Funcionária do Hospital São Vicente de Paulo (HSV) , em Jundiaí (SP) , há 13 anos, Adriana encontrou esse apoio no próprio ambiente de trabalho. Sua companheira de jornada atua no setor de Higiene da instituição e também passou por um tratamento contra o câncer.
A experiência em comum aproximou as duas. Afinal, ambas conheciam os medos, as incertezas e as mudanças que acompanham o diagnóstico.
“Uma dava apoio para a outra. Sempre estávamos conversando e perguntando: ‘E aí, você está bem?’”, relembra Adriana.
Mais do que compartilhar experiências, elas encontraram uma forma de enfrentar os momentos difíceis sem se sentirem sozinhas.
“Ter uma rede de apoio é muito importante para encarar a doença de uma forma diferente. Dar força uma para a outra, incentivar uma à outra, mostrar que tudo isso é uma fase que alguém teve que passar. Isso fortalece a todas nós”, ressalta.
Para Adriana, a amizade mostrou que o acolhimento também está nos pequenos gestos. Uma conversa, uma pergunta sincera ou a presença de alguém disposto a ouvir podem tornar a caminhada menos solitária.
Adriana encontrou apoio na família, amigos e outras mulheres que também enfrentaram o câncer de mama (Foto: Divulgação/Hospital São Vicente)
O diagnóstico de câncer de mama e o início de uma nova jornada
A história de Adriana com o câncer começou em janeiro de 2025 . Acostumada a realizar exames de acompanhamento desde os 40 anos, ela procurou atendimento e recebeu uma notícia inesperada.
Durante a consulta, sua médica identificou um pequeno nódulo na mama e decidiu investigar a alteração.
“Em janeiro de 2025, a doutora Denise realizou um exame das mamas e identificou um pequeno nódulo diferente. Diante da alteração, decidiu investigar”, conta.
Após uma série de exames, a biópsia confirmou um tumor maligno do tipo triplo negativo .
A notícia trouxe tristeza e preocupação. Ainda assim, Adriana decidiu concentrar suas forças no tratamento.
“Quando recebi o diagnóstico, fiquei muito triste, mas pensei: se eu me abalar, não vai adiantar. Eu sabia que tinha cura”, relata.
Em agosto de 2025 , ela iniciou a quimioterapia. Inicialmente, o tratamento previa quatro sessões com o medicamento conhecido como “vermelho”, seguidas de outras 12 com o “branco”.
Entretanto, a queda da imunidade exigiu mudanças no cronograma. Por isso, Adriana concluiu a quimioterapia apenas em fevereiro de 2026 .
No mês seguinte, passou por uma cirurgia para retirada de um quadrante da mama. Já em julho, iniciou a radioterapia, concluída no começo de agosto.
Ao longo dessas etapas, contou com a presença de familiares e amigos. Além disso, manteve o vínculo com a colega de trabalho, que compreendia os desafios da doença por experiência própria.
Quando o apoio de outra mulher faz a diferença
A convivência com alguém que também enfrentou o câncer trouxe a Adriana uma oportunidade de compartilhar sentimentos e experiências.
As duas se apoiavam por meio de conversas e demonstrações de preocupação. Dessa forma, encontraram conforto em uma relação construída a partir da compreensão mútua.
Para Adriana, oferecer força a outra mulher também representava uma maneira de fortalecer a si mesma.
A experiência reforçou a importância de respeitar os sentimentos de cada paciente. Enquanto algumas mulheres preferem conversar sobre a doença, outras precisam de silêncio e espaço.
Por isso, o apoio não significa ter respostas para todas as dúvidas. Muitas vezes, significa apenas estar presente, ouvir e respeitar o tempo de quem enfrenta o tratamento.
A história das duas funcionárias mostra como a solidariedade pode fazer parte do cuidado, mesmo fora dos consultórios.
Hospital São Vicente acompanha mais de 1,7 mil pacientes com câncer de mama
Além das histórias de acolhimento, o HSV mantém uma estrutura de atendimento oncológico para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) .
Atualmente, a instituição acompanha 1.741 pacientes com câncer de mama . Em 2026, 680 novos pacientes com esse diagnóstico iniciaram acompanhamento no hospital.
No mesmo período, o hospital 2.332 sessões de quimioterapia, 2.340 sessões de radioterapia e 227 cirurgias de mama .
Rede de apoio durante o tratamento é fundamental para o enfrentamento da doença (Foto: Divulgação/Hospital São Vicente)
Os números representam diferentes etapas do cuidado oferecido às pacientes que enfrentam a doença.
Durante o Outubro Rosa , a instituição reforça que o tratamento envolve mais do que procedimentos médicos. O acolhimento, a escuta e a presença de pessoas próximas também são importantes ao longo da jornada.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA) , a identificação precoce de alterações suspeitas é fundamental para ampliar as possibilidades de tratamento.
Uma mensagem de força para outras mulheres
Depois de enfrentar meses de exames, quimioterapia, cirurgia e radioterapia, Adriana guarda uma lição sobre a importância das pessoas que estiveram ao seu lado.
O apoio recebido da colega, dos amigos e da família ajudou a tornar os momentos difíceis mais suportáveis.
Agora, ela deseja que sua experiência também sirva de incentivo a outras mulheres que receberam o diagnóstico de câncer de mama.
“Não desista. Se cuide. Tenha fé e acredite que vai dar tudo certo, pois para Deus, tudo é possível”, conclui.

