# Contra Flávio, Sindifisco fala em risco de ingerência na Receita Federal

- Seção: Política
- Fonte: Poder360 (https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/contra-flavio-sindifisco-fala-em-risco-de-ingerencia-na-receita-federal/)
- Publicado em: 2026-10-15T17:53:56.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1195677-contra-flavio-sindifisco-fala-em-risco-de-ingerencia-na-receita-federal

> O Sindifisco Nacional , sindicato que representa os auditores-fiscais da Receita Federal, divulgou nesta 5ª feira (15.out.2026) uma nota com críticas ao governo de Jair Bolsonaro, diante da disputa presidencial de seu filho, Flávio…

O documento (leia a íntegra abaixo) cita episódios ocorridos durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), como o caso das joias sauditas e as investigações sobre a chamada Abin Paralela , para alertar sobre os riscos de interferências políticas na administração tributária.

“A história recente da Receita Federal, em especial durante o governo de Jair Bolsonaro, oferece exemplos concretos dos riscos que surgem quando interesses políticos e particulares interferem no funcionamento das instituições”, afirma a entidade.

O sindicato classificou como “gravíssimos” episódios como as pressões sobre auditores-fiscais no caso das joias sauditas e afirmou que situações dessa natureza não devem se repetir. A manifestação também defende a proteção dos funcionários públicos no exercício de suas atribuições e condições para que os auditores-fiscais atuem sem ameaças, constrangimentos ou interferências indevidas.

No caso das joias milionárias trazidas da Arábia Saudita e retidas no Aeroporto Internacional de Guarulhos, o sindicato destaca a resistência de auditores-fiscais a pressões para liberar as peças, inclusive de integrantes da própria estrutura hierárquica da Receita Federal.

Para o Sindifisco, nenhum auditor deve ter de escolher entre cumprir a lei e atender a interesses particulares de autoridades. A entidade defende autonomia técnica, prerrogativas funcionais e segurança no exercício do cargo.

A nota cita relatório da Polícia Federal que descreveu iniciativas para obter informações comprometedoras sobre funcionários públicos relacionados às investigações das chamadas “rachadinhas”.

O sindicato também cita interferências políticas nas áreas de Inteligência e na Corregedoria da Receita Federal e defende a independência dessas áreas para apurar irregularidades e evitar perseguições funcionais .

COMBATE AO CRIME ORGANIZADO

O Sindifisco cita a operação Carbono Oculto para destacar a importância da inteligência fiscal no combate à lavagem de dinheiro , à ocultação patrimonial e ao financiamento de organizações criminosas.

Segundo a entidade, a integração da Receita com outros órgãos permite identificar estruturas econômicas complexas e movimentações financeiras bilionárias. Por isso, os auditores devem atuar sem ameaças ou interferências, inclusive em casos que envolvam autoridades públicas.

“Proteger esses profissionais significa proteger a capacidade do Estado de enfrentar organizações criminosas e assegurar o cumprimento da legislação tributária e aduaneira” , afirma o sindicato.

MUDANÇAS NO CARF

A nota também critica mudanças nas regras do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). Em 2020, o governo Bolsonaro extinguiu o voto de qualidade, fazendo com que empates nos julgamentos favorecessem os contribuintes autuados. O mecanismo foi restabelecido em 2023, com novas regras legais.

Para o sindicato, o episódio mostra como alterações institucionai s podem afetar a administração tributária e a resolução de disputas envolvendo recursos públicos.

NOTA DO SINDIFISCO

Leia a íntegra:

&#8220;Nota do Sindifisco Nacional em defesa da Receita Federal, de seus servidores e da autonomia das instituições

&#8220;O Sindifisco Nacional, entidade representativa dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil, reafirma, neste momento de definição dos rumos políticos do país, a importância da independência técnica dos órgãos de Estado, da proteção aos servidores públicos no exercício de suas atribuições e do respeito à organização coletiva dos trabalhadores.

&#8220;A história recente da Receita Federal, em especial durante o governo de Jair Bolsonaro, oferece exemplos concretos dos riscos que surgem quando interesses políticos e particulares interferem no funcionamento das instituições.

&#8220;Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu no caso das joias milionárias trazidas da Arábia Saudita e retidas pela fiscalização aduaneira no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Na época, o próprio sindicato ressaltou a coragem e a conduta exemplar dos Auditores-Fiscais que resistiram a pressões para viabilizar a liberação das peças, mesmo diante de pressões provenientes da própria estrutura hierárquica do órgão.

&#8220;Consideramos que episódios como esse são gravíssimos e não devem se repetir, pois evidenciam uma questão fundamental: nenhum Auditor-Fiscal deve ser colocado diante da necessidade de escolher entre cumprir a lei e atender a interesses particulares de autoridades públicas. A autonomia técnica, as prerrogativas funcionais e a segurança no exercício do cargo são garantias indispensáveis à atuação da Receita Federal do Brasil.

&#8220;As investigações sobre a chamada Abin Paralela também trouxeram à tona outras formas ingerência no órgão que ocorreram na época. Relatório da Polícia Federal descreveu iniciativas destinadas à obtenção de informações comprometedoras sobre servidores relacionados às investigações das chamadas “rachadinhas”. Houve, ainda, interferências políticas na Inteligência e na Corregedoria da Receita Federal, instâncias cuja independência é essencial tanto à apuração de irregularidades quanto à proteção contra perseguições funcionais.

&#8220;A relevância dessas garantias torna-se, ainda, mais evidente diante da dimensão alcançada pelo combate ao crime organizado. Operações como a Carbono Oculto demonstram a importância da inteligência fiscal na identificação de estruturas de lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e financiamento de organizações criminosas. A atuação integrada da Receita Federal com outros órgãos de investigação e fiscalização permite alcançar estruturas econômicas complexas e movimentações financeiras bilionárias.

&#8220;Esse trabalho exige conhecimento especializado, cooperação institucional e, sobretudo, condições para que os Auditores-Fiscais investiguem e fiscalizem sem ameaças, constrangimentos ou interferências indevidas, mesmo que se identifique o envolvimento de autoridades públicas. Proteger esses profissionais significa proteger a capacidade do Estado de enfrentar organizações criminosas e assegurar o cumprimento da legislação tributária e aduaneira.

&#8220;Também no campo do contencioso tributário, decisões tomadas na gestão de Jair Bolsonaro alteraram significativamente o funcionamento das instituições. Em 2020, a extinção do voto de qualidade no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) modificou as regras dos julgamentos administrativos, garantindo vitória aos autuados sempre que o julgamento terminasse empatado. O mecanismo do voto de qualidade para o presidente das turmas foi restabelecido em 2023, com novas disposições legais. O episódio demonstra como mudanças nas regras institucionais podem afetar a atuação da administração tributária e a resolução de controvérsias envolvendo recursos públicos.&#8221;

Reportagem completa: https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/contra-flavio-sindifisco-fala-em-risco-de-ingerencia-na-receita-federal/

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