A revisão mais significativa do Goldman foi para a Usiminas ( USIM5 ), com o banco cortando suas estimativas de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) em 12% para 2026 e em 34% para 2027, diante de preços mais baixos do aço e de custos mais elevados de matérias-primas. Apesar de manter recomendação de compra, o banco reduziu o preço-alvo da ação de R$ 10 para R$ 8,60. O Goldman também revisou para baixo suas estimativas para a CSN ( CSNA3 ), reduzindo as projeções de Ebitda em 12% para 2026 e em 17% para 2027, além de cortar o preço-alvo de R$ 4,30 para R$ 4,00, mantendo recomendação de venda.

No caso da CSN Mineração ( CMIN3 ), o banco cortou as estimativas de Ebitda em 24% para 2026 e em 11% para 2027, refletindo preços realizados mais fracos para o minério de ferro e custos maiores de frete. Ainda assim, elevou ligeiramente o preço-alvo, de R$ 3,80 para R$ 3,90, apoiado por uma visão mais construtiva para o minério a partir de 2027.

A exceção entre as empresas brasileiras cobertas pelo Goldman foi a Gerdau ( GGBR4 ). Beneficiada pela forte exposição aos Estados Unidos, a companhia teve as projeções de Ebitda para 2027 e 2028 elevadas em 4% e 16%, respectivamente. Com isso, o banco aumentou o preço-alvo da ação de R$ 27 para R$ 29 e manteve recomendação neutra.

As estimativas para o terceiro trimestre refletem essa divergência, com o Goldman projetando crescimento de 10% no Ebitda da Gerdau frente ao trimestre anterior, para R$ 3,76 bilhões. Já a Usiminas deve registrar queda de 9%, para R$ 629 milhões. A expectativa para a CSN é de recuo de 31%, para R$ 1,92 bilhão, enquanto a CSN Mineração pode apresentar retração de 66%, para R$ 346 milhões.

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A visão mais conservadora para os resultados também aparece nos relatórios do Morgan Stanley, em que o banco avalia que o terceiro trimestre deve evidenciar os efeitos da demanda doméstica ainda fraca, dos custos pressionados e de preços do aço insuficientes para compensar a alta das matérias-primas.

Na avaliação dos analistas, a Usiminas segue entre as empresas mais expostas à compressão de margens no curto prazo, enquanto a CSN continua enfrentando desafios simultâneos nos negócios de aço e mineração.

Por outro lado, a Gerdau permanece como a companhia mais defensiva do setor, segundo o Morgan Stanley, graças à sua relevante exposição ao mercado norte-americano, que continua oferecendo um ambiente mais favorável de preços e rentabilidade. O banco estima margens Ebitda ao redor de 19% para a companhia, acima das observadas nas demais siderúrgicas brasileiras.

Apesar da cautela para o curto prazo, os bancos enxergam perspectivas mais favoráveis para 2027. Tanto Goldman quanto Morgan Stanley destacam que a redução das importações de aço, possíveis medidas antidumping contra produtos asiáticos e uma eventual recuperação gradual dos spreads domésticos podem melhorar o ambiente para o setor.

Nesse cenário, a Gerdau continua sendo apontada como a principal aposta defensiva, enquanto Usiminas e CSN dependeriam de uma recuperação mais consistente dos preços do aço para voltar a expandir rentabilidade.

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