O presidente do Corinthians, Osmar Stabile, confirmou que não vai mais se candidatar na eleição deste ano. Ele divulgou uma carta aberta para anunciar a decisão, na qual afirma que concorrer "poderia interferir na estabilidade política".
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No cargo desde maio de 2025, devido ao impeachment de Augusto Melo, de quem era vice, Stabile disse que tem prioridade absoluta em "avançar na reorganização financeira do Corinthians, especialmente em questões estratégicas e decisivas para o futuro do Clube, como a importante negociação em andamento com a Caixa Econômica Federal".
— O clube precisa estar acima de qualquer projeto pessoal, e acredito que misturar a condução administrativa deste período com uma disputa eleitoral não seria saudável para a instituição.
Ele declarou ainda que cumprirá o mandato até o fim "com o mesmo compromisso de recuperar a credibilidade do Corinthians, organizar suas contas e fortalecer seus processos administrativos".
— Encerrarei este ciclo com a consciência tranquila de que dei o meu melhor e com a certeza de que seguirei, como sempre, ao lado do Corinthians.
O Corinthians terá cinco candidatos à presidência na eleição marcada para 28 de novembro: André Castro, Ilmar Schiavenato, José Mendes, Rozallah Santoro e Sergio Janikian.
Confira a carta de Osmar Stabile:
Após muita reflexão, decidi que não serei candidato à Presidência do Sport Club Corinthians Paulista na próxima eleição. Não foi uma escolha fácil, mas, neste momento, entendo que minha maior responsabilidade é dedicar toda a energia necessária à conclusão deste mandato e aos desafios que ainda temos pela frente.
Minha prioridade absoluta é avançar na reorganização financeira do Corinthians, especialmente em questões estratégicas e decisivas para o futuro do Clube, como a importante negociação em andamento com a Caixa Econômica Federal. São assuntos que exigem dedicação, responsabilidade e foco integral.
Também considero que uma candidatura neste momento poderia interferir na estabilidade política que o Corinthians necessita. O Clube precisa estar acima de qualquer projeto pessoal, e acredito que misturar a condução administrativa deste período com uma disputa eleitoral não seria saudável para a instituição.
Seguirei trabalhando até o último dia do meu mandato com o mesmo compromisso de recuperar a credibilidade do Corinthians, organizar suas contas e fortalecer seus processos administrativos.
Espero que o próximo presidente tenha a responsabilidade de dar continuidade ao trabalho de reestruturação financeira e administrativa que estamos conduzindo, preservando os interesses do Corinthians acima de qualquer outro. Esse deve ser o compromisso de todos que amam e desejam um futuro mais sólido para o nosso Clube.
O Corinthians faz parte da minha vida, da minha história e daquilo em que acredito. Meu amor pelo Clube sempre esteve e continuará estando acima de cargos, eleições ou interesses pessoais. Encerrarei este ciclo com a consciência tranquila de que dei o meu melhor e com a certeza de que seguirei, como sempre, ao lado do Corinthians, torcendo, contribuindo e desejando que o nosso Clube seja cada vez mais forte, respeitado e à altura da grandeza de sua torcida.
Mudança de posição
Investigado e denunciado pelo Ministério Público e alvo de críticas, Stabile mudou de opinião sobre tentar novo mandato de três anos.
Ele estava inclinado a se candidatar, mesmo com a possibilidade de ser barrado pela Comissão Eleitoral. O estatuto proíbe a candidatura de dirigente que assume a presidência em caso de vacância e permanece no cargo por 18 meses ou mais.
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Osmar Stabile antes de Corinthians x Internacional pela Copa do Brasil
Considerando que Stabile assumiu o cargo em 26 de maio de 2025, com o impeachment de Augusto Melo, os 18 meses seriam completados em 26 de novembro de 2026, dois dias antes do pleito.
O presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, recomendou que Stabile renunciasse ao cargo para não completar o tempo de proibição, o que o presidente chegou a considerar, segundo aliados.
O Ministério Público denunciou Stabile à Justiça por apropriação indébita devido à contratação, com dinheiro do Corinthians, de uma empresa não legalizada na Polícia Federal para fazer a segurança particular dele. O dirigente argumenta que a contratação se deu em razão do cargo.
O MP conduz uma outra investigação, no âmbito criminal, referente à contratação de uma empresa de segurança irregular, aberta em nome de um funcionário do clube, por R$ 676,6 mil.
O promotor Cassio Conserino ainda investiga a relação comercial entre o Corinthians e a empresa responsável pelo programa Fiel da Sorte, em razão do pagamento de R$ 6,9 milhões por serviços que não teriam sido totalmente prestados. O contrato é de agosto de 2023, da gestão de Duílio Monteiro Alves, mas a administração atual só o rompeu neste ano.
No âmbito cível, o Corinthians ainda é investigado em um inquérito do MP que pode resultar em um pedido de intervenção judicial.
Dentro de campo, o clube enfrenta uma crise, com eliminações na Conmebol Libertadores e na Copa do Brasil e oito derrotas consecutivas no Campeonato Brasileiro.
O desabafo recente do zagueiro Gabriel Paulista escancarou a insatisfação dos jogadores com o presidente corintiano. Para o elenco, Stabile não protege o time e não é confiável, porque não dialoga com as lideranças para explicar os atrasos em pagamentos e, quando faz, não cumpre os prazos dos acordos.
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