As ações da B3 acumulam alta de 50% desde o fim de agosto, movimento impulsionado pela melhora das expectativas para o mercado brasileiro após o primeiro turno das eleições presidenciais. Embora parte desse cenário mais favorável já esteja refletida nos preços, o UBS BB avalia que ainda há espaço para valorização.

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A atividade de negociação ganhou força em setembro, quando o volume financeiro médio diário alcançou R$ 33 bilhões, alta de 46% em relação ao mesmo mês de 2025. No primeiro pregão após a eleição, o volume chegou a R$ 103 bilhões. Em outubro, a média diária está em R$ 62 bilhões, enquanto o fluxo estrangeiro registra saldo positivo de R$ 13 bilhões no mês.

Segundo o banco, a expansão do valor de mercado das ações pode sustentar volumes maiores, com potencial adicional caso a rotatividade dos papéis se recupere. O UBS BB também elevou suas projeções de lucro para 2027 a 2030 em cerca de 9%.

Prévia do terceiro trimestre

A B3 deve registrar lucro líquido de R$ 1,6 bilhão no terceiro trimestre de 2026, alta de 29% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo as estimativas do UBS BB. O resultado inclui o efeito de uma distribuição extraordinária de R$ 750 milhões em juros sobre o capital próprio (JCP). Sem esse impacto, a projeção é de lucro de R$ 1,3 bilhão, avanço anual de 6%.

A receita líquida deve crescer 10% na comparação anual, enquanto a margem Ebitda, indicador de rentabilidade operacional, deve ficar em 68,3%, estável em relação ao trimestre anterior.

Os dados operacionais de setembro mostram que o volume financeiro médio diário negociado no trimestre foi de R$ 28,6 bilhões, alta de 26% em um ano, mas queda de 13% ante o segundo trimestre. O desempenho ainda foi afetado pela atividade mais fraca em julho, apesar da recuperação nos dois meses seguintes.

O volume médio diário de contratos atingiu 9,9 milhões, crescimento anual de 7%, e as receitas somaram R$ 765 milhões.

Projeções de lucro sobem

O UBS BB elevou em cerca de 20% as estimativas de volume financeiro médio diário para 2027 e 2028, para R$ 39,6 bilhões e R$ 43,2 bilhões, respectivamente. A revisão considera principalmente o aumento do valor de mercado das ações e uma recuperação gradual da rotatividade, especialmente entre investidores pessoas físicas e instituições financeiras.

As projeções para o volume médio diário de contratos também subiram cerca de 5%. Com isso, as estimativas de receita para 2027 e 2028 aumentaram aproximadamente 6%, enquanto o impacto positivo sobre o lucro líquido estimado é de cerca de 9%.

O banco prevê lucro líquido ajustado de R$ 6,4 bilhões em 2027, alta de 14% em relação a 2026, e de R$ 6,7 bilhões em 2028, avanço de 5%.

A revisão do preço-alvo reflete tanto as estimativas operacionais mais elevadas quanto a redução do custo de capital, associada à queda dos rendimentos dos títulos. O banco passou a utilizar um múltiplo de 17,7 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, ante 13,5 vezes na avaliação anterior.

Com base nas novas projeções, a B3 negocia a 17,4 vezes o lucro estimado para 2027. O banco lembra que, durante o último ciclo positivo do mercado brasileiro, a companhia chegou a ser negociada perto de 25 vezes o lucro.

Apesar da forte valorização recente, o BofA mantém a avaliação de que a B3 pode se beneficiar de um ambiente de juros menores, maior atividade no mercado de capitais e eventual melhora das condições fiscais brasileiras.

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