Em entrevista ao Poder360 , ele disse que reformas na Previdência são sempre para “ferrar o trabalhador” e rejeitou a ideia de que seja inevitável diante das projeções de deficit do sistema.

PROJEÇÕES DE DEFICIT

Questionado sobre dados do Balanço Geral da União de 2025, segundo os quais o deficit previdenciário poderia superar R$ 1 trilhão em 2041 e R$ 30 trilhões em 2100, Wolney contestou a premissa de que esses números tornariam necessária outra reforma.

Ele citou o artigo 195 da Constituição, que estabelece o financiamento da seguridade social por toda a sociedade, incluindo recursos dos orçamentos públicos e contribuições de empregadores e trabalhadores.

“A Constituição não fala que é para haver superavit” , afirmou. Para o ministro, as projeções de longo prazo não devem ser analisadas sem considerar o princípio da solidariedade, segundo o qual a aposentadoria é financiada coletivamente, e não apenas pelas contribuições acumuladas individualmente por cada trabalhador.

Em vez de elevar a idade mínima ou o tempo de contribuição, Queiroz defendeu incorporar MEIs (microempreendedores individuais) e trabalhadores informais ao sistema previdenciário. A proposta é estimular a contribuição autônoma por meio de educação financeira e previdenciária.

O ministro também apontou as desonerações da folha de pagamento concedidas a empresas como uma fonte de perda de arrecadação. Segundo ele, o debate sobre o financiamento da Previdência deveria incluir a redução dessas renúncias fiscais.

Queiroz afirmou que a Previdência não se limita ao pagamento de aposentadorias. O sistema também funciona como seguro para trabalhadores que sofrem acidentes e precisam de renda durante a recuperação.

O ministro não apresentou, na entrevista, uma estimativa de quanto a incorporação desses trabalhadores ou a redução das desonerações poderia acrescentar às receitas previdenciárias.

QUEM É WOLNEY QUEIROZ

Wolney Queiroz Maciel tem 53 anos. Nasceu em Caruaru, no Agreste de Pernambuco. Foi vereador de Caruaru, de 1993 a 1995, e deputado federal por 6 mandatos. É filiado ao PDT desde o início da carreira política.

Foi líder da Oposição na Câmara durante o governo de Jair Bolsonaro. Em fevereiro de 2023, assumiu como secretário-executivo da Previdência Social no governo Lula.

Tornou-se ministro da Previdência Social em maio de 2025. O então ministro, Carlos Lupi, pediu demissão depois da Polícia Federal revelar um esquema de descontos indevidos em aposentadorias do INSS.