A lambada, ritmo que dominou as paradas de sucesso nos anos 1980 e fincou suas raízes na identidade cultural do Norte e Nordeste, está vivenciando uma retomada com a banda Lambada Social Club, de Belém.

Após turnê pelo Nordeste, o grupo acaba de registrar o primeiro álbum de estúdio, "Risca o Salão", e já prepara as malas para circular pelas regiões Rio de Janeiro e São Paulo em novembro e dezembro deste ano. O disco está disponível nas principais plataformas de streaming de música.

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O trabalho foi gravado em quatro dias no estúdio DoSol, em Natal (RN), durante uma residência artística promovida pelo Festival do Sol. Para a banda, o intercâmbio cultural com produtores nordestinos trouxe um novo fôlego para a sonoridade do projeto, que une a guitarrada, o brega e as influências caribenhas.

"Gravar no DoSol foi muito importante justamente por trazer uma essência e percepção musical diferente da que estamos acostumados aqui em Belém. As diferenças culturais são essenciais para o crescimento do trabalho e contribuem para a possibilidade de chegar a públicos diferentes", Eduardo Barbosa, guitarrista e compositor.

O retorno ao Nordeste

A escolha do Nordeste para a gravação e para a turnê de seis shows, que passou por Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, incluindo uma apresentação no Festival Pôr do Som, não foi por acaso. Historicamente, após surgir no Pará, a lambada migrou em direção ao território nordestino, onde se transformou em uma febre nacional há quatro décadas.

"Ir ao Nordeste nos reconectou com um público que também consome lambada, já que o gênero fez grande sucesso na região durante os anos 80. É um salto importante para o nosso trabalho", destaca Eduardo.

Após o declínio comercial do gênero na década de 1990, quando outros ritmos ganharam espaço no mercado fonográfico, o Lambada Social Club assumiu a missão de reestabelecer o estilo não apenas como um patrimônio histórico, mas como um mercado viável e moderno.

"Estamos focados em reestabelecer a lambada enquanto um movimento cultural em Belém do Pará e desenvolvê-la também enquanto mercado. O lançamento desse trabalho é uma tentativa de trazer a lambada para a discussão novamente, como um gênero musical com força e apelo comercial."

Com o álbum finalizado, os próximos passos da banda já estão traçados: uma série de shows de divulgação no Rio de Janeiro e em São Paulo, previstos para o final de 2026, com o objetivo de abrir novas conexões no mercado do Sudeste.

Fomento à cultura de rua

Criado em março de 2023, o Lambada Social Club se tornou uma das principais referências da nova cena de música paraense.

Em pouco tempo de estrada, o grupo já acumula passagens por palcos importantes, como o Festival Psica, Boulevarte, Jambu Live e o Festival Ver-o-Peso da Cozinha Paraense. Em 2024, além de lançarem o single de estreia "Égua do Calor!", os músicos foram condecorados com a Medalha do Mérito Cultural e Patrimônio pela Câmara Municipal de Belém.

Além do trabalho autoral, a banda é responsável por movimentar a cena cultural da capital paraense por meio de dois grandes projetos de rua.

Roda de Lambada: Evento mensal gratuito que nasceu na Praça do Carmo e, em 2024, migrou para o Boulevard da Gastronomia, importante ponto turístico de Belém. O projeto visa democratizar o acesso à música autoral paraense e conta com discotecagem de Dinei Teixeira, Radiola Poty e bandas convidadas. Em edições especiais na Caixa Cultural, o evento já recebeu lendas como os Mestres da Guitarrada Solano e Curica.

Noites de Lambada: Festa focada em salvaguardar os tradicionais bailes de lambada e merengue das periferias de Belém, promovendo inclusive concursos mensais de dança.

Em 2026, o grupo expandiu ainda mais suas ações de fomento com a realização do 1° Festival Roda de Lambada - Música do Povo, Música para Todos. Realizado no Complexo Porto Futuro, o festival gratuito de três dias reuniu grandes nomes da música do Norte, como a banda Warilou, Mestre Solano, Mestre Manoel Cordeiro, além de Ver-o-Brass, Clube da Guitarrada e Layse e Os Sinceros, consolidando Belém como a capital definitiva do revival da lambada.