Street Fighter: o começo da franquia
O primeiro jogo da série foi lançado em 1987 para os fliperamas. Na época, as suas máquinas foram um grande sucesso, especialmente por apresentarem ataques especiais com comandos e seis botões de ataque, o que ainda não era padrão nos jogos de luta.
O seu formato era muito diferente do que se conhece atualmente na franquia. Além das barras de vida uma sobre a outra, era possível controlar apenas o Ryu (ou o Ken no caso do segundo jogador) contra dez oponentes, dois em cada país. Infelizmente, esses outros personagens não eram jogáveis, inclusive nomes que apareceram posteriormente, como Adon, Gen e o chefe final, Sagat.
Em sua versão Deluxe, a qual não se popularizou, o fliperama utilizava apenas dois botões sensíveis à pressão para determinar a força dos ataques – Imagem: Sora Neri / Acervo Histórico Capcom Arcade
Apesar de seu grande sucesso nos fliperamas, o primeiro Street Fighter não teve muitos ports para os consoles. O TurboGrafx-CD foi o único videogame que recebeu uma versão do game na época, embora diversos home computers (ZX Spectrum, Amiga, Amstrad CPC, Atari ST e Commodore 64) e PCs com MS-DOS tivessem ports do jogo.
Street Fighter II: o boom dos jogos de luta
Street Fighter II: The World Warrior – Imagem: Reprodução / Capcom
Street Fighter II: The World Warrior, lançado em 1991, foi o jogo que alavancou a franquia. O seu sucesso se deve às suas inúmeras inovações: gráficos melhores, controles precisos, jogabilidade extremamente dinâmica, oito personagens jogáveis com diferentes ataques especiais e quatro chefes.
O game teve mais quatro versões distintas lançadas ainda na década de 90, que vinham com novidades em diversos aspectos, de acordo com cada uma:
Street Fighter II: Champion Edition, lançado em março de 1992, trouxe um rebalanceamento dos personagens, além de tornar os quatro chefes jogáveis.
Street Fighter II Turbo: Hyper Fighting, lançado em dezembro de 1992, é basicamente uma melhora na jogabilidade, com novos ataques especiais para os personagens e uma jogabilidade mais rápida (inclusive com escolha da velocidade do jogo).
Super Street Fighter II: The New Challengers, lançado em setembro de 1993, foi a versão que estreou Cammy, assim como outros personagens clássicos (Fei Long, Dee Jay e T. Hawk), enquanto também veio com aprimoramentos nos gráficos e no áudio.
Super Street Fighter II Turbo, lançado em fevereiro de 1994, foi a versão em que foram introduzidos os supers, assim como o personagem Akuma (Gouki no Japão) – que não era jogável, mas sim um chefe secreto no final do jogo.
Street Fighter II Turbo HD Remix – Imagem: Reprodução / Capcom
Além dessas versões, Street Fighter II teve vários relançamentos. Dentre eles, um dos maiores destaques foi Super Street Fighter II Turbo HD Remix, com gráficos completamente refeitos em HD, inclusive dos personagens e cenários.
Street Fighter Alpha: uma nova cara para a série
Street Fighter Alpha – Imagem: Reprodução / Capcom
Com seu primeiro game lançado em 1995, Street Fighter Alpha (Zero no Oriente) foi uma grande inovação para a série. Gráficos totalmente refeitos (com o mesmo estilo de Darkstalkers e X-Men: Children of the Atom), adição de novos superataques (com três barras de super e três níveis distintos para cada super) e combos mais dinâmicos foram as maiores inovações.
A história dos jogos se passa antes do segundo jogo, com os personagens mais novos e a adição de alguns personagens de Final Fight, além de ter Akuma como jogável. Tudo isso ao longo de três jogos que foram lançados entre 1995 e 1998, enquanto a personagem Karin foi adicionada apenas no terceiro jogo.
Street Fighter Alpha 3 – Imagem: Reprodução / Capcom
A série Alpha foi um grande sucesso, e seus jogos foram portados para os maiores consoles da época (até mesmo uma versão limitada do segundo jogo para o SNES). O design e o gráfico dos personagens também ganharam continuidade e foram usados em praticamente todos os jogos da série VS, até o Marvel vs. Capcom 2 de 2000.
Street Fighter III: um recomeço polêmico
Street Fighter III: New Generation – Imagem: Reprodução / Capcom
Street Fighter III: New Generation foi lançado em 1997 para os fliperamas e é uma sequência direta do segundo jogo. Essa sequência descartou praticamente todos os personagens de Street Fighter II, exceto por Ryu e Ken, enquanto os supers se tornaram selecionáveis entre três opções.
São mudanças que não foram bem recebidas, o que até foi suavizado com a adição de Chun-Li e Akuma nos jogos posteriores. No total, foram lançadas três versões de Street Fighter III, com a sua última – Street Fighter III: 3rd Strike – lançada em 1999 para os fliperamas e para Dreamcast no ano seguinte.
Street Fighter III: 3rd Strike – Imagem: Reprodução / Capcom
Foi em uma partida do 3rd Strike que aconteceu um dos momentos mais épicos dos jogos de luta: na semifinal da EVO 2004, o jogador Daigo usou o parry (uma mecânica que exige timing preciso e é bastante punitiva ao errar) nos 15 ataques do super da Chun-Li, o que culminou na virada da partida e na vitória do player.
Street Fighter IV: de volta às origens
Foram 9 anos entre Street Fighter III e IV, mas uma espera que valeu a pena. O game estreou em 2008 com gráficos totalmente 3D, mas mantinha a movimentação e jogabilidade em 2D, enquanto superataques apresentavam cenas com diferentes ângulos e perspectivas, praticamente cinematográficas (dessa vez com dois supers com barras separadas).
Essas adições não só foram extremamente bem recebidas pelo público, como inspiraram outros jogos de luta a seguir o mesmo caminho, como Mortal Kombat e, posteriormente, Guilty Gear. O sucesso também garantiu um segundo jogo – Super Street Fighter IV – com ainda mais personagens e novos supers para todos os personagens.
Apesar da popularidade do jogo, a maioria dos novos personagens não retornou à série. Dentre eles, apenas Crimson Viper e Juri realmente tiveram destaque e retornaram nos games posteriores.
Street Fighter V: adaptado aos tempos atuais
Street Fighter V foi lançado em 2016, dessa vez apenas para PlayStation 4 e Windows. Em ambas as plataformas, o game estreou com 16 personagens no seu lançamento – quatro deles completamente novos – enquanto 30 outros foram lançados ao longo das temporadas, através de DLCs.
O formato de DLC foi uma grande mudança na franquia, que deixou de usar o modelo de versões visto desde Street Fighter II. Outras mudanças foram os seus gráficos – agora até com animações diferenciadas para ataques bloqueados – e a adição do V-System. Essa nova mecânica é praticamente um aprimoramento do que já fora visto em Darkstalkers, com seu Dark Force, mas agora com cada personagem possuindo habilidades e modos totalmente singulares.
O jogo também apresentou um foco maior no multiplayer, especialmente o competitivo, com um sistema de ranqueamento e até gravações das partidas online frame a frame, o que facilitava a análise da performance dos jogadores.
Mas, mesmo com tantas novidades, a recepção de seu lançamento não foi tão boa quanto a do jogo anterior. As críticas giravam em torno da falta de conteúdo do jogo – principalmente no single-player – da presença de poucos personagens e da instabilidade do seu modo online.
Street Fighter 6: foco nos eSports
Desde seu teaser, em 2022, já estava claro que Street Fighter 6 era desenhado com os esportes eletrônicos em vista. É uma informação confirmada até mesmo por Haruhiro Tsujimoto, presidente da Capcom, em entrevista à Famitsu.
Lançado em 2023, Street Fighter 6 estreou com 18 personagens, seis novos. Mesmo aqueles que retornaram apresentaram um design completamente novo, inspirado no hip-hop e em outras culturas urbanas. Apesar dessa grande mudança, o seu maior destaque está em suas novas mecânicas.
O Drive System é uma junção de diversas mecânicas vistas anteriormente na série. Golpes com armadura, parries, reversals, investidas “combáveis” e golpes especiais aprimorados, todos consomem a barra de Drive. Mas, ao zerar a barra, o personagem entra em burnout e fica mais vulnerável: bloqueios custam vida, golpes defendidos deixam o personagem suscetível e ele é paralisado ao ser jogado contra a parede. É um sistema que combina agressividade, paciência, tática, risco e recompensa, o que cria embates dinâmicos e envolventes, inclusive para quem assiste.
Todas essas mudanças fizeram com que Street Fighter 6 recebesse reconhecimento universal, tanto pela crítica quanto pelo público. Outro ponto que ambos aclamaram foi o modo World Tour, no qual o jogador cria um personagem do zero e progride na história, enquanto adquire golpes e habilidades características da franquia.
Outros jogos de Street Fighter
Além dos jogos principais, Street Fighter também trouxe uma grande quantidade de jogos secundários. Um dos primeiros foi Super Puzzle Fighter II Turbo, que combina personagens do Street Fighter e Darkstalkers, todos em SD (Super Deformed), em um Tetris competitivo 1×1. O seu sucesso garantiu o lançamento de Super Gem Fighter Mini Mix (Pocket Fighter no Japão), um game de luta com controles simplificados com apenas três botões e as gemas, anteriormente de Super Puzzle Fighter, como aprimoramentos aos ataques especiais.
Super Puzzle Fighter II Turbo – Imagem: Reprodução / Capcom
Outro destaque são os jogos da série EX, desenvolvidos pela Arika. A empresa desenvolveu três jogos, todos em 3D – com alguns movimentos em três dimensões (como nos jogos do Tekken ) – a introdução de superataques canceláveis e personagens inéditos. A maioria deles – nomes como Allen, Kairi, Skullomania, Hokuto e Garuda – retornou em Fighting EX Layer, também desenvolvido pela Arika, em 2018.
Ao longo desses quase 40 anos, a franquia Street Fighter trouxe muitas mudanças. Suas novidades não apenas afetaram a série, mas também todo o gênero dos jogos de luta. O que nos mostra que Street Fighter é muito mais do que uma franquia de jogos, mas um grande modelo e inspiração para os videogames.
O post Dos arcades aos eSports: relembre a franquia Street Fighter apareceu primeiro em Olhar Digital .

