# Pitty reprocessa chip do punk rock em álbum que também acena para a pista do pop contemporâneo e para o metal

- Seção: Entretenimento
- Fonte: G1 (https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/10/16/pitty-reprocessa-chip-do-punk-rock-em-album-que-tambem-acena-para-a-pista-do-pop-contemporaneo-e-para-o-metal.ghtml)
- Publicado em: 2026-10-16T12:25:46.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1208042-pitty-reprocessa-chip-do-punk-rock-em-album-que-tambem-acena-para-a-pista-do-pop

> Pitty lança o sexto álbum solo de estúdio nesta sexta-feira, 16 de outubro, com 12 músicas

Jorge Daux / Divulgação

♫ CRÍTICA DE ÁLBUM

Cotação: ★ ★ ★ 1/2

♬ Aperitivo do sexto álbum solo de estúdio de Pitty, o single “Sobremesa” deixou gosto meio agridoce no ar. Era um rock voraz de cepa punk que, embora saboroso, sinalizava retrocesso na discografia de artista que há sete anos lançara “Matriz” (2019), grande álbum em que Pitty trocou o chip e expandiu a sonoridade, passando a Bahia natal pelo filtro do rock.

No mundo a partir de hoje, sexta-feira, 16 de outubro, em edição digital e em LP fabricado pela gravadora Deck, o álbum intitulado “Pitty” tem o mesmo sabor de “Sobremesa” em parte das 13 faixas, formatadas com produção musical orquestrada por Rafael Ramos com a própria Pitty.

É como se “Matriz” não tivesse existido na trajetória fonográfica da cantora, compositora e instrumentista baiana.

Em essência, ao longo do álbum “Pitty”, a artista reativa o chip do punk rock em músicas como a assertiva “Não à deriva”, faixa que tangencia o stoner rock, e flerta com o peso do metal em “Desobediente”, faixa que termina com toques da música oriental na produção feita com a adesão de Nave.

Até aí tudo bem. O álbum traz de volta a Pitty de outrora, mas com a experiência dos 49 anos – completados em 7 de outubro – e com a maturidade de quem já atravessou problemas de saúde, pariu uma filha já pré-adolescente e amargou uma separação cujas dores são expiadas nos versos do blues-rock “Álbum de casamento”.

“Eu vou botar no papel tudo o que doer / É caminho pra absorver, trilha pra elaborar / ... / Devolva minhas senhas, eu confiei em você / A minha autoestima, não precisa devolver / Eu já tomei de volta a posse do que é meu / Minha arte, meu corpo, minha maternidade / A minha insanidade quem resolve sou eu”, determina Pitty, dando o tom altivo das letras do álbum, cujo repertório é inteiramente assinado pela artista, sem parceiros.

Pitty faz acerto póstumo de contas com a mãe nos versos do rock-balada 'Cuidada'

Jorge Daux / Pitty

O corpo estranho no álbum “Pitty” é “Pileque de poeta”, faixa feita com a adesão de Felipe Vassão (coprodução, programação e teclados) que acena para a pista do pop contemporâneo, fora de sintonia com o tom do álbum. “Sobriedade seletiva”, outra faixa formatada com a colaboração de Vassão, soa mais integrada à atmosfera roqueira do álbum por harmonizar elementos de punk-disco e house.

Com letra endereçada à destinatária de identidade desconhecida, “Amiga,” também se diferencia no conjunto da obra, soando como um rock em flerte fugaz com o universo do tecnobrega.

Curiosamente, o álbum se agiganta quando os beats se desaceleram e a guitarra de Martin Mendonça perde a fúria que sustenta músicas como “Armadura”.

Esse crescimento é nítido em “Caminhada”, balada em que Pitty versa sobre sororidade feminina. “Não estamos sozinhas, embora tentem dizer / Que a nossa única escolha é ceder ou morrer / A gente se reconhece pelo rastro e pela voz / O que tentaram quebrar em ti dói em todas nós / Não aceito que te calem, não aceito o teu fim / Cuidar de você é também cuidar de mim”, ressalta Pitty.

Já o rock-balada “Cuidada” é afetivo acerto póstumo de contas de Pitty com a mãe, Laurita, já falecida. Em outra letra interessante, Pitty se dirige à mãe com a experiência de ela, Pitty, já ser mãe de Madalena.

No geral pautado pela fúria incandescente das guitarras, sobressalentes em faixas como “Madame” e harmonizadas com o baixo de Paulo Kishimoto, a bateria de Nico e os teclados de Rodrigo Tavares, o álbum “Pitty” termina com “Nó”, rock sobre recomeço.

“Pior que cair é nem tentar andar”, sentencia a roqueira em verso de “Nó”. Por mais que o álbum “Pitty” deixe a sensação de que a artista deu dois passos para trás, o fato é que Pitty tem se mantido de pé, em movimento.

Capa do álbum 'Pitty'

Jorge Daux / Divulgação

Reportagem completa: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/10/16/pitty-reprocessa-chip-do-punk-rock-em-album-que-tambem-acena-para-a-pista-do-pop-contemporaneo-e-para-o-metal.ghtml

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