“Agora virou até notícia-crime. O PL diz, no próprio documento, que não acusa a EBC nem ninguém. Mesmo assim, me cita como ‘mulher de’ e ‘amiga de’. Isso tem nome e tem lei: violência política de gênero”, escreveu em publicação ao compartilhar um vídeo falando sobre o assunto em seu perfil no X.
No vídeo, Antonia criticou a repercussão da falha técnica e a maneira como foi tratada por veículos de comunicação e jornalistas, que destacaram seu casamento com Marcelo Freixo (PT), presidente da Embratur, em vez de sua identidade profissional.
“Eu sou filiada ao PT. Então, se o problema fosse partidário, bastava dizer petista. Mas preferiram escrever ‘mulher de’” , declarou.
A presidente da EBC também mostrou uma reportagem da Veja que se referia à estatal como chefiada pela “mulher de petista” . Também exibiu uma publicação da Gazeta do Povo com uma foto de Freixo e comentários dos jornalistas Rodrigo Constantino e Claudio Dantas nas redes sociais.
“Eu vivo uma vida de homem, você sabe. Mudei de cidade, presido uma empresa pública. Mas, na boca desses homens, jornalistas, formadores de opinião, eu continuo sendo apenas a mulher de alguém”, afirmou.
A dirigente também relatou ter recebido ofensas depois de contestar informações que associavam a EBC à falha na transmissão.
“Quando eu desmenti, me mandaram provar. Só que quem acusa é que tem que provar. E ainda me chamaram de piranha”, disse.
Durante o vídeo, Antonia mostrou uma publicação de uma página de apoio a Flávio Bolsonaro que a ofendeu com a expressão “foi você sim, sua piranha” .
“Um homem perde 3 minutos de som e vira um escândalo nacional. Uma mulher perde o próprio nome na manchete, vira vilã, vira piranha, e isso é só rotina” , afirmou.
A presidente da estatal disse ter notificado os responsáveis por publicações que considera falsas e afirmou que recorrerá à Justiça caso os conteúdos não sejam retirados.
“Notificamos quem publicou informação mentira. E quem não apagar vai responder na Justiça”, declarou.
A propaganda eleitoral de Flávio Bolsonaro foi exibida sem áudio na 2ª feira (12.out), durante o horário eleitoral. O candidato questionou se a falha teria sido proposital, enquanto apoiadores levantaram suspeitas de censura.
Inicialmente, o SBT atribuiu o problema à EBC, mas posteriormente reconheceu o erro e pediu desculpas. A estatal negou ter responsabilidade pela falha.
O Tribunal Superior Eleitoral esclareceu que o problema ocorreu durante a finalização dos arquivos pelo Pool de Mídias , responsável pela distribuição das propagandas às emissoras.
Segundo a Corte, os áudios das propagandas de Flávio e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não foram carregados corretamente. A falha foi identificada durante a exibição do programa do candidato do PL, o que permitiu a correção antes da transmissão da propaganda de Lula.
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, determinou a reexibição integral do programa de Flávio, realizada na 4ª feira (14.out), às custas das emissoras responsáveis.
A campanha do candidato do PL também apresentou uma notícia-crime para pedir a investigação do episódio.
O QUE DIZ A NOTÍCIA-CRIME DO PL
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) apresentou uma notícia-crime à 1ª Zona Eleitoral de Brasília para pedir a investigação da falha que deixou sem áudio a propaganda eleitoral do candidato na 2ª feira (12.out.2026). As informações são da CNN .
No documento, os advogados afirmam que o episódio foi inédito em eleições presidenciais e questionam por que o programa de Lula (PT), exibido na sequência, teve o áudio corrigido a tempo da transmissão.
A defesa também menciona Antonia Pellegrino por ser casada com Marcelo Freixo e amiga da primeira-dama Janja. Os advogados relacionam essas informações à circulação de conteúdos falsos sobre uma suposta proposta de Flávio para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
“A EBC é presidida, desde 10.04.26, por Antonia Pellegrino, esposa de Marcelo Freixo, ex-presidente da Embratur, nomeada, segundo a imprensa, a pedido da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, de quem é amiga pessoal12, isto é, a mesma primeira-dama que, em 28.09.26, difundiu em palanque a fake news da Padroeira” , afirmam os advogados.
A campanha pede que as emissoras preservem as gravações da propaganda e solicita autorização para produzir outras provas.
O TSE atribuiu a ausência de áudio a uma falha técnica na preparação das mídias. Segundo a Corte, o problema atingiu inicialmente os arquivos dos 2 candidatos, mas foi corrigido antes da exibição do programa de Lula.
A EBC nega ter sido responsável pelo erro e afirma que a operação estava a cargo de outra emissora integrante do grupo responsável pela transmissão.

