# Influencer registra boletim de ocorrência em SP por ameaças de morte e tortura, após declarar voto nas redes sociais

- Seção: Brasil
- Fonte: G1 (https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/eleicoes/2026/noticia/2026/10/16/influencer-registra-boletim-de-ocorrencia-em-sp-por-ameacas-de-morte-e-tortura-apos-declarar-voto-nas-redes-sociais.ghtml)
- Publicado em: 2026-10-16T08:00:00.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1204722-influencer-registra-boletim-de-ocorrencia-em-sp-por-ameacas-de-morte-e-tortura

> Influencer de SP denuncia ameaças de morte após declarar voto em Lula

O influencer e criador de conteúdo Mateus Fernandes, de 26 anos, registrou boletim de ocorrência nesta semana em São Paulo por ameaças de morte e tortura que vem recebendo nas redes sociais, após se posicionar em favor da reeleição do presidente Lula (PT).

Segundo Fernandes, as ameaças começaram após a realização do 1° turno da corrida presidencial, quando resolveu usar suas redes sociais para falar sobre política partidária, tolerância e direitos sociais.

Nascido em Guarulhos e formado em Jornalismo, Mateus é fundador do InfoPerifa, uma iniciativa popular focada em combater a desinformação climática, promover a justiça ambiental e conectar pautas raciais e territoriais a partir das favelas e periferias brasileiras. Ele também frequenta a umbanda.

O jovem foi o responsável por formar uma rede com cerca de 500 influencers de periferia do país, em uma campanha de vira-voto em favor do candidato petista.

Com mais de 2 milhões de acessos mensais, Mateus contou ao g1 que viu o conteúdo de suas postagens aumentar significativamente após a campanha coletiva, chegando a mais de 9 milhões de acessos. A partir daí, seus problemas começaram.

“Desde o dia 7, quando formamos a rede vira-voto, alguns perfis com foto de bandeira do Brasil, imagens de Jesus ou sem foto começaram a me atacar de forma coordenada. Eles postavam mensagens de calúnia e ameaça conjuntamente e, cinco minutos depois, apagavam essas mensagens. Além das ameaças de morte e tortura, meu endereço residencial começou a ser exposto e, a partir daí, comecei a me preocupar com uma violência real que pudesse chegar realmente à minha casa”, afirmou.

Entre as ameaças estão: "Macaco fedido macumbeiro, você tem 22 dias pra te matar você".

Ameaças sofridas por Mateus Fernandes nas redes sociais nos últimos dias.

Com orientação jurídica de advogados, Mateus Fernandes foi à Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) registrar as ameaças, que foram encaminhadas também para a Divisão de Crimes Cibernéticos (DCCiber) .

Ele juntou prints das ameaças e afirma que, desde a divulgação do seu endereço, tem sofrido de problemas de saúde, como crises de ansiedade.

Em uma das mensagens, um usuário afirmou que "sonhava em matar" o influenciador e que não desistiria até encontrá-lo. Outro estabeleceu um prazo para sua morte.

Houve ainda ameaças de esquartejamento e referências explícitas à Ku Klux Klan (KKK), organização racista responsável por episódios históricos de violência contra a população negra nos Estados Unidos.

“Há dias que não volto para a minha casa. Tenho encontrado refúgio na casa de amigos da umbanda e nem contato com os meus familiares tenho tido, com medo de colocar eles em risco. Tive problemas de febre psicológica, ansiedade. Estou louco para voltar pra minha casa. Mas não sei se esses ataques vão terminar, despendendo do resultado do 2° turno”, declarou.

Mateus Fernandes é criados de conteúdo e encabeçou uma campanha de vira voto em favor de Lula (PT) nas redes sociais.

Os advogados de Fernandes também pediram para que o Ministério Público de São Paulo investigue os ataques, geralmente orquestrados por perfis fora do Brasil.

Na petição enviada ao MP, o advogado Tiago Fernandes fala em “operação orquestrada de ataques cibernéticos em massa (cyber-raid)” e “manifestações de ódio racial, racismo religioso e apologia ao nazismo”.

“O Noticiante [Mateus Fernandes] tornou-se alvo de uma operação orquestrada de ataques cibernéticos em massa (cyber-raid). Em intervalos regulares de aproximadamente 30 minutos, perfis coordenados passaram a publicar mensagens contendo graves ameaças de morte, métodos de tortura física, decapitação, mutilação, manifestações de ódio racial, racismo religioso e apologia ao nazismo. Evidenciando planejamento prévio e consciência de evasão forense, os emissores excluíram os comentários e desativaram seus perfis logo após a disseminação das ofensas, numa tentativa explícita de destruir a materialidade probatória”, escreveu Farias.

O g1 entrou em contato com a Secretaria da Segurança Pública (SSP) e o Ministério Público de SP (MP-SP), mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Para Mateus, o fato de ter "conseguido furar a bolha e a fronteira que separa esquerda e direita nas redes sociais", virou alvo de ataque.

“Identificaram meu perfil por ter capitaneado o movimento eleitoral que vem incomodando e furando a lógica de que só a extrema direita pode falar com as pessoas da periferia. Há anos converso com jovens da periferia sobre vários temas de pertencimento e de aceitação do que se é, furando a bolha e a fronteira que separa esquerda e direita. Por ser negro, de religião afro e usar turbante, essa turma acha que tem o direito sobre a minha vida, por simplesmente discordar deles”, declarou.

Ataques contra o vitiligo

O modelo Vitor Maccla, fundador do Instituto Irmãos de Pele, de auxílio e divulgação do vitiligo.

Outro influencer que reclamou de ataques após declarar voto nas redes sociais foi o modelo Vitor Maccla, fundador do Instituto Irmãos de Pele, de auxílio e divulgação do vitiligo.

Nas redes sociais, ele afirmou que "depois que declarou voto, recebeu mensagens violentas, insultos e tentativas de desqualificar meu trabalho com o tema do vitiligo” e até desejos de morte.

“Recebi algumas mensagens de carinho e outras de discordância respeitosa. Essas diferenças na forma de reagir mostram algo que considero importante discutir: o que fazemos quando alguém que acompanhamos pensa diferente de nós? Cada pessoa pode escolher quem deseja seguir. Mas discordar do meu voto não justifica me insultar ou desqualificar toda a minha trajetória e atuação na causa”, escreveu ele.

“Para mim, a causa do vitiligo é política: envolve dignidade, direitos, acesso ao cuidado, educação para a diversidade e enfrentamento da discriminação. Minha escolha eleitoral é pessoal e torná-la pública é uma forma de transparência sobre os valores que orientam minha trajetória. Você não precisa pensar ou votar como eu para ser acolhido e respeitado por mim”, afirmou.

E completou: “Tenho o direito de me posicionar, e você tem o direito de discordar. Esse diálogo precisa preservar nossa dignidade e não pode servir de justificativa para agressões ou discriminação”.

Os ataques sofridos pelo modelo Vitor Maccla, fundador do Instituto Irmãos de Pele, de auxílio e divulgação do vitiligo

Reportagem completa: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/eleicoes/2026/noticia/2026/10/16/influencer-registra-boletim-de-ocorrencia-em-sp-por-ameacas-de-morte-e-tortura-apos-declarar-voto-nas-redes-sociais.ghtml

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