Desde o primeiro turno, realizado em 4 de outubro, o Ibovespa acumula alta de cerca de 8%, enquanto o ETF MSCI Brazil (EWZ) avança quase 15% em dólares. Segundo o Goldman, a melhora das perspectivas políticas após o desempenho acima do esperado de candidatos conservadores e a liderança de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial desencadearam uma forte queda dos juros de longo prazo, principal motor da recuperação dos ativos locais.

De acordo com o banco, aproximadamente 85% da alta do Ibovespa desde a eleição pode ser explicada pelo recuo das taxas longas de juros.

As small caps e ações sensíveis à queda dos juros, que avançaram entre 15% e 25% após a votação, eliminaram parte do desconto acumulado antes da eleição, mas os movimentos ainda são considerados compatíveis com precedentes históricos diante da queda de cerca de 150 pontos-base nas taxas de cinco anos.

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O Goldman afirma que experiências passadas sugerem potencial para uma nova rodada de valorização caso haja maior clareza sobre a condução econômica do próximo governo. Após as eleições de 2018, por exemplo, o Ibovespa avançou cerca de 15% nos seis meses seguintes ao segundo turno, enquanto small caps e ações mais expostas aos juros registraram ganhos de 30% a 40%.

O banco também cita exemplos recentes de outros mercados emergentes, ressaltando que eleições consideradas favoráveis ao mercado na Colômbia e na Hungria foram seguidas por altas de 15% a 20% das Bolsas locais nos primeiros meses após a votação. Já o caso da África do Sul mostrou, segundo os analistas, que a sustentação do rali depende da implementação efetiva de políticas fiscais responsáveis.

Apesar da recente recuperação, o Goldman destaca que as ações brasileiras ainda negociam em níveis considerados intermediários. O Ibovespa está cotado a cerca de 9,6 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, próximo do valor justo estimado pelo banco. Além disso, os fluxos estrangeiros, embora tenham acelerado nas últimas semanas, continuam abaixo dos observados em outros ciclos eleitorais, sugerindo espaço para novas entradas de capital. Apenas na semana da eleição, investidores estrangeiros realizaram compras líquidas superiores a US$ 2 bilhões na Bolsa brasileira.

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O banco manteve sua projeção de 215 mil pontos para o Ibovespa, mas avalia que anúncios de reformas fiscais ou medidas que provoquem nova queda dos juros podem elevar o índice para cerca de 225 mil pontos.

Bancos, Bolsa e small caps são os favoritos

Para capturar uma potencial continuidade do rali, o Goldman recomenda exposição a empresas mais sensíveis aos juros, small caps e setores domésticos selecionados. Entre os principais beneficiários de um cenário de queda adicional das taxas estão bancos, companhias ligadas ao mercado de capitais e empresas voltadas ao mercado interno.

Segundo os analistas, esses segmentos combinam elevada sensibilidade à redução dos juros, crescimento de lucros acima da média nos próximos anos e valuations ainda atrativos.

O banco, porém, faz uma ressalva: embora empresas mais endividadas tenham se beneficiado fortemente do recente movimento de queda dos juros, companhias com balanços mais frágeis permanecem mais vulneráveis a cortes de lucros em um ambiente de desaceleração econômica.

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