# Entre fãs e publishers: o verdadeiro valor da BGS para desenvolvedores

- Seção: Tecnologia
- Fonte: Olhar Digital (https://olhardigital.com.br/2026/10/15/games-e-consoles/bgs-2026-qual-e-o-verdadeiro-valor-da-feira-para-desenvolvedores-de-games/)
- Publicado em: 2026-10-15T17:59:38.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1196075-entre-fas-e-publishers-o-verdadeiro-valor-da-bgs-para-desenvolvedores

> Para a maioria das pessoas, a Brasil Game Show representa a oportunidade de experimentar jogos, conhecer influenciadores, participar de atividades e acompanhar lançamentos.

Mas, para quem trabalha desenvolvendo jogos, a experiência é completamente diferente.

É a oportunidade de observar tendências, conhecer profissionais, reencontrar parceiros, apresentar projetos e, principalmente, estabelecer conexões que podem resultar em negócios.

Menos gigantes, mais espaço para os independentes

Não é de hoje que a BGS não tem presença confirmada das 3 maiores empresas de jogos, Nintendo , Microsoft e PlayStation , juntas no evento. Este ano, não foi diferente, com apenas a presença da Nintendo no centro das atenções e com estandes menores de SEGA e Square Enix, um grande espaço se abriu para os jogos indies, que fizeram filas de jogadores, ávidos por algum entretenimento durante a feira. Assim, beneficiaram-se empresas que estavam vendendo mídias físicas de seu jogo, caso de Infinitevania, que quase zerou seu estoque, e o jogo Aviãozinho do Tráfico, que vendeu tudo o que tinha.

Outras empresas, como a argentina Purple Tree, aproveitaram o momento de atenção, para deixar seu jogo Baki Hanna Blood Arena em promoção no evento para estimular a venda do jogo nos consoles.

Um exemplo interessante de como a BGS pode ser utilizada para promover jogos independentes foi a participação da KOCCA (Korea Creative Content Agency), agência governamental sul-coreana responsável por fomentar a indústria de conteúdo criativo do país. A entidade trouxe quatro jogos desenvolvidos na Coreia do Sul: Backroom Cleaners , Vanran , Tower of Babel: Survivors of Chaos e GhostM Global , permitindo que os visitantes experimentassem gratuitamente os títulos. Mas a estratégia foi além da simples exposição dos jogos. A KOCCA promoveu uma ação em que os visitantes podiam concorrer a brindes, incluindo controles de videogame e produtos coreanos, ao adicionarem os quatro títulos às suas listas de desejos ( wishlists ). Essa iniciativa demonstra como a participação em eventos pode ser utilizada não apenas para apresentar jogos ao público, mas também para gerar resultados concretos de marketing, aumentando a visibilidade dos projetos nas plataformas digitais e criando uma base de potenciais compradores antes mesmo de seus lançamentos.

O valor de colocar um jogo nas mãos do público

Para um desenvolvedor, uma das experiências mais valiosas de participar de um evento como a BGS é observar o público jogando seu projeto. Durante meses, ou até anos, uma equipe trabalha em um jogo, testa suas mecânicas, ajusta sua dificuldade e toma decisões sobre o que acredita ser a melhor experiência para os jogadores. Entretanto, existe uma diferença enorme entre testar um jogo dentro do estúdio e colocá-lo nas mãos de alguém que nunca teve contato com ele.

É nesse momento que surgem algumas das descobertas mais importantes. Uma mecânica que parecia intuitiva pode se mostrar confusa, um desafio considerado simples pode frustrar jogadores e uma funcionalidade que a equipe julgava secundária pode acabar se tornando uma das favoritas do público.

E não se trata apenas de perguntar aos visitantes se gostaram do jogo. Muitas vezes, observar suas reações, perceber onde encontram dificuldades e entender o que desperta seu interesse oferece informações muito mais valiosas do que um simples questionário.

Existe também um aspecto comercial importante. Para um estúdio independente, conseguir que centenas de pessoas experimentem seu jogo pode representar uma oportunidade de começar a construir uma comunidade, divulgar o projeto nas redes sociais e conquistar potenciais compradores antes mesmo do lançamento.

É claro que participar de uma feira dessa dimensão envolve custos, especialmente para equipes pequenas, que precisam considerar deslocamento, hospedagem, montagem do estande e os dias de trabalho dedicados ao evento. Por isso, é fundamental que o desenvolvedor tenha objetivos claros ao decidir participar.

Se a intenção é validar mecânicas, compreender o comportamento dos jogadores ou apresentar um projeto ao público, a BGS pode oferecer um retorno bastante significativo, mesmo que nenhum contrato comercial seja fechado durante o evento.

Talvez esse seja um dos maiores valores da BGS para os desenvolvedores independentes: não apenas mostrar seus jogos para milhares de pessoas, mas descobrir como essas pessoas realmente se relacionam com aquilo que criaram.

Networking ou reencontro de conhecidos?

Participar de eventos da indústria de games sempre foi uma das principais formas de construir relacionamentos profissionais. Depois de tantos anos trabalhando nesse mercado, é natural que uma visita a uma feira como a BGS represente também uma oportunidade de reencontrar antigos colegas, parceiros comerciais e profissionais com quem já trabalhei.

E foi exatamente isso que aconteceu nesta edição.

Durante os dias em que estive no evento, encontrei diversas pessoas que já conhecia ou que, de alguma forma, já conheciam meu trabalho. Foram conversas interessantes, reencontros importantes e oportunidades de atualizar contatos profissionais. Entretanto, ao final da feira, percebi algo curioso: praticamente não havia conhecido ninguém novo.

Isso me fez refletir sobre o verdadeiro papel da BGS como ambiente de networking.

Para quem já possui uma rede consolidada de contatos, eventos como esse funcionam naturalmente como pontos de encontro. Mas, para um desenvolvedor independente que está começando sua trajetória, a experiência pode ser completamente diferente.

Estar fisicamente no mesmo evento que profissionais da indústria não significa necessariamente ter acesso a eles. E disponibilizar uma área de negócios não garante que novas conexões aconteçam.

O desafio não é apenas reunir desenvolvedores, publishers e investidores no mesmo espaço, mas criar condições para que essas pessoas efetivamente se encontrem.

Afinal, uma feira que pretende contribuir para o crescimento da indústria precisa oferecer oportunidades não apenas para quem já faz parte dela, mas também para quem está tentando entrar.

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