À PF, Vorcaro disse que as operações realizadas entre o Master e o Banco de Brasília foram “ negócios absolutamente lícitos, embasados em decisões técnicas e colegiadas tomadas pelas instâncias de governança de ambas as instituições, sem gerar qualquer prejuízo ao BRB” .

A defesa do ex-banqueiro também afirmou que apresentará nesta 6ª feira (16.out) “uma contestação na esfera cível e pedirá a realização de perícia a fim de sepultar” as investigações sobre as fraudes financeiras.

No depoimento, Vorcaro disse que a situação atual do BRB é resultado da deflagração, segundo ele, “açodada” da operação Compliance Zero, “que envolveu a instituição num enredo falso de suposta fraude bilionária, abalando a confiança indispensável para o regular funcionamento de um banco” .

O depoimento foi prestado no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha, onde o ex-banqueiro está preso preventivamente . Segundo a defesa, Vorcaro respondeu “de forma colaborativa” a todas as perguntas.

As apurações sobre as fraudes no Banco Master estão no escopo da Compliance Zero, autorizada inicialmente pela 10ª Vara Federal de Brasília em novembro de 2025. A 1ª fase prendeu provisoriamente os principais executivos ligados à instituição liquidada pelo BC. Ainda em novembro, o TRF-1 autorizou o uso de tornozeleira eletrônica e o retorno dos investigados para casa.

O caso passou a tramitar no STF a partir de dezembro de 2025, sob o comando do ministro Dias Toffoli. Ele autorizou a 2ª fase em janeiro de 2026, mas deixou a relatoria em 12 de fevereiro. André Mendonça assumiu . Vorcaro voltou a ser preso no início de março. Está detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Ele entregou uma proposta de delação premiada, cuja análise por parte do ministro do Supremo deve levar semanas.

Eis as fases da operação:

1ª fase (18.nov.2025) – Daniel Vorcaro foi preso pela 1ª vez em 17 de novembro de 2025, um dia antes de a operação ser deflagrada . Ele tentava deixar o Brasil. A ação cumpriu 7 mandados de prisão e 25 de busca e apreensão em 4 Estados e no DF. O ex-banqueiro foi solto em 29 de novembro;

2ª fase (14.jan.2026) – a PF realizou buscas em endereços ligados a Vorcaro . Foram apreendidos carros, relógios e dinheiro . Os valores bloqueados ou sequestrados na ação superaram R$ 5,7 bilhões. Tinha o objetivo de apurar o uso de fundos fraudulentos para maquiar os caixas do Master. Leia as íntegras das decisões que autorizaram a operação;

3ª fase (4.mar.2026) – Vorcaro voltou a ser preso . De acordo com a PF, o ex-banqueiro tinha um grupo que intimidava adversários e pagava propina para 2 funcionários do BC. No mesmo dia, um homem que trabalhava para o fundador do Master tentou se matar enquanto estava sob a custódia da PF –ele morreu em 6 de março. Leia a íntegra da decisão que deu aval à ação ;

4ª fase (16.abr.2026) – a operação da PF prendeu Paulo Henrique Costa , ex-presidente do BRB. É investigado por suspeita de permitir operações sem lastro com o Master. Segundo a Polícia Federal, Costa recebeu propina de Vorcaro em imóveis de luxo . Leia a íntegra da decisão que autorizou a ação;

5ª fase (7.mai.2026) – o senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi alvo . A PF cita o pagamento de propina de Vorcaro para o congressista –que negou . O relator do Master no STF, ministro André Mendonça, disse que a relação entre o político e o ex-banqueiro “extrapola a amizade” . Houve o bloqueio de R$ 18,85 milhões. Leia a íntegra da decisão que autorizou a operação ;

6ª fase (14.mai.2026) – foram cumpridos 7 mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em SP, MG e RJ. O pai de Vorcaro foi preso . Era ele quem articulava o grupo de intimidação e espionagem do ex-banqueiro, de acordo com a PF. Leia a íntegra da decisão que autorizou a operação;

7ª fase (19.mai.2026) – a PF deflagrou uma operação para apurar o vazamento de informações sigilosas ligadas ao Master . Mendonça mandou afastar um perito da corporação;

8ª fase (26.mai.2026) – o ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ) foi alvo de mandados de busca e apreensão. A ação apura a suspeita de crimes envolvendo o Master e o Rioprevidência. O total movimentado é de R$ 3 bilhões , segundo a PF. Leia a íntegra da decisão que autorizou a operação .

9ª fase (18.jun.2026) – o senador Jaques Wagner (PT-BA) foi alvo de medidas cautelares autorizadas por André Mendonça . O ministro proibiu o congressista de atuar com empresas ligadas ao caso Master e de falar com investigados, salvo exceções familiares. Leia a íntegra (PDF — 256 kB).