e abril. Mas quando esse…

“Faz total sentido dizer que nem todo endividamento é negativo, porque a dívida e o crédito, quando bem utilizados, podem contribuir muito para o ganho de capital e a construção de patrimônio”, explica Lucas Oliveira, sócio da Nexgen Capital . “É muito importante diferenciar o conceito de estar endividado, ou seja, ter dívidas, do de estar inadimplente”, complementa.

O financiamento da casa própria, por exemplo, é uma dívida, mas não significa necessariamente um problema — especialmente quando as parcelas estão em dia. Ao desconsiderar esse tipo de crédito, o próprio Banco Central reduz o índice de endividamento das famílias para 30,8%, segundo o dado referente a julho.

“Antes de concluir que uma dívida é um problema, precisamos entender o que está por trás dela, qual é a sua finalidade e como ela se encaixa na vida financeira”, reforça Lucas Ferraz, CEO e sócio-fundador da Faz Capital. Ele e outros especialistas listam alguns sinais que ajudam a identificar o descontrole do orçamento doméstico.

Os cinco sinais de alerta

O que explica o aumento do endividamento?

O impacto e as consequências do superendividamento

O que se espera do assessor de investimentos?

Os cinco sinais de alerta

Identificar sinais de desequilíbrio financeiro antes que a situação se agrave é uma etapa importante para prevenir o superendividamento. Alguns comportamentos podem indicar que as dívidas estão deixando de ser compromissos administráveis e passando a comprometer o orçamento familiar, a capacidade de poupança e a realização de objetivos de longo prazo. Veja cinco sinais de alerta:

De acordo com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a inadimplência voltou a subir em agosto, chegando a 29,9%. Já o percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar as dívidas em atraso subiu para 12,5%.

Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), esse último indicador atingiu o maior nível desde fevereiro. O levantamento também aponta que o tempo médio de atraso, que vinha caindo havia três meses, voltou a subir, chegando a 65 dias.

O que explica o aumento do endividamento?

Lucas Oliveira, sócio da Nexgen Capital (Crédito: divulgação)

O crescimento do endividamento das famílias brasileiras é atribuído a uma combinação de fatores, que inclui mecanismos econômicos, facilidade de acesso ao crédito e aspectos comportamentais. Entre eles, está o hábito de recorrer ao cartão de crédito e ao parcelamento para antecipar o consumo, inclusive de itens e serviços de uso imediato, e não apenas de bens duráveis.

“Culturalmente, o brasileiro sempre usou o crédito como ferramenta para antecipar o consumo. Um exemplo disso é o hábito de parcelar compras no cartão de crédito”, confirma Oliveira. “O brasileiro usa crédito para financiar a aquisição de imóveis e veículos, mas também para comprar roupas e outros bens de consumo, contratar serviços e, agora, até para pedir comida pelo iFood”, observa.

A facilidade de acesso ao crédito, combinada com um cenário de juros elevados, também contribui para o endividamento e compromete o orçamento familiar.

“Somado ao hábito do uso de crédito, passamos a ter, nos últimos anos, um período longo de juros altos no país, o que fez com que as famílias brasileiras passassem a ter um percentual da sua renda comprometido com o pagamento de juros”, acrescenta Oliveira.

Érico Colodeti Filho, sócio da Forttu Investimentos (Crédito: divulgação)

Érico Colodeti Filho, sócio da Forttu Investimentos , concorda e chama a atenção para outro fator comportamental: a busca pela satisfação imediata, muitas vezes em detrimento do planejamento financeiro de longo prazo.

“O amanhã deixa para lá, o eu do futuro resolve, né?”, contextualiza. “O eu de agora não quer abrir mão de pequenos prazeres porque a vida é muito curta e eu mereço. Além disso, temos ainda as Bets. A maioria das pessoas usa o cartão de crédito para apostas esportivas”, lembra.

Pesquisa do Procon-SP, realizada entre o fim de 2025 e o início de 2026, apontou que quatro em cada dez apostadores se endividaram após utilizar sites de jogos e apostas on-line.

Leia mais: Quatro em cada dez apostadores em bets se endividam, diz levantamento do Procon-SP

O impacto e as consequências do superendividamento

Oito em cada dez pessoas com problemas de saúde mental atribuem às dificuldades financeiras o desenvolvimento ou o agravamento do quadro , aponta pesquisa da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (Abefin), em parceria com o Instituto Axxus.

“Acho que o movimento trazido pela NR-1 também está muito ligado ao adoecimento da população brasileira em decorrência do endividamento”, diz Colodeti Filho, que também é responsável pelo Forttu Educa, projeto de educação financeira corporativa do escritório. “Há um volume muito grande de pessoas solicitando afastamento pelo INSS por problemas emocionais derivados de dívidas que saíram do controle”, chama a atenção.

Lançado em janeiro de 2025, o Forttu Educa já ofereceu palestras e programas de reeducação financeira para mais de 60 empresas, entre elas a ArcelorMittal. Segundo o escritório, a iniciativa já impactou mais de 3 mil colaboradores dessas companhias.

Forttu Educa, projeto de educação financeira corporativa da Forttu Investimentos (Crédito: divulgação)

“Com uma linguagem acessível a todos os perfis de colaboradores, conseguimos identificar duas situações: a da pessoa superavitária, que já está se organizando, e a daquele colaborador que está endividado, que está viciado em bets ou que sofre com o absenteísmo na empresa”, contextualiza José Neto Rossim Torres, CEO da Forttu Investimentos. “Trabalhamos os hábitos, promovemos a educação financeira e buscamos resolver essas questões. Depois, ela estará em uma situação financeira superavitária, apta a fazer um planejamento financeiro”, afirma.

O que se espera do assessor de investimentos?

Diante das consequências de uma vida financeira desequilibrada, ganha ainda mais relevância o papel do assessor de investimentos que se depara com alguém em risco de superendividamento. O atendimento deve considerar aspectos emocionais e o fluxo de caixa da família, além de incluir um diagnóstico das receitas, despesas e do patrimônio do cliente. Veja os principais pontos que devem ser avaliados :

1 &#8211; Mapeamento comportamental e emocional (anamnese)

Significado do dinheiro: investigar a percepção do cliente sobre o dinheiro e se ele está associado a conforto e realização ou a estresse e preocupação.

Gatilhos de consumo e histórico: avaliar a criação do cliente, episódios anteriores de escassez financeira e o uso do consumo imediato como forma de compensação emocional.

Transparência e harmonia familiar: identificar eventuais dívidas ocultadas do cônjuge ou a manutenção de padrões de consumo incompatíveis com o orçamento por pressão social ou receio de comunicar limitações financeiras.

“Quando a pessoa está em um nível de endividamento muito elevado, o dinheiro se torna um peso emocional”, explica Colodeti Filho. “Quando você começa a fazer a anamnese, conversa com ela e procura entender o que o dinheiro representa em sua vida, ela já dá uma resposta emocional. E essa resposta é o primeiro indicador”, reflete.

2 &#8211; Fluxo de Caixa (Entradas e Saídas Reais)

Capacidade e estabilidade de renda: identificar todas as fontes de receita, a frequência dos recebimentos e o grau de previsibilidade dos valores.

Análise de custos fixos e variáveis: separar os gastos essenciais dos discricionários e verificar se os desvios orçamentários ocorrem, por exemplo, nos fins de semana e em atividades de lazer.

Distorção do padrão de vida estimado: solicitar o acompanhamento efetivo dos gastos por um a dois meses, pois é comum que as despesas reais superem as estimativas iniciais do cliente.

“Quanto entra por mês e de onde vem essa renda? Quanto custa manter o padrão de vida atual? Quais despesas são fixas e quais são variáveis? Existe renda previsível ou há muita volatilidade?”, questiona Ferraz.

3 &#8211; Raio-X dos passivos (dívidas)

Mapeamento de valores e credores: levantar o valor total das dívidas e identificar as instituições credoras, como bancos e administradoras de cartões, além de eventuais empréstimos consignados ou contraídos com agiotas.

Custo Efetivo Total (CET) e prazos: identificar as taxas de juros, o CET e o tempo restante de cada contrato de crédito.

Análise detalhada das faturas: examinar a fatura do cartão de crédito linha por linha para compreender como o limite está sendo utilizado.

“Outra coisa que parece banal: a pessoa diz que tem dívidas. Aí você pergunta: ‘Quanto você deve hoje?’, e ela não sabe responder”, observa Colodeti Filho. “Às vezes, a pessoa diz que o limite do cartão é de R$ 1.000, mas não é essa informação que a gente quer. Quero ver o que tem na fatura, o que ela está gastando”, orienta.

4 &#8211; Patrimônio e liquidez

Mapeamento de ativos: identificar bens móveis e imóveis, veículos, participações em empresas e recursos aplicados em investimentos financeiros.

Liquidez e reserva financeira: avaliar se o cliente dispõe de uma reserva de emergência e qual é a facilidade de converter seus bens em dinheiro.

Desmobilização patrimonial: analisar se a venda de algum bem pode ser utilizada para quitar ou amortizar dívidas com juros elevados.

“Se a família tem patrimônio, conseguimos avaliar se faz sentido se desfazer de algum bem para quitar ou amortizar a dívida existente e, consequentemente, melhorar o fluxo de caixa”, pontua Oliveira, da Nexgen Capital. “Assim, a família passa a ter condições de fazer investimentos”, complementa.

5 &#8211; Proteção e vulnerabilidades

Fontes de renda e dependentes: verificar se o orçamento familiar depende exclusivamente de um provedor e se há dependentes financeiros.

Proteção contra imprevistos: investigar se a família possui coberturas adequadas, como seguros de vida e saúde, além de recursos destinados à aposentadoria.

6 &#8211; Objetivos de vida

Metas de curto, médio e longo prazo: mapear objetivos como a compra de um imóvel, a aposentadoria, viagens e os estudos dos filhos.

Motivação para a mudança de hábitos: utilizar os objetivos pessoais e familiares como incentivo para reorganizar o orçamento e eliminar dívidas.

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