A aprovação do fim da escala 6x1 pelo Senado Federal, na quarta-feira (14), dividiu opiniões na região de Campinas (SP).
Enquanto trabalhadores comemoram a possibilidade de ter duas folgas por semana, representantes do comércio e de bares e restaurantes temem aumento de custos e dificuldades para adaptar as escalas.
A proposta recebeu 75 votos favoráveis e um contrário. Como a Câmara dos Deputados já havia aprovado o mesmo texto, a medida segue para promulgação pelo Congresso Nacional.
O texto prevê dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial, e diminuição gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais.
Repercussão entre trabalhadores
Trancista Yasmin Eloi vê redução da jornada de trabalho como positiva
Para a trancista Yasmin Eloi, a mudança representa uma oportunidade de passar mais tempo com a família.
"Nossa, eu achei incrível. Isso vai ajudar bastante, tanto os comerciários, funcionários, a poder ter uma folga a mais com a família, poder ter um momento mais de descanso", afirmou.
A cozinheira Norberta Aparecida também comemorou. "Vai ter mais tempo para o lazer, para a família, para cuidar da pessoa em si, porque muitas vezes a gente não tem tempo nem de cuidar da gente."
Já o técnico de manutenção Vinícius Gama teme que a mudança aumente a pressão sobre os funcionários.
"Se mexe no bolso do empresário, então vai mexer no bolso do trabalhador. Vai vir uma cobrança maior para o trabalhador", disse.
Segundo a presidente da Comissão de Direito do Trabalho da OAB Campinas, Franciele Aparecida Gurgel, as duas folgas podem melhorar a qualidade de vida e a saúde mental dos trabalhadores.
"É muito tempo se dedicando para alguém, para um trabalho e pouco tempo para si", afirmou.
Quando a mudança começa a valer?
As novas regras não entram em vigor imediatamente. A proposta prevê um período de transição de 14 meses, dividido em duas etapas:
Primeiros 60 dias: redução da jornada de 44 para 42 horas semanais, com duas folgas que não precisam ser consecutivas.
12 meses seguintes: redução da jornada para 40 horas semanais.
Durante esse período, os salários não poderão ser reduzidos.
Segundo Franciele, a aplicação das regras ainda poderá exigir regulamentações e negociações coletivas. A advogada afirma que setores como saúde e serviços essenciais não estão incluídos na mudança.
Mudanças em bares e restaurantes
Presidente da Abrasel na Região Metropolitana de Campinas, André Mandetta
A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) é contrária à proposta e prevê dificuldades para manter o atendimento com jornadas menores.
Segundo o presidente da entidade na Região Metropolitana de Campinas, André Mandetta, os estabelecimentos devem tentar reorganizar as equipes antes de contratar novos funcionários.
"No primeiro momento, antes de contratar, a empresa vai tentar se virar com o que tem, remanejar a escala, trabalhar com menos pessoas em cada escala. Isso, obviamente, vai prejudicar o atendimento", afirmou.
Mandetta também prevê aumento de custos com contratações e afirma que alguns restaurantes já consideram fechar mais um dia da semana.
Comércio teme impacto no Natal
Avenida 13 de Maio, em Campinas (SP)
Carlos Bassan/Prefeitura de Campinas
O SindiVarejista Campinas também avalia que o prazo de adaptação é curto, principalmente pela proximidade do Natal, principal período de vendas do setor.
Segundo o economista da entidade, Jaime Vasconcelos, as empresas precisarão rever escalas, calcular custos e avaliar novas contratações.
"Se a PEC for promulgada nos próximos 10 dias, esses efeitos começarão a ser sentidos próximo do Natal, a principal data do varejo", afirmou.
Para Vasconcelos, a redução da jornada deve ocorrer de forma gradual, considerando as necessidades de adaptação dos empregadores.
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