O ataque foi o primeiro, no atual conflito entre os houthis — alinhados ao Irã — e a ‌Arábia Saudita, contra o palácio al-Maashiq, em Áden, sede do governo iemenita apoiado pela Arábia Saudita e reconhecido internacionalmente. O conflito é um novo palco na guerra regional mais ampla que teve início com os ataques dos EUA e de Israel ao Irã em fevereiro.

O primeiro-ministro e os membros do gabinete do governo estavam a salvo após o ataque, afirmou o ministro da Informação do Iêmen, Moammar al-Eryani. Testemunhas ⁠relataram ‌à Reuters que ouviram fortes estrondos perto do palácio. O gabinete do Iêmen informou que o ⁠ataque envolveu mísseis e drones, e autoridades disseram à Reuters que dois guardas foram mortos.

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O porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, disse que os houthis bombardearam o que ele descreveu como o quartel-general das operações militares sauditas em Áden, como parte da política declarada do grupo de atacar “reforços sauditas onde quer que estejam localizados”.

A agência de notícias SABA, controlada pelos houthis, informou ​que o quartel-general era comandado por oficiais sauditas e que havia depósitos de armas no local. A Reuters não conseguiu verificar essas alegações de forma independente.

Os novos combates entre os houthis ​e as forças apoiadas pela Arábia Saudita recomeçaram no Iêmen no mês passado, e agências humanitárias alertaram para o rápido agravamento das condições.

Na semana passada, as forças governamentais lançaram uma campanha para recapturar áreas controladas pelos houthis, recuperando território próximo ao Estreito de Bab el-Mandeb, uma artéria global do transporte marítimo.

Moradores de Taiz, a noroeste de Áden, afirmaram que enfrentam bombardeios cada vez mais intensos e ‌escassez de suprimentos, à medida que os houthis reforçam seu controle ​sobre áreas ao redor da cidade, a terceira maior do Iêmen.

A guerra eclodiu no Iêmen em 2014, quando os houthis tomaram a capital, Sanaa, forçando o governo a se retirar para o sul. Uma intervenção militar liderada pela Arábia Saudita ⁠no ano seguinte levou a um impasse ​sangrento, antes de um ​acordo de trégua em 2022 que se manteve até este ano.

Com a Arábia Saudita apoiando as forças governamentais, os houthis têm disparado ⁠mísseis balísticos e drones contra aeroportos, portos e instalações ​petrolíferas sauditas, transformando a Arábia Saudita — uma aliada dos EUA — em um ponto de pressão no conflito mais amplo e ameaçando seus ambiciosos planos econômicos.

Na quinta-feira, a coalizão militar liderada pelos sauditas informou que os houthis tentaram ​atacar dezenas desses locais, evidenciando o risco para a infraestrutura civil saudita. O conselho diretor da Organização da Aviação Civil Internacional, ligada à ONU, condenou os recentes ataques ​a aeroportos civis, aeronaves e infraestrutura ⁠de aviação na Arábia Saudita.

O porta-voz da coalizão, Turki al-Maliki, informou aos repórteres que os houthis realizaram 20 ataques ao Aeroporto Internacional ⁠Rei Khalid, em Riad, neste mês, deixando 17 mortos e 333 feridos. O aeroporto é um dos principais centros de aviação internacional da Arábia Saudita.

A coalizão afirmou que ataques houthis ao aeroporto de Abha, no sudoeste da Arábia Saudita, próximo à fronteira com o Iêmen, resultaram na morte de três pessoas e deixaram 28 feridas.

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