A boa fase dentro de campo contrasta com os problemas nos bastidores do Figueirense. Líder da Copa Santa Catarina e invicto há 11 partidas, o Alvinegro convive com salários atrasados e indefinições sobre o futuro da SAF. Em entrevista coletiva nesta quinta-feira, o técnico Raul Cabral demonstrou preocupação com a situação administrativa do clube e cobrou respostas dos responsáveis pela gestão.

— Acho que o maior problema é a instabilidade política, de a gente não saber efetivamente o que vai acontecer no clube na sequência. Desde que cheguei aqui, havia uma promessa de melhora, mas a gente não vê, não vislumbra muito isso. A gente vê promessas e algumas situações acontecerem, mas que efetivamente não se concretizam — afirmou Raul.

Raul Cabral, técnico do Figueirense

PH Freitas / GE SC

Conforme apurado pelo ge na última terça-feira, o clube tem duas folhas de direitos de imagem em aberto, uma folha salarial CLT e 20% dos vencimentos de agosto ainda pendentes. Em setembro, o Alvinegro quitou os outros 80% da CLT de agosto, além de regularizar os pagamentos de alimentação e moradia do elenco.

— É algo muito sensível. Cada um de nós sabe onde o calo aperta nessa questão financeira. Cada funcionário, cada integrante da comissão e cada atleta sabe onde está o seu problema. Isso é uma questão difícil de administrar. O salário é somente um reflexo da instabilidade que a gente tem, de não saber o que vai acontecer com o clube para 2027, na semana que vem, no mês que vem, se efetivamente vamos voltar a receber os salários em dia.

Raul Cabral, técnico do Figueirense

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A manifestação do técnico acontece em meio à possibilidade de saída da PanSports do projeto de aquisição da SAF do Figueirense. A proposta do grupo foi aprovada pelo Conselho Deliberativo em 2 de junho, mas ainda não se viabilizou como previsto.

Segundo informações publicadas nesta quinta-feira pelo jornalista Rodrigo Faraco, colunista do ge, o Conselho de Administração da SAF estabeleceu até sexta-feira para que o empresário argentino Guillermo Vieira comunique oficialmente se a PanSports permanecerá no projeto.

Guillermo Vieira com a medalha Empreendedor Inspirador de 2025, da Associação Brasileira de Reciclagem Animal (ABRA)

Assessoria de Comunicação ABRA

— Quando surgiu a primeira conversa sobre renovação, falei para vocês sobre a questão de esperar, porque preciso saber quem vai comandar o clube, o que vai acontecer. Às vezes, as pessoas acham que estou enrolando para fazer leilão ou alguma coisa nesse sentido, mas não é. A gente efetivamente não sabe o que vai acontecer com o clube no futuro — avaliou o técnico.

— Não posso dar minha palavra e dizer que vou renovar. Estou próximo da minha família, tenho um bom grupo de trabalho, uma boa equipe e estamos fazendo aquilo que precisa ser feito. Mas precisamos da contrapartida, de saber o que o clube vai nos entregar em termos de administração e suporte para conseguirmos dar continuidade ao trabalho — completou.

Capitão também cobra pagamentos

Além do treinador, o zagueiro Anderson Conceição também se manifestou sobre os atrasos salariais na coletiva desta quinta-feira. Capitão da equipe e autor do gol da vitória por 1 a 0 sobre o Hercílio Luz, no último sábado, o defensor relatou as dificuldades enfrentadas pelos jogadores e pediu que a diretoria encontre uma solução.

— Tem muitos atletas que não têm condições de esperar tanto tempo sem receber, porque têm suas obrigações. Até mesmo quem tem condições precisa pagar suas dívidas, pagar tudo certinho, porque o banco não espera, os boletos também não esperam. Espero que, durante esses dias, a diretoria busque recursos para quitar essa situação, que realmente é muito chata — disse Anderson.

Anderson Conceição, zagueiro do Figueirense

PH Freitas / GE SC

Apesar das dificuldades, o desempenho do Figueirense tem sido positivo. São 11 partidas consecutivas sem derrota, sequência iniciada ainda na Série C do Campeonato Brasileiro. Na Copa Santa Catarina, o Furacão soma quatro vitórias e um empate em cinco partidas, com 13 pontos conquistados e apenas dois gols sofridos.

— Nós temos feito o nosso trabalho. São mais de três meses sem perder um jogo. Se a gente olhar um recorte dos últimos 17 jogos, perdemos apenas uma partida. Acho que a organização da equipe, a postura dos atletas em campo e da comissão técnica mostram que estamos fazendo a nossa parte. Esperamos que as pessoas que comandam o clube consigam nos dar um norte, para que a gente não perca o rumo. Esse é o grande receio que temos dentro do clube hoje — encerrou Raul.

O Figueirense volta a campo nesta sexta-feira, às 19h30 (de Brasília), para enfrentar o Marcílio Dias, no Estádio Dr. Hercílio Luz, em Itajaí, pela 7ª rodada da Copa Santa Catarina.

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