Líderes da UE reunidos em Bruxelas nesta quinta-feira solicitaram à Comissão Europeia, responsável pelas questões comerciais do bloco, que desenvolva uma proposta até o fim do ano, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. Os novos poderes seriam usados em casos extremos, quando um rival, como a China, fosse considerado responsável por prejudicar a economia europeia.

“Se a China adotar determinadas práticas comerciais desleais, poderemos restringir a entrada de produtos chineses no mercado europeu, incluindo um fechamento completo do nosso mercado”, disse o presidente da Lituânia, Gitanas Nauseda, a jornalistas à margem da cúpula. “Seria uma medida extrema, um instrumento drástico.”

Como parte de um arsenal cada vez maior de instrumentos comerciais, a Comissão Europeia também começou a avaliar dados de comércio como primeiro passo para replicar em outros setores um limite já imposto às importações de veículos híbridos. A medida poderia atingir segmentos nos quais as remessas da China, ou de outros países, estejam avançando rapidamente, disse outra pessoa familiarizada com o tema. A comissão analisa setores como os de produtos químicos e máquinas como potenciais candidatos a medidas de proteção.

As ações de empresas químicas europeias reagiram positivamente. A BASF chegou a subir 0,8%, a Arkema avançou até 1,2% e a Lanxess registrou alta de até 1,8%.

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Um porta-voz da Comissão Europeia não respondeu a um pedido de comentário.

A mudança mais agressiva de postura da UE reflete a crescente preocupação, especialmente na poderosa indústria manufatureira alemã, com a velocidade com que concorrentes chineses estão ampliando sua participação em mercados ao redor do mundo. Autoridades europeias tentam calibrar sua resposta para impedir que a China inunde o continente com produtos de baixo custo sem desencadear uma guerra comercial.

A China afirmou que retaliará caso a UE introduza novas ferramentas comerciais ou restrições discriminatórias contra empresas ou produtos chineses além do limite para veículos híbridos acordado durante negociações realizadas em Pequim na semana passada.

A Alemanha tradicionalmente adota uma postura mais cautelosa em relação à imposição de medidas protecionistas contra a China, devido aos fortes laços comerciais entre sua economia exportadora e Pequim. No entanto, o chanceler alemão Friedrich Merz foi convencido de que uma mudança radical de estratégia é necessária após entidades empresariais pressionarem o governo por medidas de proteção.

“Não ficaremos mais parados enquanto outros países prejudicam nossa economia por meio de subsídios elevados, moedas artificialmente desvalorizadas, excesso de capacidade produtiva e práticas agressivas de preços”, disse Merz em discurso ao Parlamento alemão na quarta-feira. “Quem buscar um conflito comercial conosco descobrirá que agora estamos reagindo, com respostas adequadas.”

O instrumento que poderá ser usado para bloquear o acesso ao mercado único europeu é visto como uma medida de segunda resposta, segundo as fontes. Sua existência teria efeito dissuasório, com o objetivo de impedir que rivais adotem políticas consideradas desleais para enfraquecer empresas europeias ou iniciem uma guerra comercial por meio de retaliações.

Como parte dos esforços para redefinir a relação comercial com a segunda maior economia do mundo, o braço executivo da UE deve apresentar novas propostas antes da cúpula de líderes marcada para meados de dezembro. O pacote também deve incluir mecanismos para incentivar empresas europeias a diversificar fornecedores e medidas voltadas a combater o excesso de capacidade produtiva da China.

O déficit comercial da UE com a China atingiu o recorde de US$ 34,8 bilhões em setembro, enquanto as exportações chinesas avançaram 36% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo a Administração Geral das Alfândegas da China. O superávit comercial anual chinês caminha para superar o recorde de US$ 1,2 trilhão registrado em 2025.

Quaisquer novos limites às importações da UE provavelmente serão baseados no entendimento alcançado com a China para restringir as importações de veículos híbridos a 350 mil unidades por ano, segundo uma das fontes. A ideia é encontrar uma cota suficientemente baixa para proteger empresas europeias, mas alta o bastante para evitar retaliações de Pequim.

Alguns países, incluindo a Alemanha, pressionam a UE para impor rapidamente cotas adicionais a outros tipos de importação, com o objetivo de reduzir o enorme déficit comercial do bloco com a China.

A Comissão Europeia ainda não definiu um cronograma para as novas avaliações de salvaguarda e está concentrada na implementação das medidas relacionadas aos veículos híbridos, segundo as fontes. O acordo com a China também prevê a redução de tarifas chinesas sobre algumas exportações europeias, como autopeças, azeite de oliva e sorvetes.

A UE também busca ampliar o acesso ao mercado chinês e simplificar procedimentos de exportação para minerais críticos e ímãs permanentes.

O chefe da área comercial da União Europeia, Maros Sefcovic, deve revisar os avanços das negociações e discutir os próximos passos com seus interlocutores chineses no início do próximo ano.

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