A nova acusação, apresentada na última 5ª feira, ampliou o processo criminal norte-americano contra o ex-presidente venezuelano, de 63 anos, e Flores, de 70. Os 2 já haviam se declarado inocentes de acusações anteriores de abuso de poder para facilitar o envio de cocaína aos Estados Unidos.

Maduro e Flores compareceram à audiência vestindo uniformes de presidiários bege e algemados nos tornozelos. Quando o juiz pediu que Maduro se declarasse culpado ou inocente, ele contestou a validade das acusações. “Eu vi tudo, juiz Hellerstein” , disse Maduro, referindo-se ao documento de acusação. “Rejeito este documento na íntegra.” Hellerstein interrompeu Maduro enquanto ele falava e determinou que uma declaração de inocência seria registrada em seu nome. Flores afirmou: “Sou completamente inocente. Não sou culpada.”

Segundo informações da Reuters , procuradores do Ministério Público Federal de Manhattan sustentam que Maduro ordenou que autoridades venezuelanas torturassem políticos da oposição e militares acusados de conspirar contra ele para se manter no poder. Em um incidente descrito na acusação, datado de 3 de fevereiro de 2014, Maduro teria ordenado o sequestro de militares para obter informações sobre possíveis dissidentes e instruído os responsáveis a “pressioná-los com mais força” quando alguns permaneceram resistentes. Flores, segundo a acusação, concordou com o plano apresentado na reunião e rejeitou uma proposta alternativa de infiltração nas fileiras.

Maduro e Flores não são acusados de ter praticado pessoalmente atos de tortura. Se condenados por todas as acusações, cada um enfrentaria pena mínima obrigatória de 50 anos de prisão.

Hellerstein adiou o início do julgamento em duas semanas, para 14 de junho de 2027, por causa das novas acusações.

Captura e contexto político

Os 2 foram capturados pelos militares norte-americanos em 3 de janeiro, durante operação ordenada pelo presidente Donald Trump (Partido Republicano). A ação retirou Maduro e Flores de sua residência em Caracas e os transferiu para os Estados Unidos, onde estão detidos no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn.

As relações entre Maduro e os EUA foram marcadas por tensão durante seus 13 anos à frente da Venezuela. Sucessivas administrações americanas impuseram sanções a funcionários venezuelanos e a empresas estatais do país, alegando violações de direitos humanos, corrupção e fraude eleitoral. Maduro afirmou que os Estados Unidos buscaram sua destituição para obter controle sobre os recursos naturais venezuelanos.

Desde a captura de Maduro, a ex-vice-presidente Delcy Rodríguez lidera a Venezuela e intensificou a cooperação com os Estados Unidos. Trump tem apresentado a operação e a retomada das relações com o país sul-americano como um importante êxito de política externa às vésperas das eleições de meio de mandato de 3 de novembro, nas quais os republicanos buscam manter o controle do Congresso.