“Não tem ninguém mais para ser ressarcido” , declarou o ministro em entrevista ao Poder360 .
Wolney afirmou que o prazo para contestação dos descontos foi ampliado duas vezes e terminou em 20 de junho. Como o procedimento dependia da iniciativa dos beneficiários, Wolney disse que o governo considera ter alcançado todos os que apresentaram as informações necessárias.
O ministro afirmou que a administração federal montou uma estrutura para devolver os valores em parcela única e corrigidos, sem exigir que cada prejudicado entrasse na Justiça. Segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inicialmente queria que o ressarcimento fosse feito com dinheiro recuperado dos fraudadores.
Wolney disse que o governo decidiu antecipar os pagamentos com recursos da União porque a recuperação dos valores poderia levar meses ou anos. Ao mesmo tempo, a AGU (Advocacia Geral da União) já havia bloqueado mais de R$ 6 bilhões para ressarcir os cofres públicos, segundo o ministro.
Wolney afirmou que os descontos associativos indevidos começaram em 2017 ou 2018 e ganharam força durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), a partir de 2019.
Segundo ele, o esquema se institucionalizou naquele período e os mecanismos de alerta que deveriam identificar irregularidades foram desligados, o que atrasou a atuação dos órgãos de controle.
O ministro disse que não tinha conhecimento prévio da dimensão das fraudes. Ele reconheceu que uma conselheira havia mencionado uma possível anormalidade em uma reunião do Conselho Nacional de Previdência, mas afirmou que o volume de descontos surpreendeu os integrantes do conselho e o próprio governo.
Para Wolney, a descoberta do esquema se deu graças à atuação da Polícia Federal e da CGU (Controladoria Geral da União) durante o governo Lula. Ele afirmou que os órgãos tiveram autonomia para investigar e identificar os responsáveis.
O ministro também declarou que a AGU busca recuperar os recursos e que o fortalecimento da inteligência previdenciária é uma das prioridades da gestão.
Wolney afirmou que o governo suspendeu os descontos associativos e que o Congresso Nacional posteriormente extinguiu esse tipo de cobrança por lei. Segundo ele, a mudança impede a repetição desse mecanismo específico.
O ministro declarou, no entanto, que isso não elimina o risco de novas fraudes por outros meios. Para combatê-las, defendeu o fortalecimento da inteligência previdenciária, da transparência e da governança, além da atuação conjunta com a Polícia Federal.
Ele afirmou que o INSS movimenta mais de R$ 1 trilhão por ano e, por isso, é alvo de organizações interessadas em fraudar o sistema. Wolney disse que a gestão busca restabelecer a credibilidade da Previdência e ampliar a capacidade de detectar irregularidades antes que provoquem prejuízos aos beneficiários.

